terça-feira, 30 de setembro de 2008

A RACIONALIDADE E SUAS TRAVAS


Ao contrário da mente infantil, propensa a fantasiar, um adulto está convicto de suas possibilidades e limites. Experiências acumuladas nos convencem (às vezes, a duras penas) da existência da gravidade ou sobre a qual a sensação de um choque elétrico. Isto porque nossa estrutura mental possui a capacidade para analisar o mundo físico e interagir com ele. Assim, num escopo maior, o homem atua positivamente sobre o mundo físico, construindo aquedutos, drenando rios e extraindo minérios, por exemplo. As grandes conquistas médico-científicas partem da capacidade racional de nossa raça.

A racionalidade consiste em catalogar as informações a respeito das características da natureza, dos seres vivos, da convivência dentro de sociedades humanas disponíveis e criar mecanismo para atuar de forma lógica, sensata e criativa. Logo, a razão humana pressupõe individualidade, porque cada ato de volição racional é marcado pela experiência pessoal. Torna-se, portanto, absurdo idealizar a razão como algo uniforme e universal.

Entrementes, ao considerar a racionalidade, temos que admitir ter diante de nós uma ferramenta defeituosa. Como nossa experiência é incompleta, a formação da razão consiste em um processo não isento de lapsos, falsos conceitos e mistificações. Outro fator para a insuficiência da razão é a corrupção de dados presentes no mundo ao redor. A desordem na natureza não reflete a justiça, mas o desequilíbrio. Em suma: temos um mapa cheio de lacunas (nossa mente) indicando uma estrada cujos trechos sofreram progressivas alterações (nosso mundo).

Outrossim, imperfeita como seja, a razão humana é um instrumento insuficiente, mas útil. As grandes questões que cercam nossa existência são respondidas com o auxílio da razão. O próprio Deus nos convida a usar a razão para repensar nossa postura diante de Seus imperativos (Is. 1:18). Somente com a admissão de que a Revelação habilita, qualifica e se utiliza apropriadamente da razão (sem substituí-la), o homem pode ocupar mais corretamente seu espaço em um mundo criado para ele, enquanto se dispõe a participar do mundo que Deus renovará para ele.

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SOMOS OS ADVENTISTAS NORTE-AMERICANOS DE AMANHÃ



A crise do adventismo no primeiro mundo ocorre há muitas décadas. Qualquer pessoa de outra geografia que tenha visitado a igreja na Europa ou Estados Unidos logo percebe as diferenças. Pouco se fala sobre isso aqui na América do Sul, porque é embaraçoso. Dizer que as diferenças são meras diferenças culturais sem importância é o tipo de desculpa que insulta a inteligência.
Por outro lado, seria injusto afirmar que a igreja se apostatou nos países do hemisfério norte, uma vez que há adventistas fiéis em toda parte. O que se pode concluir, de modo geral, é que muitos lugares perderam a essência da mensagem adventista: membros leigos, líderes e pastores vivem e pregam como evangélicos. De fato, sua liturgia, mensagem e ênfases não os diferem de qualquer outra denominação cristã.
Enquanto isso, em diversos países do hemisfério sul a Igreja Adventista exibe um frescor missionário exuberante. Há infindáveis frentes missionárias. Abertura de novas igrejas e sedes administrativas. Tudo parece como deveria. Na nossa inocência (ou alienação histórica), não entendemos o que aconteceu com a América do Norte e continuamos felizes por sermos diferentes, mais fiéis – no limiar com um orgulho (pouco) santo.
Uma análise mais séria revelaria que os desafios que pegaram os adventistas norte-americanos desprevenidos já aparecem no horizonte sul americano. Há megalópoles como Buenos Aires, São Paulo, Lima, Montevidéu, para mencionar algumas, onde a presença adventista é pouco representativa em comparação com a população. Mudanças ideológicas e culturais influenciam os membros da igreja, acelerando a secularização. Modismos evangélicos, em termos de estratégias, programas, estilos de pregação e ministérios (principalmente ligados ao evangelismo, música e jovens) se espalham entre os adventistas.
A diferença? Os adventistas norte-americanos experimentaram isso décadas antes. Atualmente, estão passos à frente em termos de secularização (melhor: passos atrás!). Caso não voltemos à Bíblia, sofremos como eles e o adventismo vigoroso da América do Sul se tornará insípido.
Precisamos examinar a Bíblia, tanto para conhecer a razão de ser adventista, quanto para avançar em nossa missão. Deveríamos criticar, de um ponto de vista bíblico, livros e CDs evangélicos, ao invés de copiar seus jargões e “inovar” com programas inspirados nessas obras. Em grandes eventos, temos de deixar de contar com “artistas” de palco, que cantam músicas super-estimulantes (sensorialmente falando) e enfatizar o raciocínio simples e calmo necessário a um estudo bíblico eficaz. Sim, as pessoas precisam conhecer o brilho de nossa mensagem sem o calor de emoções voláteis – emoções são parte do processo, mas não a base do que cremos!
Se não mudarmos o jeito de fazer as coisas, o resultado final não mudará: para saber o que nos aguarda, basta ver as igrejas vazias, exceto por membros idosos ou, por outro lado, os louvores pentecostais, os jovens com brincos e tatuagens e pregação não-bíblica, igual às congregações norte-americanas…

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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A HUMILHAÇÃO

Ceder para ganhar espaço. Dar o lugar. Desviar-se para ajudar. Servir não pensando em recompensa. Não olhar para o lado, apenas para cima. A vida do mestre foi um constante jejum de louvores, uma abstinência de recompensas. Não havia aplausos ou votos. E o final (no sentido teleológico) era a cruz.

Jesus não quis nossa admiração simplesmente. Busca nossa imitação em suas chagas. Seus servos são imitadores imperfeitos do Servo-Cósmico. Devem partilhar de uma disposição não egoísta. Ninguém está tratando de masoquismo. Jesus nos pede abnegação, uma espécie de amor aos necessitados que se revele em atendimento voluntário a eles, dentro de suas urgências. Mesmo que nossas prioridades sejam tragadas em nosso sacrifício pelo semelhante.

E mesmo que nos ofendam, nos insultem, caluniem, distorçam nossos motivos. Estamos neste mundo como lacaios que não priorizam a reputação ou o status quo. Escravos não ligam para ofensas. Nossa dignidade não deve nada ao conceito que os nossos vizinhos têm de nós. Somos o que somos porque Deus mostrou quem Ele é no Calvário, o lugar de Sua humilhação.
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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A ESPADA DAS ÁGUAS


O desgosto amargando o cenário acompanhado, cenário transtornado pela presença de elementos malévolos, o desgosto sendo, portanto justificável, e cada vez mais, a medida em que o homem desdenhava da instituição do matrimônio,e fundamentava a existência em prazeres e disputas, luxúria e altivez, em toda parte o pecado atingindo tais e tais proporções, pelo que o desgosto de um Ser Puro encheu até a borda o cálix da Ira, Sua reação natural às manifestações humanas, Deus nada, porém, fez sem Se comunicar, tendo achado para isso alguém que O ouvisse, alguém que pudesse contatar mão-de-obra e gastar a mão em marteladas centenárias, sob risadas desmerecedoras, alguém assim de fibra e fé, honesto para consigo em meio ao chamado do Eterno, e Deus, fazendo desse alguém Seu instrumento, preparou as circunstâncias para o juízo de um mundo desenfreadamente fadado à enormidade de seus crimes, preparo de cento e vinte anos, culminando no dia em que o Seu alguém entrou na estrutura naval que construíra, os animais levados pelos anjos também entraram e a porta fechou-Se, pena do mundo do lado de fora, trespassado por temores e expectativas arrepiantes, ouvindo, em princípio, os gêiseres, e as primeiras gotas de chuva da História, e isto simultaneamente na face de toda a Terra, Deus sofrendo pelos filhos que amava, embora a rebeldia deles os levasse para longe de Seus braços paternais, e houve relâmpagos, e coriscos, e raios, e trovões, e luzes, e toda criatura vivente ouvia os alaridos em alarde de fúria e julgamento, tudo passando o mais rápido, numa Atividade catastrófica rápida e extensa, gloriosa em seu feitio, pelo que os homens reconheciam, temerosos da glória do Senhor, que tinham de prestar contas ao Criador que viam Se manifestar na chuva, chuva que cobria planícies e cordilheiras e tudo, tudo, tudo debaixo do céu, menos a barca do patriarca, a seco ele, sua família e os animais, salvos pelo Senhor, mas igualmente impressionados pelos ruídos das águas que tragavam o mundo, e os animais?, encaixotados pelo âmbar, sepultos em cálcio, os organismos sendo alterados, que tragédia!, Deus acompanhou quando o mar transportava sedimentos e organismos de áreas com menor altitude para bacias sedimentares, tudo sendo destruído, a vida, as cidades, os prédios, as esperanças, o salão que aguardava a noiva, a cova que aguardava o morto, pois que todos morriam durante o zoneamento ecológico, pobres dos animais, tal a angustiosa posição em que eram fossilizados, e o que dizer das espécimes em nado, com a cabeça puxada para trás, agonizando?, o juízo de Deus é terrível contra o pecado, avassaladora a mão do Regente contra os que infligiam Suas leis...Antigas montanhas desaparecem, surgem outras, numa somatória de ambientes erodidos pelas ondas, mas acabou, as águas baixaram, e, algumas viagens depois, a pomba trouxe o ramo verde que aguardava o seu bico faminto de novidade, vislumbrando em seu vôo dourado pelo sol do pós-mundo carcaças, principalmente de Mamíferos e pássaros, que flutuaram por mais tempo, e a arca aportou, a vida emergiu novamente e do altar subiu a fumaça de um espírito grato, certeza de que o juízo também redundou em confirmação de integridade do caráter.


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O MAIOR DINOSSAURO BRASILEIRO E O DILÚVIO

Uma réplica do maior dinossauro já descoberto no Brasil foi apresentada no Rio de Janeiro.[...]


O nome científico desse é Uberabatitan ribeiroi, em homenagem ao local da descoberta e a um pesquisador. O gigante de Uberaba faz da cidade mineira a capital nacional dos dinossauros. Os fósseis foram achados a 30 quilômetros do centro, em rochas que existem há 65 milhões de anos.

[...]

Foi um trabalho de quatro anos, da descoberta até a moldagem do esqueleto, que contou com a ajuda de simulações digitais. A criatura, de plástico e aço, tem cinco metros e meio de altura e 11 metros de comprimento.

Mas o Uberabatitan não é importante só porque era grande: “Ele viveu o último momento de extinção em massa, de grande perda de vida no planeta. Isso faz repensar o futuro da presença da humanidade na Terra”, explica o paleontólogo Luiz Carlos Ribeiro.

Qual teria sido a razão deste "último momento de extinção em massa", que causou a explosão de fósseis no chamado período Cambriano? Há fortes evidências da relação destes achados arqueológicos com o evento catastrófico descrito na Bíblia como o dilúvio.

ECUMENISMO: CONEXÕES SUTIS


O que o jogador Kaká, o tenor Andrea Bocelli e o papa Bento XVI têm em comum? Estas e outras personalidades participarão de uma maratona de leitura bíblica, promovido pelo canal Rai, de TV italiana. (Só não sei como Bocelli fará isto, uma vez que o cantor é cego!...) Ao todo serão 1500 pessoas lendo a Bíblia durante 139 horas, sem pausa para os comerciais. O acontecimento, noticiado no portal G1, têm caráter ecumênico.

Lentamente as diferenças religiosas vão dando lugar a uma conveniente união baseada em pontos comuns, que acabará por excluir aqueles que terminantemente mantiverem a Bíblia como única regra de fé, rejeitando a tradição dos homens.

BORDADO DESFEITO


Na portiola, olha e a carta, onde? Deixara
Sobre a mesa. Torna a ir pela azinaga;
Entra. Ah!, o envelope! Sobra obreia. É clara
A hora e estranha o silêncio, a manhã vaga…

Como que por um sopro, empurra a porta
E inside a luz sobre a arandela. A filha
– Toca-lhe a mão e ela…ela não se importa,
E ao invés do olhar, a arandela é que brilha.

De seu cabelo, belo igual ao nastro,
A encalecida mão materna tece
Sete tranças. Em torno, enxerga o rastro
De lã a esperar quem dela se esquece.

A maranha cai por sobre o tear – arte
Que ela própria ensinara à moça. À dor
Dá-se. Seda tão cara, e cedo parte
Tafetá sem a afetação que for!

O fervor no favor prestado, as mãos
Sem pouso, o gosto, não no emolumento,
Mas no ser útil, olhos de artesãos
– Em tudo a admira a mãe neste momento.

E a pureza que punha em cafetãs
Era dela, do espírito bordado
Por Deus, Maior dos passamanes – chãs
Virtudes usou para este brocado.

A mãe traz-lhe um mantô que não lhe aperte;
E um baldaquim rabisca sobre a mesa
– Fizera-o e retribuíra à filha inerte:
Vivera em luta, dormiria alteza!…

O ESPÍRITO DA COISA


Nos anos 80, ele reformulou personagens como o Demolidor (Marvel Comics) e Batman (DC Comics). Ao longo dos anos 80 e depois, já na década seguinte, tounou-se um ícone com HQs famosas como Ronin, 300 e Sin City. Mas agora a praia do desenhista e roteirista Frank Miller é a sétima arte.

Depois da malfadada experiência com o roteiro das continuações de Robocop, Miller tomou gosto pela coisa quando o convenceram a co-dirigir uma adaptação de sua criação, a popular Sin City. No rastro, surgiu a versão cinematográfica de 300. Agora, nas mãos do cineasta Miller está Spirit, também inspirada em uma HQ, do genial Will Einsner.

Miller não esconde que, como desenhista, Einsner é uma de suas referências; aliás, Einsner influenciou meio mundo, com seus cortes e ângulos cinematográficos. O próprio Einsner não atribuía a angulosidade das cenas que imaginava a qualquer influência que o cinema exercesse sobre ele; o falecido artista dizia que, com o advento das grandes cidades, cercada por seus prédios gigantescos, as pessoas perderam o horizonte como referencial; só podiam ver as coisas olhando de cima ou de baixo; sua maneira de projetar as cenas apenas refletia esta realidade urbana.

Em entrevista sobre o projeto de Spirit, Miller deu a seguinte declaração, publicada no site Omete: ""Eu adaptei a HQ aos tempos de mudança de hoje em dia, e agora o filme se parece com o trabalho que eu faço. Quando eu estava na cadeira do diretor, senti que Will Eisner estava atrás de mim, mesmo falecido".

Uma declaração como esta evidencia mais uma vez o que está por parte da produtação cultural de nossa época e reforça a necessidade premente de que os cristãos produzam também manifestações culturais alternativas, como forma de expressar seus próprios valores em meio á onda de crescente misticismo.


terça-feira, 23 de setembro de 2008

A CONTINUAÇÃO DE HARRY POTTER?

A partir do dia 4 de dezembro, os fãs da saga de Harry Potter poderão descobrir um pouco mais do universo mágico criado pela escritora J.K.Rowling. Acompanhando o lançamento mundial, a Editora Rocco publica no Brasil o livro Os Contos de Beedle, o Bardo.

Citada em Harry Potter e as Relíquias da Morte como um presente de Dumbledore para Hermione, a publicação reúne cinco histórias escritas e ilustradas pela autora. Produzida inicialmente em tiragem artesanal de sete exemplares, a obra causou frisson ao ser arrematada pela Amazon por US$ 4 milhões em um leilão beneficente realizado no fim do ano passado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Com o fim da saga de Harry Potter, J.K.Rowling. quer continuar explorando a matéria prima que fez dela uma das maiores celebridades britânicas e dona de uma generosa conta bancária. Engana-se quem pense se tratar de uma obra de ficção: a magia, ou Wicca Witchcraft, que aparece no enredo dos livros de Rowling é uma prática real, que tem crescido entre os adolescentes de todo mundo, incentivada por obras como Harry Potter. A promoção do misticismo, de forma tão aberta, é um perigo real ante o qual os veradeiros cristãos devem estar alertas.

O LAR

Aqui estão seguros, sem medo de represálias. As feridas ficam abertas somente até a soleira. O diálogo garante a segurança. O amor preenche as lacunas.

Há duas colunas que sustentam os princípios postos em constante prática, prática aperfeiçoada pela maestria da convivência. E as duas colunas são um mesmo amor, uma conjunção de propósitos formadores. São duas colunas, mas dois corações e uma mesma carne. Tudo o que se vê aqui vem da multiplicidade de seu compromisso conjugal.

Além do campo e visão, Deus sustenta cada elemento desta casa, com a sombra de Sua presença radiante. Por isso, sorrisos aparecem com tanta naturalidade.

domingo, 21 de setembro de 2008

UM NOVO SÉCULO, UM NOVO TIPO DE ADORADOR


Embora o Cristianismo forneça um programa de vida, por assim dizer, cuja característica fundamental esteja na “novidade de vida” (II Co 5:17), a maneira cristã de viver sofre direta interferência da Cultura. Em muitos casos, esta interferência não altera a essência da Religião, apenas manifesta, dentro de determinado repertório social, o que a Religião orienta. Diferentes culturas podem variar na sua compreensão de reverência, por exemplo – enquanto cristãos árabes tiram seus calçados ao adentrarem em um templo (ao modo dos patriarcas), os ocidentais expressam a reverência pelo respeito em suas ações dentro do local em que adoram, seja não conversando ou evitando que as crianças comam durante o culto. Dentro do que se afirmou, infere-se que a interferência cultural não é necessariamente negativa para a experiência religiosa cristã.
O problema reside nas situações em que costumes corroboram para uma reformulação dos ensinos cristãos, tornando-os, na prática, algo substancialmente diferente, em menor ou maior grau, daquilo que a Bíblia tenciona. A cada ciclo epocal, tendências suscitadas pelas correntes de pensamento oferecem desafios ao programa de vida propriamente cristão. As tendências são combatidas pelos pensadores cristãos, seja através de novas formulações da fé ou pela ênfase nas áreas desafiadas, reafirmando a verdade. Em outros casos, as tendências são assimiladas, e, dentro deste processo, o sistema de pensamento cristão sobre uma contaminação, capaz de comprometê-lo de uma forma ou de outra.
Com o advento de um novo século, marcado pela ubiquidade da tecnologia e pelo enfraquecimento do Estado como entidade regulamentadora, assistimos a ascensão de uma sociedade hostil aos valores cristãos fundamentais. Cada cidadão é seu próprio peso e medida, e as censuras são desarmadas em nome da liberdade individual. O que impera é o “raciocínio bricolagem” – ou “faça você mesmo” – que é aplicado a quase toda questão que envolva a escolha individual.
Como funciona o “raciocínio bricolagem”? Ele pressupõe a competência individual para selecionar e montar seu próprio produto consumível. Isto explica porque há uma queda no mercado fonográfico – poucas pessoas se interessam por comprar CDs, quando podem “baixar” as faixas preferidas de seus CDs através da internet, montando sua própria coletânea. Algumas artistas, sensíveis a este comportamento, estão disponibilizando faixas musicais em sites, vendendo-os separadamente.
O mesmo raciocínio bricolagem afeta a vivência religiosa do século XXI. Religião é encarada como uma prestação de serviços, estando ela em constante busca por oferecer opções a um mercado exigente. A fidelidade religiosa não é tão relevante como estar satisfeito com os serviços prestados; afinal, pode-se trocar uma prestadora (igreja) por outra.
Dentro deste prisma, o conteúdo bíblico-doutrinário é um interesse periférico. Busca-se uma igreja que dê suporte para a união matrimonial, que ofereça assistência a adictos, e cujos cultos sejam atraentes (daí a relevância dos ministérios de louvor), que apresentem alternativas que permitam engajar-se em uma área qualquer (social, lúdica, artística, etc).
Para atender a esta demanda, os ministérios cristãos têm, grosso modo, se pautado por uma política de acompanhar as tendências de mercado a risca, mudando suas estratégias, à medida que seguem uma postura empresarial (a imagem do pastor como um empresário substitui a do clérigo protestante austero em seus modos e respeitado pela sua autoridade doutrinária). Hoje se pode falar de um ministério iconográfico, que exerce influência por meio da manipulação pessoal da congregação, seja pelos recursos teatrais de sua oratória, ou pelo carisma pessoal (sempre ligado ao sobrenatural, o que se deve à unção do ministro que se afirma como porta-voz do Ser Sagrado e também a se ele um autoproclamado agente de libertação, com poder de curar, exorcizar, etc.).
O adorador-cliente faz sua própria Religião como quem escolhe o recheio de um sanduíche em um shopping - center. Com isso, o poder da Revelação divina feita dentro da História fica reduzido a uma parte da própria História, perdendo seu aspecto normativo universal. A obediência do homem a Deus perde sua importância; sugiro que o desprestígio da obediência concreta seja diretamente responsável à falta de maturidade espiritual que os cristãos do século XXI experimentam.
Grupos cristãos tradicionais se veem na encruzilhada de assimilar, ainda que timidamente, as estratégias empregadas pelas igrejas-empresas ou manter-se como um gueto, inacessíveis para os não-cristãos. É claro que há uma alternativa: para reverter o quadro, seria necessária uma mudança de enfoque, tanto para atrair as pessoas secularizadas mostrando as áreas de serviço da igreja (através de cursos, palestras, encontros especiais), ao mesmo tempo em que não se descuidasse de fornecer uma acessória para as pessoas já cristãs, enfatizando sistematicamente a doutrina bíblica, não como uma bolha boiando no vácuo, mas a doutrina contextualizada com a época em que estamos.
Como em qualquer outro período da História, há desafios e oportunidades. Da conjunção de ambos, tem-se o espectro de nossa realidade, frente à qual os cristãos fiéis à comissão bíblica (não só evangelizar, não só conservar o conteúdo doutrinário, porém, evangelizar com conteúdo – Mt 28:19 e 20) são chamados a militar como adoradores que têm o testemunho de Jesus e guardam os mandamentos de Deus (Ap 12:17), revelando ao mundo a urgência de adorar o Criador (Ap 14:7).


sexta-feira, 19 de setembro de 2008

ELOGIO A UM TRABALHADOR


– Sei que o que ele queria pelo dote era absurdo!…

– O velho Isaque sabe o tesouro que possui em casa, isto é o que é.

– Seja como for, saí de lá e viajei a noite toda por Jericó. (Uma pausa, e Benjamim prossegue no andamento igualmente moderado do vento noturno que ambos ouvem.) Não posso dizer que este tenha sido um bom mês; nossos dias são apenas o prenúncio de futuros cansaços, Oséias. Esses porcos!… Meu sangue ferve quando me lembro de que nos tiraram tudo. Por culpa deles, temos tantos impostos…

– Isto fora a humilhação!

– Fora a humilhação! Sei que você é um homem de paz, contudo este é um tempo que exige uma atitude. E eu e meus amigos queremos saber se podemos contar com você para recuperarmos o orgulho da nação judaica.

Uma jovem esguia entra, espargindo a melancolia de seus olhos castanhos. Traz leite de cabra e pão. O silêncio acompanha a refeição breve. Reinicia-se o diálogo, não de onde parara.

Embora conduza a converse com polidez, Benjamim prossegue a disfarçar sua impaciência. Seus objetivos sectários urgem. Outros assuntos são um tropeço dos quais, em vão, deseja esquivar-se.

A mobília de Oséias é sóbria, nada que custe além do que se esperaria de um homem como ele. No entanto…

– Espere, meu amigo; deixe-me perguntar-lhe algo: e esta mesa, desde quando você a tem?

Eu me recordo, que calor fazia, e que cidade estranha, cheia de malícia por entre a aparência de sombras. Eu procurava um parente, um tio de minha mulher, de quem se dizia estar doente. Pobre homem, na época tossia como um cão. Não demorou muito para… Mas como eu não soubesse identificar sua casa, caminhava a esmo pela pequena vila. A quem perguntaria? Parecia que todos me olhavam desconfiados. De hora em hora aquela indefinição – voltar ou não?, acho que neste ponto, encostado numa árvore, foi que avistei o seu pai, ou vi primeiro o filho? Passou-se tanto tempo…

Só sei que quem me atendeu foi mesmo o rapaz, a barba ainda se insinuando no rosto de rapagote, músculo talvez mais desenvoltos que os de sua idade. Sua expressão grave, igualmente precoce, como ela me marcou! Estava suado, de certo trabalhava em algum serviço exaustivo, e, no entanto, atendeu-me de forma interessada e pronta. Senti-me encontrar-me ali com um velho amigo, alguém que me fosse familiar.

– E então?…

– Você, ah!, sim, sim, a sua pergunta – como pude divagar? Bem, estive por um momento absorto em minhas lembranças, sabe, a mesa tem algumas coisas ligadas a ela, quer dizer, são recordações… (E com voz baixa e mentalmente distante) apenas recordações…

– Por Israel, Oséias, não imaginei que você tão sentimental. E quanto aquele outro negócio…

– Benjamim, você é mais do que o irmão de minha esposa, é meu irmão também. Não tenho como agradecer ao que você e sua família fizeram no passado por mim; porém, quanto a me unir aos sicários, não estou certo ainda de que seja a melhor solução, quer dizer, você entende a minha posição…

De súbito, Benjamim ergue-se, como se trespassado por um impulso elétrico.

– Tudo bem, Oséias, eu preciso de ir. Acho que terei de viajar muitos quilômetros até me encontrar com meus irmãos de causa. Uma pena que você não tenha escolhido ir comigo esta noite.

Oséias se foi, sinto quase um alívio, que absurdo! Devo tanto a ele, e tem sido tão difícil dialogarmos desde que ele se uniu a este grupo… Pessoas como ele, como podem haver judeus que usam da violência? Lembro-me de quando eu e meu pai íamos à sinagoga. Que saudades daquilo tudo; nossos sonhos de liberdade, nossa fé ardente no Messias, aquela ânsia de que, sob a égide do Escolhido, Israel sacudisse o jugo; ah!, meu pai velho pai morreu na esperança e como sinto a falta de seus conselhos, sua presença…

O olhar de Oséias se lança ao encontro do véu noturno, quando sua esposa entra e recolhe o que sobrou da refeição partilhada com o cunhado. Depois, outro silêncio queixumoso e amargo.

Que será de nós? Oh, bom Senhor, até quando deixarás Teu povo a mercê do opróbrio? Qual será o futuro de Israel? Quase chego a duvidar de que venha o Messias! E nossos jovens, degradando-se em guerrilhas inócuas contra o exército que venceu o mundo? Como derrotarão as legiões de César? Sei que ainda existem moços sadios, como aquele carpinteiro que encontrei, íntegro e apegado ao seu dever, na pequena vila de Nazaré. O luzir daqueles olhos não possuía nada de fátuo. Era sincero, ardoroso, responsável e… diferente, muito diferente de qualquer outro jovem. Não sei bem como explicar o seu tato com um estranho como eu. Ainda conservo esta mesa, em que formão e polidor foram empregados com tanta dedicação. Se todos os jovens fossem leais assim!Ah!, agora eu me lembro do nome dele: era Jesus!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

ZEDEQUIAS: O "Ó DO BOGODÓ"


Antes de mais nada, quero explicar o significado da expressão do título: cresci ouvindo meus pais falarem deste tal de "ó do borogodó". Confesso que até hoje desconhece o sentido de "borogodó", mas isto não me impede de entender o sentido geral da frase, semelhante ao de outras expressões bem populares e conhecidas: "é o fim da feira", "é o fim da picada", "é o cúmulo".

Agora, porque Zedequias é o "ó do Borogodó?".

Zedequias reinou onze anos em Judá (597 -586 a.C). Sua ascensão se deve a Nabucodonosor, rei da Babilônia, que o estabeleceu como rei vassalo, depois que deu um aviso-prévio ao reino capenga de Judá. Bastaria a Zedequias submeter-se ao invasor e tudo ocorreria bem.

Ocorreria.

Zedequias desperdiçou a oportunidade para salvar seu povo. Contrário às instruções do profeta Jeremias, que o advertiu em nome do Senhor, o último rei de Judá revoltou-se contra o jugo estrangeiro no 9º ano de seu reinado. Não era apenas uma decisão política. Zedequias estava indo contra ordens diretas do próprio Deus.

O que levou o monarca israelita a agir contra as instruções divinas? Sugiro ao menos 4 razões, do ponto de vista espiritual, que explicam a derrocada de Zedequias. Os 4 princípios são descritos abaixo, em forma de lembrete, para não cometermos os mesmos erros que Zedequais.

I - Não deixe de ouvir a Deus por conveniência (Jr. 38:4 e 5): Apesar de reconhecer em Jeremias um profeta verdadeiro, Zedequias cedia a constantes pressões de seus acessores do governo para maltratar, perseguir ou rechaçar Jeremias. Tamanha fraqueza moral só pode ser equirada a de Pilatos, que deixou de libertar Jesus por mera politicagem. Quando Jeremias minguava em um poço elameado, um estrangeiro que, aparentemente, servia no palácio, foi o único a manifestar simpatia e coragem suficiente para salvar o profeta (Jr. 38:7-13).

II - Não deixe de ouvir a Deus por medo (Jr. 38:19): Em um furtivo encontro com o profeta resgatado do "fundo do poço" (literalmente), o rei de Judá ouviu o inflamado apelo de um profeta que zelava por sua vida. No entanto, Zedequias confessou seu medo de voltar atrás e continuar submisso a Nabucodonosor. Mesmo recebendo as garantias da parte de Senhor, o rei não ouviu o profeta Jeremias.

III - Não deixe de ouvir a Deus por não querer humilhar-se (II Cr. 36:12): O cronista bíblico destaca que uma das razões da queda do rei Zedequias (e, conseqüentemente, de seu reino) foi sua disposição arrogante diante do mensageiro enviado por Jeová. Um dos mais idólatras e perversos reis que a nação tivera, Manassés, humilhou-se diante de Deus em seu cativeiro e teve sua oração atendida (II Cr. 33:12 e 13). Ao contrário do ex-governante, Zedequias preferia "não dar o braço a torcer".

IV - Não deixe de ouvir a Deus por colocar sua vontade acima da vontade do Senhor (II Cr. 36:13): Finalmente, Zedequias não ouviu a Deus por não querer! Sua obstinação (v.13) está relacionada ao clima de rebelião que o povo em geral experimentava, enquanto assimilavam os costumes das nações pagãs ao seu redor (v. 14).

Zedequias foi capturado por Nabucodonosor enquanto tentava fugir da cidade sitiada pelos babilônicos. Duas terríveis profecias se cumpriram em sua vida: Ele viu Nabucodonosor face a face, e, a seguir, seus filhos foram mortos em sua frente (Jr. 33:4). Tendo os olhos vazados, Zedequias chegou à Babilônia como exilado, sem poder ver a terra (Ez. 12:13). A verdade é que a desobediência de Zedequias, o último rei de Judá, já o havia cegado muito antes.

LULA, BRAD PITT E HOMOSSEXUALIDADE

O ator Brad Pitt doou R$ 100 mil para combater uma iniciativa que será colocada em votação em novembro na Califórnia e que busca eliminar a decisão da Corte Suprema de Justiça que autorizou os matrimônios entre homossexuais.

O referendo, chamado de Proposta 8, irá perguntar aos votantes se querem proibir os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. A decisão, aprovada em junho pela Corte Suprema da Califórnia, é legal nos estados de Massachusetts e Califórnia.

"Como nada tem o direito de negar ao outro sua vida, mesmo que não concorde com ele, todos têm o direito de viver sua vida como desejam, sem prejudicar o outro, porque a discriminação não deve ter lugar nos Estados Unidos. Meu voto estará a favor da igualdade e contra a Proposta 8", afirmou Pitt na quarta-feira, 17.

fonte: Estadão

Ser heterosexual está ficando cada vez mais arriscado! Brincadeiras à parte, temos de notar o tremendo esforço que se tem feito para contradizer as normas morais bíblicas em nome de umj suposto direito à liberdade (que, ironicamente, é um reflexo do livre-arbítrio surgido com a concepção cristã de mundo, a mesma que condena a homossexualidade!). No Brasil, o presidente Lula pela primeira vez defendeu claramente o direiro de homossexuais à união civil. Com uma corrente contrária tão forte, composta por tantas personalidades e autoridades, apresentar a moralidade bíblica tem significado assumir um risco imenso.

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FHC FALA SOBRE A CRISE


Entrevistado pelo apresentador Jô Soares no programa de ontem (17/08), o sociólogo e ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso (FHC) comentou sobre a crise americana. FHC disse que a crise não é decorrente das eleições americanas, mas já estaria “armada”. Segundo o sociólogo, os americanos gastam anualmente seis vezes mais do que produzem, o que indica que sua economia não está nada saudável. A situação das tropas americanas no Iraque também estaria contribuindo para os gastos excessivos do governo Bush.

Em geral, os republicanos (o partido de Bush) são não-intervencionistas em relação à economia. Mas, segundo explica FHC, o governo Bush teve praticamente de “estatizar” a economia, injetando bilhões de dólares em instituições financeiras que estão “quebradas”. Para o ex-presidente, há semelhanças entre a crise atual e a histórica crise de 1929, quando ocorreu a caótica quebra da bolsa de Nova York; a diferença estaria na reação – em 1929, o FED (banco central americano) se negou a emprestar dinheiro, o que levou a uma crise generalizada, enquanto que agora são feitos empréstimos para socorrer instituições e resgatar a confiança necessária para frear a queda das bolsas de valores (que estão à beira do desespero).

Quando começou a falar da crise americana, FHC refletiu sobre a agradabilidade do ambiente do programa, sobre a beleza dos jovens e a sensação de aconchego proporcionada por todos estes elementos; ao mesmo tempo, “lá fora a tempestade” estaria ficando mais intensa, ameaçando toda esta segurança sentida. A declaração do ex-chefe de estado brasileiro deu a entender que a situação é crítica e tende a se agravar.

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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

PROCURA-SE UM HERÓI QUE NÃO SEJA PROCURADO


Recebemos um brinde da locadora. E, na falta de um filme que procurávamos, eu e minha esposa levamos Herói (EUA, Direção: Brian Smrz). Afinal, era grátis mesmo.

Apesar de nenhuma novidade evidente, o filme ajuda a verificar alguns valores de nosso tempo, a começar pelo título. Herói, o título em Português diz pouco. O original, Hero Wanted (Herói Procurado), mostra em toda a sua ambigüidade o heroísmo moderno: anti-institucional, fora-da-lei, propenso a agir por um senso de justiça peculiar.

O lixeiro Liam Case (Cuba Gooding Jr.) se torna alguém assim. Case fracassou ao tentar salvar a esposa grávida de um acidente automobilístico. Tempos depois, ele se arriscou a salvar uma garota de um incêndio. Agora, quando o eco dos aplausos do passado já morreu no ar, continua a ser o mesmo lixeiro, e pior: sem perspectiva. Mas ao depositar flores no túmulo da mulher, ele se depara com uma caixa bancária que se torna, a partir de então a gota de esperança em seu oceano de niilismo.

Sem saber como se aproximar da moça, Case apela a um amigo para encenar uma tentativa de assalto, apenas para impressionar a bancária em questão. Quando o assalto simulado se torna um assalto genuíno, que põe sua bem-amada em estado de coma, Liam Case se torna um Dom Quixote às avessas, que vingará implacavelmente o que fizeram com sua Dulcinéia.

A angústia pós-moderna, com sua falta de perspectiva no futuro, está lá no filme, bem verdade que talvez de forma não-intencional. A necessidade de um motivo, um propósito, aparece; para Liam Case, esta necessidade é personificada pela bancária desconhecida, inacessível.

Outra necessidade da sociedade do século XXI, a saber, o consumismo, é retratado da ótica dos excluídos: como no mundo real, adquirir bens é um imperativo, ainda que alguns não tenham como competir dentro deste sistema; a estes, o próprio sistema obriga a continuar consumindo de outra forma, a ilícita, que compreende a criminalidade em suas diversas atividades. Em Herói, desiludidos e desesperados se unem para tornar o assalto simulado em uma oportunidade para realizar seus sonhos – ou porque não têm sonhos, e nada a perder mesmo.

Mas os criminosos serão punidos. A lei personal existe. O herói faz sua moralidade, caçando seus inimigos, desafiando a ordem instituída. O excesso de violência no filme seria legitimado pela necessidade de cumprir individualmente esta justiça individual.

E a que isso leva? A alcançar um propósito final e norteador, o sonho de um consumo de nossa época, na qual tudo é mutável e, por conta desta mutabilidade, assustadoramente inseguro (a economia americana pós-Bush que o diga). “Vale a pena viver por aquilo que você acredita” é a bombástica frase proferida diante de um mundo em que o cotidiano nos obriga a mudar constantemente o que acreditamos, o que consiste em um processo exaustivo de construção de valores pessoais, sob a regência das circunstâncias instáveis.

Outro conceito que aparece anteriormente em Herói indica de forma camuflada a individualidade do homem pós-moderno. “Redenção é uma coisa engraçada: é preciso ir ao inferno para alcançá-la.” A idéia de redenção é temática recorrente em Holliwood; aliás, a cultura americana, com seu estilo de vida americano é baseada no conceito de redenção. Não se trata da redenção bíblica, mas no sentido de vencer, dar a volta por cima, superar-se. Esta acepção, distante da concepção cristã clássica de redenção, explica a figura do anti-herói americano, que se “emenda” ao longo da trama, passando de um homem abaixo da linha da mediocridade para o patamar de um vencedor.

Herói nos faz pensar em como os valores sociais, que se refletem na produção cultural, estão assumindo progressivamente características bem distintas do que antes era considerado ético e moral. Parecem faltar verdadeiros heróis hoje mais do que faltaram em outros tempos.
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terça-feira, 16 de setembro de 2008

PHELPS, O ROMÂNTICO


David Phelps é um fenômeno. Ele era um ilustre ninguém até figurar como um dos componentes do Gaither Vocal Band, o badalado quarteto pop-country que influencia quarteteiros abaixo da linha do Equador (gente do quilate do Arautos do Rei e Cânticos Vocal). Em pouco tempo, Phelps, o figurante, tornou-se Phelps, a estrela de primeira grandeza.

Quando o palco começou a ficar pequeno para ser dividido com outros três cantores, David Phelps deixou seus companheiros do Gaither e partiu para a carreira solo. Lançou o surpreendente Legacy of Love, com um repertório bem mais pop (em algumas faixas, praticamente tecno-pop). O DVD é aberto com a eletrizante Vituoso, onde não se sabe se o destaque cabe ao Deus Virtuoso (de quem trata a letra) ou ao virtuosismo técnico do próprio Phelps.

Como em se tratando de David Phelps surpreender é rotina, o novo lançamento do astro gospel é o CD The Voice, composto de canções românticas de todas as épocas, de Nessun Dorma a Unchained Melody (a melosa canção-tema do filme Ghost, já gravada pelo grupo The Platters e por Elvis Presley). Como pode alguém usar uma incomum habilidade técnica para o que for conveniente, seja o ato de louvar a Deus ou ganhar alguns milhares de dólares cantando para corações partidos?

Em tempo: David Phelps, após uma turnê brasileira patrocinada por um empresário adventista, será a atração no aniversário do IPAE, no ano que vem. Vai saber em que David Phelps estará até lá usando a sua voz…

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O EQUILIBRISMO DE QUEM VIVE

(PASSOS NO ARAME)
a Michelson Borges & Joêzer mendonça

Olhar para baixo é que não! Passos pacientes,
De Geometria seca, espaço expresso em lesto
Andar, fração de força a caber em um gesto,
Na hora em que os braços, com volteios recorrentes,

Dão a entender que ante a volúpia das correntes
Buscam no Vento Certo um apoio. De resto,
Abaixo a expectativa é algo manifesto
Na atenção dedicada aos pés por sobre as gentes.

Enquanto o olhar mensura a chegada, corrija
Um pé ao outro. Embora árduo o que de mim se exija,
Viva ao nível do que hoje o espetáculo abrange.

Para se manter no alto, o movimento breve
Que estende a vocação – deste o público deve
Gravar a solidez sobre o fio que range.

DO JEITO QUE O DIABO GOSTA

Os absolutos bíblicos são mais do que nunca desacreditados. Se muitas pessoas negam a existência de um Deus, maior é o números daqueles que negam a existência do diabo. Em sua edição dessa semana, a revista Veja comenta o lançamento de dois livros que desacreditam a imagem tradicional de um diabo expulso do Céu por iniciar uma rebelião.[1]

Para Henry Ansgar Kelly, autor de “Satã – uma biografia” os trechos bíblicos que aludem a Satanás seriam equivocadamente interpretados pela tradição cristã. Para Kelly, o diabo não estava no Éden; o que existia ali era uma serpente “muito, muito esperta”.[2]

Na verdade, a palavra Nahash (cobra, serpente), que aparece cinco vezes em Gênesis 3 (vs. 1, 2, 4, 13, 14), só poderia referir-se estritamente a um animal caso partíssemos de uma “teologia naturalista”, e assim, seria forçoso admitir que há em Gênesis uma fábula, não a Verdade que a Bíblia diz ser (Jo 17:17). No entanto, o que está implícito em Gênesis, é esclarecido no Novo Testamento: Satanás é o responsável pelo engano, e a serpente seu mero agente (2 Co. 11:3; Ap. 12:3).[3]

Kelly também discorda do entendimento de que Satanás seja o sujeito da profecia de Isaías 14. Basta lembrar-nos de que o nome Lúcifer significa “portador de Luz”, e o profeta se refere à queda da estrela da manhã.

É claro que temos aí uma profecia de dupla aplicação: o texto é um prenúncio da derrocada da Babilônia, em primeira instância; mas a Babilônia serve para simbolizar o seu instigador, Satanás, assim como o rei de Tiro, em Ezequiel 28, passa a representar igualmente Satanás. Os elementos de ambos os capítulos extravasam a descrição de meros reis mundanos – ou como explicar como o rei do Tiro estava no Éden e era um “querubim da guarda ungido”(Ez. 28:13,14) ou que o rei da Babilônia pudesse assentar-se no trono de Deus (Is. 14:13)?

Outro engano de Kelly é afirmar que o poder do diabo seria “instigado por Deus”. Ele parece desconhecer a mentalidade hebraica que atribui a Deus o que Ele permite, como se Ele fosse o responsável. Para ele, um Satanás caído do Céu devido ao orgulho e rebelião, teria sido uma invenção do teólogo Orígenes. Nada mais longe dos fatos.

Quem quer que analise o que os escritores bíblicos dizem sobre Satanás, reconhecerá que ele era um anjo caído, que se afastou de sua posição por orgulho, instigou outros anjos a fazê-lo e hoje vive com o propósito de desvincular os homens de seu criador, mesmo sabendo que para si mesmo o fim está próximo (cf.: Zc. 3:1 e 2; Lc. 10:18; Jo. 16:11; II Co. 11:14; Ef. 6:11 e 12; I Pe. 5:8 e 9; Jd. 6, Ap. 12; 20).

Além do livro de Kelly, as páginas de Veja dão destaque a outro lançamento – “Anjos caídos”, do afamado crítico literário Harold Bloom. Autor do polêmico cânone ocidental, Bloom é um obcecado pela superioridade de Shakespeare entre os autores ocidentais, que conquistam seu lugar ao sol se impondo através de sua “individualidade realizada”, na forma de seu produto final, o “valor estético”. Para entrar no Cânone, um autor tem de se impor pelo “domínio da linguagem figurada, originalidade, poder cognitivo, conhecimento, dicção exuberante.” Não há uma ideologia por trás destes escritores, para concepção de Bloom, nem é possível “formar nossos valores morais, sociais, políticos ou pessoais” a partir da Literatura, muito menos “salvar algum indivíduo” ou “melhorar qualquer sociedade”; isto porque o valor estético não pode ser transmitido aos ineptos, tão somente aos iniciados e com propensão à arte.[4]

Ocorre que, para Bloom, a Bíblia é uma literatura como qualquer outra. Javé seria apenas uma personagem egoísta, Mateus teria inventado Jesus e coisas do gênero. Na sua visão crítica, Bloom segue sua interpretação peculiar dos textos bíblicos, sem levar em conta os estudos críticos mais recentes sobre a matéria bíblica, além de ignorar o que a Blíblia afirma ser seu propósito maior salvar, e não fazer parte de uma lista de grandes obras literárias (Rm. 15:4; II Tm. 3:16 e 17; I Pe. 1:10-12; II Pe. 1:19).

O que de mais positivo aparece na matéria de Veja é uma citação do simbolista francês Charles Baudelaire, para quem “o maior truque do diabo” seria “nos convencer de que ele não existe”. Enquanto as idéias sobre a figura de Satanás são revistas e os conceitos bíblicos descartados, podemos estar certos de que há alguém diabolicamente feliz por toda esta confusão a camuflar sua intensa atividade…

[1] Jerônimo Teixeira, “Quem diabos é o diabo?”, publicado em Veja, ed. 2078, ano 41, nº 37, 17 de Setembro de 2008, pp. 140 e 141.
[2] Idem, p. 141. Daqui por diante, as demais citações se reportam a mesma página.
[3] R. Laird Harris, Gleason L. Archer, Jr e Bruce K. Waltike, “Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento” (São Paulo, SP: Vida Nova, 2005), 4ª reimpressão, p. 952.
[4] Harold Bloom, “O cânone ocidental” (Rio de Janeiro, RJ: Editora Objetiva, 1994), pp. 31, 36, 38 e 25.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

PRATOS


Dois pratos. Em um, as glórias de um cenário sem estertores. O salmodiar de seres imáculos,
Cordial júbilo, cordial
Amor sem suspeita, e tudo
Erupcionando em agudo
Palco, na ausência do mal.
Entre as pessoas. O passo deficiente de um homem que perdera a perna lutando contra invasores. O buço canceroso de uma mulher logo adiante. Olhos esmaltados de horrores de um órfão.
Um anseio, de oferecer, num incenso de toque, a aceitação. Seu coração revive a escolha que os séculos caducos testemunharam.
Dois pratos.
Anda mais um pouco pelo pátio de um templo, onde o culto aos filactérios e às longas orações soterra a esperança. Atrás de um pilar, um menino cego quer ver o pássaro que canta.
As glórias de um mundo sem estertores.
À noite, ajoelha-Se contrito. A aflição íntima intimida o Céu, pela exatidão de sua pureza.
Quanto mais Seus filhos terão de ser enganados pelos agentes rebeldes? Ao cobrir as eras em Sua meditação, pensa naqueles que ainda sofrerão por Seu nome:
Por acharem a vida de menor importância
Do que a fé que possuem, a fé que não abjuram;
Que resistem ao potro, que enfrentam mesmo a forca,
Mulheres e homens, todos dispostos a sofrerem
As labaredas sobre seus corpo em agonia…
A prece os inclui, e aos que fraquejam em seu ritmo de submissão, e aos que são vítimas do orgulho imanente.
O outro prato. E algo mais poderoso que as riquezas acumuladas pelos soberanos. Com um peso que excede as glórias de um mundo sem estertores. Um peso comovente.
Aqui está Ele. Orando ao Pai, pedindo as forças de um pássaro alvejado pelo caçador e que se mantém em vôo. Solicitando o martelo que, com golpes de fogo e pedra, rompa os grilhões de seus irmãos caídos.
Amanhece. Jerusalém se banha melancólica ao sol de outro dia. E outro sol, o da Justiça, ergue a mão de homens opressos pelo fardo da malignidade ancestral, e as crianças sorriem como pétalas.
E isso porque a primeira lágrima de Adão pesou mais na balança.


quarta-feira, 10 de setembro de 2008

MENOS ESTUDO, MAIS CÂNCER


Uma nova pesquisa, realizada pelo Instituto Nacional de Saúde e Pesquisas Médicas (Inserm), da França, mostra uma interessante relação da incidência de câncer com nível social e intelectual das vítimas. A seguir, os melhores trechos de uma repostagem recente sobre o assunto:

"A pesquisa é resultado da análise cruzada de dados relativos às mortes por câncer e à condição social dos falecidos de 1968 a 1996, fornecidos pelo principal instituto de estatística francês, o nsee. A coordenadora do estudo, Gwenn Menvielle, pôs a mão sobre as informações de nada menos do que 1% da população francesa, o que torna o seu estudo inédito pela abrangência.""[...] Entre 1968 e 1974, o risco era 1,52 maior, em relação aos diplomados. Mas na década de 90, essa diferença passou para em média 2,29, dependendo do tipo de tumor. "

"Os trabalhadores sem diploma teriam mais do que o dobro de chances de morrer de câncer por duas razões fundamentais, aponta Menvielle. Em primeiro lugar, porque os homens de classes inferiores consomem mais álcool e tabaco do que os mais ricos. A segunda razão diz respeito às condições de trabalho de uma classe e de outra. '"Enquanto o empresário trabalha em uma sala confortável, o operário freqüentemente passa o dia em ambientes onde está exposto a materiais cancerígenos. Em um canteiro de obras ou em uma mina, por exemplo, ele aspira o tempo todo substâncias provocadoras de câncer', explica Menvielle."

"O câncer que mais demonstra a diferença de classes é o das vias aéreas, especialmente boca, faringe, laringe e esôfago, em que os não-diplomados têm 5,21 vezes a mais de chances de morte do que um homem diplomado. O dado comprova ao menos uma das hipóteses da estudiosa para explicar a desigualdade social da ocorrência da doença, uma vez que esse tipo de câncer é provocado pelo consumo abusivo de álcool e cigarro. "

"A pesquisadora explica que o fator qualidade dos produtos tem pouca influência sobre a ocorrência de câncer − pelo menos na França, ressalva. 'Em países como a Rússia, onde se bebe destilados fortes, a qualidade das bebidas tem comprovadamente uma relação com a incidência de câncer. Mas na França, onde a bebida mais consumida é o vinho, a qualidade é um problema secundário. O fator determinante é a quantidade.'" [ênfase suprida].

"Um terceiro ponto que deve ser considerado é o acesso à informação sobre a doença. Os homens com mais estudos procurariam auxílio médico desde os primeiros sintomas, enquanto que os menos letrados demorariam mais tempo para se tratar."

"O atraso no início do tratamento intensifica o câncer e dificulta a cura, o que também explica o número mais elevado de mortes entre os mais pobres. Além disso, os ricos têm acesso a tratamentos mais qualificados e, portanto, morrem menos em decorrência da doença, afirma Menvielle."

Fonte: portal Terra Colaboração: Adilson Câmara

Entre muitos pontos importantes da pesquisa, quero salientar a conexão entre o câncer e o consumo de álcool. Como bem frisaram os pesquisadores, mesmo uma bebida alcoólica, tida como de boa qualidade, pode levar ao aparecimento da doença.

ITAJAÍ IMPACTADA


Nem mesmo uma manhã surpreendente chuvosa foi capaz de interromper a bravura e disposição do povo adventista de Itajaí, cidade do litoral de Santa Catarina. Saindo do Clube Atiradores, ao lado do Campus Central da Univale, o pelotão de adventistas invadiu as ruas do centro da cidade. Munidos da revista “Viva com esperança”, a marcha ia chamando a atenção de transeuntes e curiosos, à medida que os hinos do carro de som se faziam ouvir e as espectadores percebiam o tamanho o movimento.



Jovens, mulheres, crianças, líderes de igreja, clube de desbravadores e aventureiros, irmãos mais experientes, enfim, a igreja tornou inesquecível o dia 6 de Setembro. Cada membro vestia uma camiseta especialmente confeccionada para o evento.


À tarde, uma carreata contemplou os principais bairros de Itajaí. Enquanto os carros iam passando, estampavam o adesivo do vidro traseiro, contendo a mensagem da Segunda Vinda de Cristo, em um período no qual adesivos com propaganda política são mais comuns. Em alguns pontos do trajeto, membros da igreja ou desbravadores distribuíam as revistas da campanha para as pessoas que saíam de suas casas para ver a carreata. Ao todo, foram mais de 3 horas de carreata.


Cada vez mais, podemos estar certos, eventos como o Impacto Esperança servirão para despertar as pessoas para o maior de todos os acontecimentos: a volta de Jesus a esta Terra!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O JOGO EVOLUCIONISTA QUE AJUDA A ENTENDER O DI

Will Wright, criador de jogos badalados como SimCity e The Sims, lançou seu mais novo projeto: Spore. Em Spore, o jogador começa como uma bactéria e vai evoluindo, evoluindo até construir sua própria nave espacial e conquistar outros mundos. O jogador pode, inclusive, montar seus próprios bichos e testar sua sobrevivência (caso opte pelo nível fácil).[1]

Um processo evolutivo dirigido por uma inteligência externa, como o que vemos em ação no Spore, não soa como o mecanismo da Seleção Natural do modelo darwiniano, definido como algo aleatório. Na verdade, uma inteligência superior por trás do desenvolvimento da vida se assemelha à proposta do DI (Desing Inteligente).

Em tempo: na edição de 1988 do livro “O relojoeiro Cego”, do biólogo evolucionista Richard Dawkings, havia um brinde: um disquete Apple Macintosh contendo um programa que simulava a evolução. O usuário selecionava espécies e as submetia a uma Seleção Natural a seu gosto. Se a idéia do disquete era ilustrar as premissas do evolucionismo, o tiro saiu pela culatra: como no jogo Spore, as mutações ocorrem porque são programadas por uma inteligência externa, que lhes faz funcionar (“[…]mesmo um simples programa como esse requer todo o trabalho e inteligência para a criação de um computador como o Apple Macintosh, bem como para elaborar o programa […]”)[2].

Pouquíssima semelhança guardam, portanto, tanto o Spore, quanto o disquete de Dawkins, com a concepção de um processo impessoal, aleatório e casual como seria a evolução darwiniana.

[1] Extraído de Pedro Burgos, “Agora você é Deus”, publicado em revista Superinteressante, ed. 256, Setembro de 2008, p. 98.
[2] Timothy G. Standish, “Vinte anos após o Relojoeiro Cego”, disponível em http://dialogue.adventist.org/articles/19_1_standish_p.htm.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

CONVOCAÇÃO DE OCEANOS


Que sabia ela da vida,
Dos assimétricos lances
Que regem as circunstâncias,
As mesmas que a vitimaram?
Sabia, no mais, falar
E, evidente, que correr;
Constatou o amor nos pais
(Amor natural, de estirpe
Tal que acompanhava a de astros);
Tinha a experiência do Gozo,
Quanto apertava a boneca
Junto ao corpo diminuto
(Comunhão com fantasias);
Em plena tangência com
A pessoa mais sagrada,
Deposito a sombra, a dor…
Coloco o caudal de lágrimas
No copo que meu Senhor
Conserva em Suas mãos firmes.
Atenua-se a revolta
Quando o hálito que há milênios
Partiu de um homem na cruz
Chega ao meu campo auditivo,
Sofrido em suas minúcias,
Como o meu próprio resfôlego
– O que sabia ela, meu Deus?,
E estremeço, porque a pergunta
Volta-se a mim: o que eu sei?
Meu alqueive de certezas,
Vejo a angústia estorricá-lo!
Estou rica em pesadelos…
Num abraço conivente,
Meu esposo e eu entre os vergéis,
Ermos, onde a morte vígil
Grácil vagido emudece.
Desolada, ainda sobra
A última folha da copa
A hastear a esperança sóbria
Tendo em foco a manhã próxima,
Quando o alarido do Arcanjo
Insuflar vida aos sepulcros;
A mão do homem ao meu lado,
Tomando a minha com força,
Fremirá igual ao mar,
Um mar cuja maré ouve
A voz da lua e sobe a ela.
No seio lúcido do anjo,
Pousa a fronte da menina
Que Deus nos devolve viva!
Feliz manhã! Corre a morte
Para junto dos descrentes,
E a vida estará conosco,
Estará sempre conosco,
Que adoramos o Cordeiro.
Em Seu Reino de surpresas,
Nascerão oceanos, muitos;
Até que Ele seque as lágrimas
Em definitivo, o encontro
Na hora da ressurreição
Fará do primeiro gesto
De nosso louvor ser uma
Convocação de oceanos!…

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A VOLTA


As mulheres estarão estendendo as roupas no varal. Os homens acelerando os motores de seus carros. O trânsito nas grandes cidades amanhecerá caótico. Alguém no ônibus olhará para o relógio, enquanto duas estudantes revisam a matéria para a prova.

Mas então surge a pequena nuvem. De alguma maneira, a núvem rouba as atenções. Todos se esquecem de seu caminho para observar a rota da núvem, que cresce e passa a brilhar.

É solene o acorde de trombetas. É magnífico o brilho dos cavaleiros celestiais, anjos invadindo o céu de trivialidades atmosféricas.

Bem no centro, assentado em algo semelhante a um trono, o Verbo-Deus segura o Seu cetro. Todo o mais pára. O mundo não se importa com rotinas, compromissos, programações, nada. Porque tudo perde o frescor de seu sentido. O que existe é Jesus vindo. Jesus! O Príncipe do Universo e da História. O Salvador e Juiz. O Homem e Deus.

De hoje em diante, o que era comum não existe. Tudo acaba para ser refeito. E somente alguns estarão entre aqueles que desfrutarão do Novo Governo: homens e mulheres que aguardaram a núvem trazer o Salvador de suas vidas.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

PROSELITISMO OU REFORÇO À ÉTICA: O DEBATE EM TORNO DO ENSINO RELIGIO


Nos estados Unidos há anos se arrasta o debate em torno do Ensino Religioso nas escolas públicas e sobre a prática da Oração Comum. No Brasil, uma reportagem publicada pela revista Época desta semana mostra que a polêmica americana[1] já começa a se insinuar em território tupiniquim.

Alguns benefícios da implementação de preceitos religiosos nas escolas são citados na matéria: a prática da oração antes da aula (que em determinada escola recebeu o nome de “acolhimento”) traria equilíbrio além de aquietar o ambiente, de acordo com a diretora Patrícia Bonília, da escola Walter Carretero, Sorocaba (no interior de São Paulo). Para a advogada Maria Lúcia Amary autora do programa que orienta como trabalhar valores cristãos nas escolas, é perceptível uma mudança de comportamento nas crianças que freqüentam as aulas de Ensino Religioso, que, para ela, pode ser constatada “[…]no modo como [os alunos] tratam os professores, a família e os amigos.”
[2] Claro que existe quem argumente em outro sentido.
Para o sociólogo Luiz Antônio Cunha, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e criador do Observatório da Laicidade do Estado, o Ensino Religioso é dispensável, uma vez que, segundo sua visão, não há modelo aceitável – todas as diversas abordagens da matéria escolar seriam doutrinárias, ou seja, influenciadas pela religiosidade do próprio professor. Para Roseli Fischmann, da USP, a Religião em sala é nosciva porque atrasa o pensamento crítico e favorece o argumento do “Deus das lacunas”
[3].
A respeito do primeiro argumento, é claro que é impossível, de forma concreta, ensinar Religião de forma absolutamente neutra. No que se refere à Religião como responsável pelo atraso da mentalidade crítica, esta crítica é infundada. No período em que o ensino positivo da Bíblia foi mais bem disseminado, na época subseqüente à Reforma Protestante, ocorreu um avanço da cultura geral e não um atraso. Certo estudioso do período afirmou:

“A noção comum entre poetas, literatos, cientistas e filósofos do século XVII sobre cultura é a de que ela compreende atividades que objetivam a anulação das conseqüências do pecado, ou seja, concebe-se nesta época um aspecto redentivo à cultura.
“[…] Nos próprios anos da Revolução Científica, esse esquema teológico constitui não o simples resíduo de um distante medievo, mas uma força real e operante, que age sobre a vida e as atitudes, fornece à cultura uma série de orientações, um conjunto de pontos de referência, uma direção real, uma terminologia.”
[4]
Sob a égide da Reforma Protestante houve um progresso em diversos campos do conhecimento. Lutero, entre outros reformadores, possuía a visão de que tudo deveria estar sujeito à Revelação das Escrituras. Aliás, a reportagem equivocadamente atribui a fundação da igreja protestante a Martinho Lutero, e em uma data tão recuada quanto 1517[5], quanto tudo o que o monge alemão mais queria é cumprir seu dever como bom católico que ainda era!

A história de Lutero é citada por Época para reforçar a tese do Estado Laico. Não estou bem certo de que Lutero concordaria com o moderno conceito de Estado Laico, que no século XXI está mais para “Estado Ateu”. O que o trabalho dos reformadores proporcionou foi uma abertura para a Liberdade Religiosa como um princípio do Estado. Neste contexto de Liberdade Religiosa, a própria reportagem questiona a certa altura como a educação religiosa deveria lidar com os não-religiosos: “Como trazer Deus para a sala de aula de forma respeitosa a todas as linhas religiosas – incluindo os ateus e agnósticos?”
[6]
Por trás desta pergunta, existem os maiores conflitos ideológicos envolvendo as aulas de Ensino Religioso nas escolas públicas nacionais. Conforme o pesquisador em direito Salomão Ximenes, o Ensino Religioso no Brasil estaria funcionando em um dos 3 possíveis modelos a seguir:

Modelo interconfessional : norteada por uma determinada visão religiosa, o que, na prática, tende ao catolicismo, principal fatia do Cristianismo no Brasil. Não é incomum que haja o proselitismo (tentativa do adepto de uma dada religião de converter outrem) na sala de aula.

Divisão dos alunos por credos: empregando profissionais indicados por entidades religiosas (como nas escolas públicas do Rio de Janeiro, nas quais 94% dos profissionais contratados para ensinar a disciplina nas escolas eram católicos e evangélicos). Grupos religiosos de expressão menor e lares agnósticos ou não-religiosos são os maiores insatisfeitos com esta divisão, por não se sentirem devidamente representados.

Ensino da religião como fenômeno social: defendido por Anísia de Paulo Fiqueiredo, assessora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB – órgão ligado à cúpula católica) e Afonso Soares, presidente da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião do Brasil.Dentro desta abordagem, o Ensino Religioso passa a tratar do fenômeno religioso, como diversidade cultural e dentro de um desenvolvimento histórico. Procura ser uma abordagem neutra – e moralmente relativista, poderíamos acrescentar.
[7]
Pessoalmente, creio que o Ensino Religioso funcione dentro de escolas confessionais com maior propriedade do que na rede pública, haja visto que a estrutura das escolas confessionais permite ao professor trabalhar com maior liberdade o pensamento religioso de uma perspectiva que equilibre teoria e prática.

Por outro lado, uma vez que as aulas de Religião se tornem obrigatórias pelo Governo nas escolas municipais e estaduais, o movimento ecumênico, que visa a integração das denominações religiosas, irá diluir os verdadeiros princípios bíblicos, porque em nome de uma tentativa de agradar a todos e não desrespeitar nenhuma religião, a versão do Cristianismo apresentada não será baseada no ensino das Escrituras. Vamos ver até a controvérsia envolvendo o Ensino Religioso irá nos levar.

[1] Ana Aranha e Martha Mendonça, “Jesus vai à escola”, publicado na revista Época, nº 537, 1º de Setembro de 2008.
[2] Idem, p. 109 e 110.
[3] Idem, p. 114 e 112.
[4] Paolo Rossi, “A ciência e a filosofia dos modernos: aspectos da revolução científica” (São Paulo, SP: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1992), p. 61 e 62.
[5] Idem, p. 114.
[6] Idem, p.110.
[7] Idem, p.111 e 112.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

DISTINÇÃO

Templo de Hur dos Caldeus, onde Abrão vivia

Desde o início, houve esta distinção: entre os que ainda O adoravam e os que Lhe ignoravam os ditames.
Para uns, Seu perfume vinha no orvalho que o Céu despedia matutinamente.
Para os demais, o mundo tinha aspecto monturamente desprezível devido à Sua atuação despótica.
Os primeiros ofereciam ofertas pacíficas na esperança de que o Pai lhes enviasse a Oferta Definitiva.
Queriam a contemplação devolvida, o toque de um amor ausente em sua integralidade, cópias querendo um encontro com o original.
Haviam outros… viviam dissonâncias vulgares, arregimentando adornos e fruindo fortalezas. Seu tempo era desordem. Sua fuga, a vida.
O túnel se estreitando. Mais definidos ficavam ambos os seguimentos quando da passagem das épocas. Cresciam os maus costumes, alastrando-se. As tentações espreitavam pelas árvores, pelas latrinas, frestas de muros, pedrarias das construções, peles dos casacos, marfim dos brincos, couro dos coturnos, cume das lanças – a tentação!
Quem resistia a ela? Quem escapava dos golpes de ondas que seguiam vitoriosas? A semente do bem eclodia em decréscimo.
Das trevas, Deus escolheu um coração para suplantar a noite.
Ele queria um campeão, que erguesse a norma e O exaltasse por Seu caráter.
Entre os adoradores do deus-Lua, dos súditos de Shubat, Deus achou alguém, na populosa metrópole de Hur.
E Abrão Lhe fez sorrir contetemente alegrecido.