sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

UM SACERDÓCIO, UM ESCÂNDALO

As duas paredes ruíram Encontrando-se fatalmente Sim Nós não presenciamos os fatos Um mensageiro desamparado contou-nos Também estou desamparado A aflição imensurável lhe agitava De forma que mal se sentava e tornava a se erguer Empertigado e furioso Todos tentando disfarçar o mesmo desapontamento E agora A dúvida suspensa por mais de três minutos Até que Um sacrifício deve ser feito pelo futuro De que espécie de sacrifício Precisamos de um substituto Alguém que esteja no lugar dele em Guiza Você quer por a perder a pouca sanidade que nos restou E quando Kaa retornar Ele está certo Não haverá maat E sem maat As enchentes não virão O choro atingindo níveis de desespero Esqueçam de maat Que nos resta Olhem nosso país A fumaça se funde às lágrimas Não temos colheitas Pasto Sequer filhos nos foram poupados Sim Percebo sua preocupação Não seremos condenados Já o estamos Refletem Pensam em como aquele homem destruiu a harmonia em torno do Delta Se tivesse sido afogado ao invés de recolhido Parece que as alternativas desmoronam como sombras E temos de agir o quanto antes Nossos escravos nos humilharam Humilharam a nós Nossos deuses foram Silêncio O fato de que o sobrenatural visitou sua pátria assombrava suas mentes Como Ou mesmo quando Se esqueceriam As águas ainda pareciam saídas das veias de um ferido O coaxar das rãs ecoava não tão distante As cabeças raspadas aludindo aos piolhos Zumbidos próximos Estábulos vazios Marcas de pústulas Fragmentos entre os canteiros Cumulonimbus sendo confundidas com hordas de gafanhotos Temia-se pela estabilidade da luz durante o dia E pela segurança dos lares à noite Perdão Eu não pensei Na verdade Chega Não se desculpe Irmãos Temos de encontrar o corpo e mumificá-lo Você está certo Ao menos nosso futuro precisa disto Afinal Que resta a um povo além de sua História Se a verdade é vergonhosa A História pode reescrever a Glória do Egito Glória Simultaneamente Sem menção por parte de nenhum membro O pensamento unânime Hatshepsut As crônicas tiveram de cessar seis anos antes Ela virou as costas para as divindades Traiu os sacerdotes Os dias seguem-se Faixas envolvem a carne preparada O pacto foi cumprido O choro deixa de ser ouvido Um novo rei ascende As notícias são reflexo de uma oficialidade poética Ardilosamente poética Poderia ser pior E se o homem que os privou de seus escravos e glória quisesse ter reinado Hatshepsut aprovaria Sem receios Aquele a quem protegera como a um filho na corte Eles Certamente Não poderiam ter sido coniventes vendo outro semita quebrar uma dinastia E o tempo lhes mostrou que o Deus dele teria sido o empecilho que sempre imaginaram que seria O Deus que lhes mostrou a verdade O Deus cujos inevitáveis milagres lhes forçaram a falsificar a múmia de um faraó engolido pelas águas

Um comentário:

Sirleide da Rocha disse...

(Suspiro),(Pausa). Parece que os escândalos da falsificação não são prática exclusiva daqueles que desejam preservar na marca do tempo, a glória de um povo. Mas permeiam
até aos que se dizem ser sacerdotes do Deus Altíssimo,adeptos da máxima de que "o fim justifica os meios",causando espanto e deixando perplexos os que "suspiram e gemem por causa das abominações que são cometidas no meio deles." Com tristeza, Sirleide da Rocha.