segunda-feira, 31 de agosto de 2009

NONDUM NATUS ERAM


Diziam advir uma Era de Aquário
Antes de minha ida à maternidade.

Luther King se opusera ao Vietnã
Num período ainda mais remoto.

Pela Guerra do Iraque e seus revezes
Pode o júri levar-me à forca um dia;

Mas Iroshima não foi minha culpa
E Stalin conheci só pelas fotos.

Como querem que eu dê conta de crimes
Cometidos por outras mãos mais velhas?

E eu é que sei do sangue no carpete?
Senhores, por favor, deixem-me em paz!

Deixem a sala, o oxigênio é pouco,
E os saguis liguem para mim depois.

Tenho de trabalhar, comprar jornais,
Mandar meu currículo por satélite.

Os problemas dos outros são dos outros;
Não os criei, por isso os não resolvo.

Como eu estou sem tempo! Ouçam: sem tempo!
No ano que vem far-me-ei uma visita.

Se ao planeta destrói a negligência,
Ou (sem tanto exagero teatral)

Se nada melhora sem minha ajuda,
Embora eu seja um (como os outros mais,

Que compartilham dessas opiniões),
Não me linchem nas praças ou na mídia:

Eu sou apenas passageiro aqui,
O piloto do avião que se preocupe!

A MAGIA DE LER (COISAS BOAS)


É duro ouvir professores que preferem que os alunos leiam Harry Porter a que não leiam coisa alguma! É como uma mãe que preferisse que seu filho comesse fast-food a vê-lo não se alimentar. Em contrapartida, mais duro ainda é notar quer nós cristãos tendemos a apenas criticar a Literatura secular (quer infantil ou qualquer outra), sem oferecer alternativas.

Por tudo que disse antes, fiquei satisfeito durante o último Encontrão (outro nome para a Trimestral, programa de treinamento eclesiástico e que promove literatura denominacional entre os adventistas, realizado por regiões). Entre tantos bons livros, encontrei um lançamento curioso: Além da Magia: a história do garoto que queria ser bruxo (CPB). Escrito pelo meu amigo Denis Cruz, autor de contos e talentoso colaborador do Outra Leitura, o livro dá um enfoque criativo para a responsabilidade do cristão de testemunhar por seus atos. E mais: trata-se de uma obra voltada para o público juvenil, o mesmo que sofre constante bombardeio da mídia secular, a qual vem divulgando magia, ateísmo, violência e espiritismo.

Espero que outras iniciativas como o Além da Magia despontem no horizonte. Somente desta forma estaremos combatendo as ideias anti-bíblicas de forma adequada, além de proporcionar entretenimento sadio para crianças e adolescentes.

domingo, 30 de agosto de 2009

YES, TEMOS NOSSOS PRÓPRIOS MITOS!


“Sentimo-nos superiores às superstições de antigas gerações e a supostas culturas primitivas, mas somos constantemente martelados pelo mesmo tipo de crenças supersticiosas que se apresentam como as últimas descobertas da ciência.”

Erich Fromm, Conforme citado em Philip Freund, Mitos da Criação: as origens do Universo nas religiões, na mitologia, na psicologia e na ciência (São Paulo, SP: 2008), p.227.

ÉTICA CRISTÃ: ENTRE O LEGALISMO E O RELATIVISMO


Dois extremos

Uma das áreas mais difíceis para muitos cristãos no espectro da ética é viver a vida cristã sem sucumbir às armadilhas polares da ética cristã – legalismo e antinomismo[1].

O legalismo vê a Bíblia do mesmo modo como os fariseus a viam nos dias de Cristo. O legalista olha para a Bíblia como um livro de regras éticas que oferece uma máxima para todo caso que surge. A partir da perspectiva do legalismo, as regras são extremamente importantes e as pessoas devem se postar sob a sua jurisdição em uma condição inflexível (“O que é certo, é certo; não tente explicar suas atitudes com base em situações atenuantes.”).

O extremo oposto é o antinomismo, que rejeita toda a lei moral e não tem lugar para princípios universais.

Absolutismo ou Relativismo Sem Limites

Arthur Holmes notou que o legalismo deve ser definido como “absolutismo ilimitado”, enquanto o antinomismo é o “relativismo ilimitado”.[2] Jesus rejeitou o absolutismo ilimitado e sua vida foi uma contínua condenação dos fariseus, que seguiram milhares de leis mas não amaram a Deus ou ao homem.

Um exemplo desta rejeição pode ser encontrado em sua relação com o sábado. Fora dos eventos de Marcos 2 e 3, Jesus enunciou os princípios de que “o sábado foi feito para o homem” e “não o homem para o sábado”, e que é fidedigno trabalhar no sábado se alguém está fazendo o bem por outras pessoas (Mr 2:23-3:6). Na realidade, Jesus está dizendo que as pessoas são mais importantes que as regras e que certas situações tornam permissível quebrar a letra da lei. De maneira alguma Jesus pode ser visto como um absolutista ou um legalista ilimitado.

Por outro lado, Jesus não pode ser classificado como um relativista ilimitado ou como um antinomista. Ele afirmou no Sermão da Montanha que Ele não viera para destruir a Lei, próximo ao fim de Sua carreira terrestre afirmou ter guardado as leis de Seu Pai e que Seus seguidores devem fazer o mesmo (Mt 5:17; Jo 15:10).

Relativismo Limitado

Holmes desenvolveu uma tentativa de equilibrar os extremos polares do “absolutismo ilimitado” e do “relativismo ilimitado” com o “relativismo limitado”.[3] Uma expressão moderna dessa posição é encontrada na escola de pensamento relativa à ética de situação (ética situacional). A essência da ética de situação, afirma Joseph Fletcher, um de seus maiores expoentes, é “qualquer coisa e tudo está certo ou errado, dependendo da situação”. A boa ação, contínua, seria o ato mais amoroso e preocupado.[4]

A ética de situação é correta em repudiar o legalismo e em sua admissão de relatividade ética limitada. Seu maior problema é que ela rejeita os princípios morais e as regras e, em conseqüência, alarga o relativismo a cada questão moral específica.[5] Portanto, a ética de situação desvirtua o amor cristão. Como visto acima[6], a Bíblia nunca separa amor da lei moral. Ao contrário, repetidamente une os dois. O amor, na perspectiva de Cristo, estava completando e resumindo os Dez Mandamentos. A posição bíblica é uma rejeição do relativismo limitado ou da ética de situação, com sua inabilidade de estabelecer limites morais.

Absolutismo Limitado

Se não forem absolutos todos os valores e regras do comportamento, então o que as pessoas precisam são absolutos limitados em vez de absolutismo ilimitado legalista. Uma quarta posição ética, que se concentra mais na perspectiva bíblica, pode ser chamada de “absolutismo limitado”. Esta posição permite ao amor reter seu conteúdo cognitivo como expresso nas ações e atitudes de Deus e nos Dez Mandamentos. Ela retém os princípios universais para a aplicação da lei a situações diferentes, enquanto proporciona ao cristianismo liberdade onde a lei silencia.

Absolutismo limitado, portanto, busca colocar-se entre os perigos do legalismo e do relativismo, e propõe uma solução “na qual o relativismo é limitado pelas leis”. De acordo com Holmes, o absolutismo limitado permite vários tipos de relatividade:

1) relatividade em aplicar princípios universais a situações distintas (i.e., Cristo ilustrou que há vezes em que o trabalho poderia e deveria ser feito no sábado);
2) relatividade em nosso entendimento a respeito dos princípios éticos e como estes princípios foram aplicados de maneira diferente em diferentes períodos históricos (i.e., a posição bíblica em relação à escravidão e à poligamia); e
3) relatividade na moral devido a diferenças culturais em vez de diferenças de princípio (i.e., práticas de solicitação bíblicas e rituais de casamento comparados às nossas).

Ao mesmo tempo, a ética bíblica do absolutismo limitado também afirma absolutos:

1) o caráter imutável de Deus, que articula a lei não como um código arbitrário, mas como um sábio guia para a vida humana;
2) a lei moral como dada na Lei do Amor e os Dez Mandamentos, interpretados no Sermão da Montanha, e aplicado a situações históricas nos escritos proféticos e apostólicos.[7]

Fonte: Filosofia e Educação: uma introdução da perspectiva cristã, George Knight, Imprensa Universitária Adventista, p. 188-190.

*George R. Knight é doutor em educação, historiador, teólogo e escritor.

Postado originalmente em: Resumo da Ópera
_____________________________________________
[1] Antinomismo é a total aversão a qualquer regra, norma ou lei ética.
[2] Arthur F. Holmes, Faith Seeks Understanding: A Christian Aproach to Knowledge ( Grand Rapids , MI : Wm. B. Eerdmans Publishig Co., 1971), p.93
[3] Ibid.
[4] Joseph Fletcher, Situation Ehics: A Nova Moralidade (Philadelphia: The Westminster Press, 1966), p.124.
[5] Holmes, Faith Seeks Understanding, p. 94.
[6] Knight se refere aqui a uma seção de seu livro, anterior a esse texto, onde trata de questões axiológicas. Essa seção está nas páginas 184-188.
[7] Holmes, Faith Seeks Understanding, p. 97-98.

sábado, 29 de agosto de 2009

ELES MERECEM NOSSA CARIDADE


Segundo o site Zenit, 56 influentes evangélicos norteamericanos mostraram sua anuência à última encíclica da lavra do papa Bento XVI, a Caritas in Veritate (leia a nossa crítica aqui e aqui). Uma declaração conjunta foi produzida por estes líderes cristãos - Doing the Truth in Love (Fazendo a Verdade no Amor). Neste documento, vários pontos da mensagem do papa foram endossados, como a visão de globalização mais humana e de uma economia norteada por valores. Resta saber a opinião deste segmento evangélico acerca daquilo que Bento sugere sobre "a presença de uma verdadeira autoridade política mundial".

Como podem os protestantes americanos, que fugiram da Europa perseguidos pelo papado, demosntrarem tão inebriante cegueira diante das pretensões de Roma? Eles merecem nossa profunda caridade, por estarem cavando uma profunda sepultura para si próprios! De fato, nada há mais que se comentar, exceto o que o apóstolo João escreveu há 1900 anos: "Também vi uma de suas cabeças como se fora ferida de morte, mas a ferida mortal foi curada. Toda a Terra se maravilhou seguindo a besta." Apocalipse 13:3 (para entender melhor a profecia, clique aqui).

Leia também:
DESENVOLVIMENTO HUMANO INTEGRAL: A PROPOSTA DE ROMA

LIÇÕES DE UMA ANTIGA HISTÓRIA DE AMOR


Por estes dias, uma aluna me procurou com uma dúvida. Sendo horário de aula, deixamos para conversar no intervalo. Ao ouvi-la depois, conectei-me a algumas preocupações típicas dos adolescentes. Ela me perguntava sobre namoro, fazer a vontade de Deus, escolher a pessoa certa. Senti que a conversa foi útil para a menina.

Pensando bem, todos os cristãos se preocupam com seus relacionamentos amorosos. Talvez, nas décadas passadas, o divórcio fosse algo que atingisse mais aos descrentes. Dificilmente casais cristãos se separavam. Hoje, embora faltem estatísticas seguras, muito provavelmente os índices de divórcios entre cristãos e não-cristãos deixem de apresentar grandes discrepâncias.

Desta forma, as questões formuladas pela aluna são pertinentes a outros adolescentes, mas também a adultos. Os cristãos solteiros desejam saber como honrar a Deus, escolhendo a pessoa certa com a qual possam construir um lar estruturado. E mais ainda: todos queremos ser felizes no matrimônio.

Não tenho dúvidas de que Deus Se preocupe com o assunto. Em Sua Palavra, o Espírito Santo deixou preciosas verdades para alicerçar a vida a dois. Peço que você me acompanhe na leitura de uma linda história de amor. Não é o único romance bem-sucedido na Bíblia. Mas nós o consideraremos, verificando os conselhos divinos que dele se pode extrair.

EM BUSCA DO AMOR PROMETIDO
Abraçado à lanugem do camelo, ele cerrava os olhos, tão intenso o sol se fazia. Os poucos servos que o acompanhavam pareciam exaustos, assim como ele mesmo. Enquanto punha as últimas gotas do cantil na garganta seca, já era possível enxergar as casas da vila mais próxima. Foram poucos passos até chegarem. E o que aconteceria depois?

Tocado pela missão que recebera, Eliézer alçou esta petição: “‘Senhor, Deus do meu senhor Abraão, dá-me neste dia bom êxito e seja bondoso com o meu senhor Abraão. Como vês, estou aqui ao lado desta fonte, e as jovens do povo desta cidade estão vindo para tirar água. Concede que a jovem a quem eu disser: Por favor, incline o seu cântaro e dê-me de beber, e ela me responder: ‘Bebe. Também darei água aos teus camelos’, seja essa a que escolheste para teu servo Isaque. Saberei assim que foste bondoso com meu senhor’.” (Gn. 24:12-14, NVI).

Sentindo o peso da velhice, o patriarca Abraão preocupou-se em preparar Isaque para lhe suceder. Para tanto, o jovem precisava de uma companheira, a qual não podia ser qualquer mulher. Como sucessor de seu pai, Isaque seria o herdeiro das promessas do Senhor. A liderança espiritual lhe estava reservada. Logo, para tornar-se esposa de Isaque, uma mulher deveria viver dentro da mesma perspectiva que ele; isto incluía aceitar a vocação espiritual que Isaque abraçara.

Voltemos a Eliézer. De fato, o servo que Abraão incumbiu de providenciar uma esposa para Isaque teve êxito em sua missão. Através das atitudes de Rebeca e das circunstâncias, podemos aprender alguns fatores que ajudarão a escolher um bom cônjuge. Destaco os seis pontos a seguir:

1. O futuro companheiro deve ser alguém do meio (Gn. 24:2-4). Alguém que tenha relação com sua família, que seja amigo, pertença à mesma cultura, partilhe dos mesmos valores religiosos. Por isto, Eliézer deveria recorrer à parentela de Abraão. A religião pode contribuir para manter o casamento. Uma recente pesquisa, divulgada pela revista Isto é, destacou que quando os cônjuges são religiosos, o percentual de separão cai para 8,1% (contra 13,6% no caso de ninguém no casal professar uma religião).

2. O futuro companheiro deve ser alguém apontado por Deus (Gn. 24:7). Era o cumprimento da promessa feita a Abraão - a continuidade de sua descendência. Quando estamos em comunhão com o Céu, Deus dirige toda a vida. Mal o servo fez a oração (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas), e Rebeca apareceu!

3. O futuro companheiro deve ser puro. Puro de intenções, de vida, com nobres aspirações. A Bíblia destaca o fata de Rebeca ser virgem, intocada. Mais importante do que a própria virgindade é a pureza - afinal, mesmo alguém que nunca tenha tido uma relação sexual pode ter uma mente completamente pervertida. Atualmente, ve-se com frequência que muitos casais cristãos tem intimidade indevida, permitindo que o parceiro acaricie as chamadas zonas erógenas, ou recorrendo à masturbação ou sexo oral. Os que assim procedem podem se dizer virgens, entretanto se acham distantes do valor de pureza ensinado na Bíblia.

4. O futuro companheiro deve ter disposição de servir (Gn. 24:14, 17-20). Disposição de servir, abnegação, humildade. Mas com iniciativa, vontade própria, com ambições sadias. No casamento, marido e mulher são sevos, não serviçais um do outro. Rebeca mostrou humildade que se requeria para trilhar a difícil jornada de fé ao lado do descendente da promessa. Deveria alguém esperar menos de um futuro marido ou esposa em nosso tempo?

5. O futuro companheiro deve estar disposto a cumprir a vontade de Deus ( Gn. 24:58). Não deveríamos escolher lguém para o casamento por sua profissão, mas pela profissão de fé. Requer-se de todo jovem cristão que contrai núpcias com quem tenha a mesma crença; digo mais ainda: busque alguém com bom nível de espiritualidade, o que se pode testar no dia a dia. No caso de Rebeca, o tipo de prova dado quando aceitou partir o quanto antes da casa de seus pais revelou seu caráter. Mais atual do que nunca é a advertência inspirada: “Pessoa alguma que tema a Deus pode, sem perigo, ligar-se a outra que não o tema.” (Patriarcas e Profetas, p. 174).

6. O futuro companheiro precisa reservar-se para o compromisso a dois (Gn. 24:64-65). O véu tinha a função de dar um caráter reservado à mulher. A modéstia cristã nos leva não a nos escondermos, mas a evitarmos a exposição excessiva. Isto nos leva a considerar que não é prudente namorar por tempo excessivo, porque tende-se com o tempo a adquirir maior intimidade física. Um namoro que se alonge por anos, sem um plano definido de casamento, geralmente leva à antecipação de relações sexuais; estas, por sua vez, acabam se tornando o centro da relação, destruindo o diálogo, a amizade e o respeito.
Se seguirmos a orientação bíblica, desenvolveremos relações saudáveis e duradouras, como aconteceu na união e Isaque e Rebeca. Basta confiarmos nAquele que está interessado em todos os detalhes de nossa vida - inclusive, em nossos relacionamentos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

INRI CRISTO VERSÃO INVERNO


Não falta mais nada! A Sibéria tem sua própria versão de Inri Cristo, o cidadão que se auto-proclama a reencarnação de Cristo (só não disseram para ele que nem sequer a ideia de reencarnação tem endosso bíblico). O guarda de trânsito Sergei Totop também aderiu à moda e vem se apresentando como "O Jesus da Sibéria" ou "O Professor Vissarion". E, para variar, quando um maluco destes aparece, uma turba se junta para se curvar diante do novo Messias...

É claro que é preciso ter muito mais do que cabelos compridos e barba para se apresentar como Salvador. Jesus é o único que possui todas as credenciais necessárias para ser o Salvador. Confira somente 3 razões:

1) Ele cumpriu as profecias vetero-testamentárias (cf.: Is. 53; Sl. 22; Mq. 5; Zc. 9);
2) Ele apenas viveu uma vida de completa vitória sobre o pecado, o que o habilitou para nos resgatar (Hb. 4:14-16; 1 Pe. 18-19);
3) Ele confirmou Sua missão através de sinais irrefutáveis. Nas poucas alusões que faz a Cristo, o Talmude menciona que Ele realizava milagres pelo poder de Belzebu, uma acusação similar ao que os Evangelhos relatam (Mt. 12:24). Sobretudo, note que a acusão busca uma explicação alternativa para o fato de Jesus realizar milagres, mas não nega que o Mestre efetivamente os realizasse.

Jesus é único. E o único que pode nos salvar (At. 4:12).
colaboração: Fernado Machado

DISCURSOS DE KHUN ANUP


Há muitas fábulas do antigo Oriente próximo enfatizando o dever ético-social de pessoas ou nações. Os poemas a seguir fazem parte de uma série, livremente adaptada da fábula egípcia "O camponês eloquente". Desejamos que as reflexões contidas nestes textos nos motivem, como cristãos, a desempenhar um papel mais humano e condizente com nossa moral.

Palavras de Rensi

Ó filho de Rá: fala-vos, ó Rei,
O pó que ante a presença tua expira.
Faraó: o camponês de quem tratei,
Cuja fala escrivães põe no papiro,
Cuja eloqüência aos sábios tanto admira,
Muito trouxe, e ao porvir eu me refiro:
O que nos disse com tanta beleza,
Quem sabe sirva para, no futuro,
Relembrar a justiça a um povo duro…
E no Nilo haverá sempre a realeza.

I – Discurso de Khun-Anup

Trago-vos, Rensi, vinho de mélea uva,
Posto que frutifica vossa mente:
Sois para a mão do fraco a única luva,
E para o camponês sois a semente;

Pai dos órfãos, marido da viúva,
Útero ao que possui a mãe ausente;
Quando vindes, justiça cai em chuva,
Que aniquilais quem fala falsamente;

A repudiada tem em vós o irmão,
Ó sol que abris as pálpebras da lei,
Estendendo ao mendigo a mesma mão;

Ouvi, ouvi, que agora falarei,
Não para gastar tão nobre atenção;
Peço-vos: trazei ma’at, filho do Rei.

Para continuar lendo a história, leia aqui

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

IMPRESSÕES...


Podem ser vagas, singelas, detalhadas, positivas ou negativas, confusas ou dissimuladas. Às vezes se coadunam com a realidade, mas, na maioria dos casos, são desfeitas quando se conhece mais a respeito.

Quais são as nossas impressões de Deus no mundo moderno, farto de desigualdades? Um mundo que mescla beleza e violência, conhecimento multifacetado e ignorância das massas?

Se olharmos para Deus e O avaliarmos sob prismas humanos, certamente ficaremos confusos, pois as opiniões são divergentes. Qual a "opinião" certa sobre Deus? A única "opinião coerente é aquela fornecida por Ele mesmo, revelada na Bíblia.

continue lendo aqui

Este é o primeiro texto da Professora Rejane Godinho para o site Outra Leitura . Tive o privilégio de tê-la como colega no mesmo campo (a Associação Catarinense), no qual ela atuava como professora de Ensino Religioso. Novamente, será um prazer ser colega da Rejane no OL.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

QUE TAL SE MICHAEL JACKSON DESCANSASSE EM PAZ?



Em se tratando de luto, as famílias costumam ir a extremos, ou comedimento beirando à impassibilidade, ou comoção à la mexicana. Ou se compram coroas de flores deslumbrantes ou a homenagem se dá através de crisântemos pálidos. A morte, quer dizer, a vida tem destes contrastes que nos fazem pensar na diversidade das reações humanas.

Mas nem mesmo o conhecimento disto preparará o leitor para a notícia a seguir: o portal UOL informou que canal A&E pretende transformar o funeral do cantor Michae Jackson em um Reality Show (!). De fato, é mais provável que Michael morto apresente um raciocínio menos lento do que Ozzy Osbourne, cuja família também participou de um (medonho) reality show.

Infelizmente, o reality show se tornou uma fórmula que invadiu os programas de TV - e as inserções deste tipo de proposta em programas tradicionais como o Fantástico revelam que não há limites para desgastar algo que já nasceu absurdo.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

CONTRA O CÂNCER, MANTENHA-SE CASADO

Já aconselhei pessoas que enfrentavam crises conjugais. Geralmente o estresse decorrente do fim de um relacionamento é extremamente prejudicial à pessoa, em diversas áreas. Uma pesquisa recente vem corroborar com isto.

A Indiana University empreendeu um estudo que analisou casos de diagnósticos de câncer, ocorridos entre 1973 e 2004. Os resultados, divulgados pelo Estadão, constatou que os casados têm 63% de possibilidade de viver 5 anos após receber o diagnóstico; recém separados possuem apenas 45% de possibilidade de resistitem pelo mesmo tempo.

Os pesquisadores chegaram a conclusão de que o estresse de uma separação baixa a imunidade, deixando o organismo mais vulnerável. Mais uma boa razão para manter os votos matrimoniais!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

CRISE AJUDANDO A CUMPRIR A PROFECIA

Quando tudo apontava para uma união dos países europeus em um bloco políticoeconômico, eis que surge a crise econômica! O site Opinião e Notícia relaciona a queda do capital financeiro com atitude individualista dos países europeus, que antes "haviam recebido seus vizinhos do leste, em instituições como Otan e união europeia", mas que agora se esforçaram para "salvar os empregos e reforçar os bancos". Desta forma, as palavras de Daniel 2:43 se mantêm atualíssimas: sobre os reis e reinos europeus, o profeta diz que "misturar-se-ão pelo casamento, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro." Quando Deus afirma, não tem quem faça acontecer o contrário!


ORGULHO (SANTO) DE MEUS ALUNOS


Aqui no Colégio Adventista de Joinville (CAJ), Santa catarina, há uma média de 30% de alunos adventistas. Alguns deles, que cursam o 3° ano do Ensino Médio, passaram por uma dura prova: a dúvida se os adventistas seriam incluídos no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), marcado para os dias 3 e 4 de Outubro de 2009, sendo que a primeira data cai justamente em um sábado. Como o exame substitui o tradicional vestibular em muitas faculdades já para o ano de 2010, a preocupação dos adventistas foi grande - o que lhes deu motivos para orar.
No primeiro semestre deste ano, após a divulgação da data do exame, a Igreja Adventista formalizou um pedido para que houvesse uma forma alternativa de seus membros prestarem o exame. E Deus ouviu Seu povo: adventistas ficaram em regime de confianamento, durante o sábado e prestarão exame após o por do sol, graças aos esforços do líder de Comunicação e Liberdade Religiosa, Pr. Edson Rosa, em conjunto com o advogado Luigi Braga, ambos da Divisão Sul-Americana da IASD. Deus usou mais uma vez nossos líderes!
A decisão por parte dos órgãos responsáveis de que os guardadores do sábado participarão do ENEM em caráter especial, chamou a atenção da mída: alunos do CAJ que cursam o último ano do Ensino Médio puderam testemunhar ao repórter Luiz Fernando Assunção (do jornal Notícias do Dia) sobre suas convicções e sobre a bênção de poder servir a um Deus que nos dá oportunidades para aqueles que desejam serví-Lo. Ao todo, foram duas páginas de testemunho publicadas no dia 24 de Agosto, que incluíram razões bíblicas para se guardar o sétimo dia, o testemunho dos alunos e da diretora, Profª Odete Pasold.

O CAJ deseja que a Camili, o Rodrigo e a Bruna permaneçam fiéis a Deus. Além deles, oramos para que Deus abençoe a Mônica, o Daniel A., a Letícia, a Jenifer, o Daniel M. e o Lucas, que não apareceram na matéria, em razão de a reportagem nos solicitar apenas três alunos adventistas.

Colaboração: Marco Aurélio

SONETO ALFABÉTICO

Composto para integrar uma série de sonetos, o poema abaixo tem uma peculiaridade: cada uma de suas frases se inicia com uma letra do alfabeto (isso antes de a Nova Reforma Ortográfica incorporar as letras K,W eY em nosso alfabeto). Confira:

(A ENLUTADA)


Aroma de flamingo e tâmaras? Banquetes
Dispensa. Cisma em seu peristilo. Dintéis
Nimbados pelo aroma. E cisma a sós. Fiéis
Montados, centuriões voltam com seus ginetes.

Grecina os vê cruzarem Roma, os capacetes
Polidos. Harpas ouve. Indícios de lauréis.
Justa e devota, ignora o esplendor de ouropéis.
Larga a moda. Mudou. Nada de braceletes.

Ouve-os rir. "Pobre! Quem é?" Ri. Sente-se grata.
Tem-na por morta o preconceito democrata,
Presa em superstição que de empréstimo toma?

Um só Deus. Vive e é Rei. Xenofobia afina
A voz! Zombam em vão, pois Pompônia Grecina
Goza o prazer por cuja falta expira Roma.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

QUANTO CUSTA APARECER


"[...] São de todas as idades. E em todas as idades vê-se a ânsia de aparecer, de se mostrar, de se tornar famoso, mesmo às custas do ridículo ou da humilhação."

Clarice Lispector, sobre os calouros do programa do Chacrinha, em crônica publicada em 7 de Outubro de 1967 no Jornal do Brasil; coligida por Paulo Gurgel Valente e Pedro Gurgel Valente, A descoberta do Mundo, p. 37. Sobre o programa em si, Clarice se diz "triste, decepcionada; eu quereria um povo mais exigente." Isso porque a escritora não viveu para conhecer o Big Brother, A fazenda, No Limite...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

GRIPE A E ADORAÇÃO ADVENTISTA

gráfico da propagação da gripe A em território nacional

A gripe A, na condição de mais nova pandemia, vem alterando o comportamento das pessoas. E isto inclui os adventistas do sétimo dia. Em lugares em que há maior números de casos, congregações adventistas não mantém o tradicional programa da escola sabatina, além de encurtarem o próprio culto de adoração no sábado. Esta é a realidade vista no Paraná e no Rio Grande do Sul.

Em Santa Catarina, a cautela diante da nova gripe levou algumas congregações a evitar o canto congregacional. Confesso que a medida, a qual não deixa de ser demonstração de prudência, ainda me parece desconfortável; a música sempre fez parte da experiência cúltica e não poder expressar o louvor através deste meio requer adaptação.

Por toda a parte, adoradores são orientados a não frequentarem a igreja em caso de apresentarem os sintomas do vírus H1N1. A confraternização rotineira à saída do culto, quando o pregador comprimentava a congregação e a própria membresia se abraçava, não se vê mais. Afloram pelos corredores e sanitários potes de álcool gel.

Diante da situação (a qual todos esperam ser momentânea), dois aspectos se destacam: a mensagem de saúde e o estilo de vida em pequenos grupos. Líderes adventistas, preocupados com a propagação da gripe A, advertem seus irmãos a praticarem a reforma alimentar (com vistas ao fortalecimento do organismo) e continuarem as reuniões em pequenos grupos, evitando grande concentração de gente.


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

RELIGIÃO, VÍTIMA DO DESENCANTO?


Abdelmassih: a vergonha de todo católico

Em seu blog, o jornalista Paulo Leite Moreira (diretor de redação da revista Época) rebate alguns leitores que se sentiram ofendidos com uma postagem anterior sobre Roger Abdelmassih. Abdelmassih, autoridade médica em reprodução assistida e católico professo, atendia em clínica particular nos Jardins, bairro nobre da zona sul de São paulo. No último dia 17 de Agosto, o médico acabou preso, depois da acusação de estupro e atentado ao pudor, após denúnica feita por pacientes. O Conselho de Medicina de São Paulo abriu mais de 50 processos ético-profissionais contra ele. Na postagem atual, Paulo Leite Moreira reproduziu comentários de leitores defendendo a Igreja Católica ou acusando Abdelmassih de não ser exatamente um católico modelo.
Moreira, então, parte para o ataque: "[...] não dá para dizer que as pessoas deixam de cometer faltas graves ou mesmo crimes lamentáveis por falta de convicção religiosa." À frente, o diretor de Época lista crimes cometidos por cristãos - "pedofilia, a tortura nos tempos da Inquisição, as guerras de conquista e suas brutalidades." Para ele, tais fatos "desmentem esse poder purificador atribuído à fé religiosa." Na conclusão, o texto assevera que "nos tempos atuais a religião deixou de oferecer respostas às grandes questões que afligem o homem. Tornou-se uma convicção íntima, mas incapaz de organizar o comportamento das pessoas e definir uma visão de mundo."
Desfaçamos algumas falácias. Primeiro ponto: o poder da religião de influenciar indivíduos e sua cultura é inconteste, e isso não só em relação a cristãos. Pensemos na revolução originada pela expansão muçulmana, que chegou a modificar a cultura da Península Ibérica. Evidente que o Islã influiu sobre os diversos grupos árabes, unificando os nômades dispersos e lhes dando uma "missão".
Neste aspecto, a religião (qualquer que seja) corresponde a uma visão de mundo, como qualquer outra filosofia ou ideologia, capaz de orientar escolhas através de uma grade de valores pré-eleitos. Veja mais um caso, desta vez fora da esfera religiosa: no século XIX, o pensamento darwinista ajudou a fomentar o preconceito contra os nativos da Tasmânia. Haeckel os enxergava como similares a símios e cães, tendo, portanto, valor diferente ao europeu "mais evoluído". Outros estudiosos classificavam os tasmanianos como representantes do homem do Paleolítico. Conclusão: a "caça negra" foi amplamente apoiada e em 30 anos de "colonização" (1800-1830) a população de nativos passou de estimados 3 mil para 135 pessoas! Sem contar as intermináveis disputas de cientistas, ávidos por estudar os corpos dos tasmanianos, em busca de provas da Evolução...
Toda visão de mundo, seja ou não religiosa, influencia pessoas e sociedades. Com o Cristianismo não é diferente. O fato de cristãos praticarem crimes ou adotarem comportamentos imorais não contraria o poder moral do próprio Cristianismo, haja visto que professos cristãos podem agir de forma incoerente com aquilo que creem, ou mesmo confirmar pelas atitudes que sua verdadeira crença é diferente da que são capazes de admitir - e, neste caso, tais crenças representariam distorções personalizadas do Cristianismo.
Segundo ponto: quanto às Cruzadas, exemplo clássico de quem tem indisposição ao Cristianismo, basta que citemos um ateu em nossa defesa: "Não é a fé que leva aos massacres. É o fanatismo, seja ele religioso ou político. Pode ser perigoso crer em Deus. Vejam a noite de São Bartolomeu, as cruzadas, as guerras da religião, o jihad, o atentado de 11 de Setembro de 2001... Pode ser perigoso não crer. Vejam Stalin, Mao Tsé-tung ou Pol Pot... Quem vai calcular os mortos, de um lado e de outro, e o que eles poderiam significar? O horror é incalculável, com ou sem Deus. Isso nos ensina mais sobre a humanidade, infelizmente, do que sobre a religião." ( André Comte-Sponville, "O espírito de ateísmo: introdução a uma espiritualidade sem Deus, p. 77). O problema para Comte-Sponville está mais relacionado ao fanatismo do que à virulência inerente em uma determinada religião (embora isto não exclui a possibilidade de visões de mundo essencialmente virulentas). Não nos esqueçamos de que entre os que mais sofreram na Idade Média com a perseguição promovida pela Igreja Católica estejam outros cristãos.
Em contrapartida, um terceiro ponto: o Cristianismo revolucionou o pensamento Ocidental, promovendo o conhecimento (através da fundação de escolas e universidades) e a assistência humanitária (casas de saúde e hospitais cristãos fizeram a diferença, quando não havia serviços médicos providos por um Estado). A democracia, surgida com os gregos, ganhou indubitável reforço com a crença judaico-cristã de igualdade entre todos os homens (que possuem direitos inalienáveis, conforme a constituição norteamericana). Pensemos em Lutero, Francisco de Assis, Bach, Newton, Matin Luther King, entre outros cristãos; o que seria do mundo sem estes que foram muito além da esfera do consolo indivual, na qual se quer agrilhoar a fé cristã na atualidade?
Finalmente, se há algo verdadeiramente digno de nota no texto de Paulo Leite Moreira, é a observação da última linha: "Vivemos num mundo desencantado, que não encontra respostas em convicções divinas." Eis uma perspectiva atualíssima no campo da Sociologia da Religião, muito bem retratada em trabalhos do professor Antônio Carlos Perucci, da USP. Dentro deste prisma, o crescimento da religião não representa revitalização de valores religiosos universais, apenas um compromisso pessoal, restrito a uma área da vida do indivíduo. Ou seja: a religião moderna se acha diluída no conceito de crença para o fim de semana, sem influência na vida da pessoa como um todo. Isto se deve mais aos efeitos do chamado Pós-Modernismo do que às características do próprio Cristianismo (já discuti sobre isto; leia mais aqui).
Entrementes, abordar o Cristianismo - ou qualquer outra fé histórica - por este ângulo não faz jus aos seus preceitos originais, largamente difundidos na Bíblia. Não quero me demorar neste ponto, mas sustento que a intentio operis defendida por Umberto Eco serve como ferramenta adequada para interpretar de forma correta o texto bíblico (e, virtualmente, todo e qualquer texto); aliás, a própria Bíblia afirma ser possível interpretar com justiça ou com equivocadamente seu texto (Jr 23: 36; 2 Pe 3:16), o que exclui a multiplicidade interpretativa em assuntos doutrinários gerais, como querem pós-modernos ou ecumênicos.

Logo, embora a tendência seja fugir das "convicções divinas", talvez fosse justamente esta a resposta para muitos dos dilemas do século XXI. Uma revitalização do Cristianismo alicerçada na integridade bíblica parece ser a alternativa para quem deseja legitimamente algo mais sólido do que a filosofia difusa que ronda por aí. Porém, somente por meio da fundamentação na Bíblia o Cristianismo continuará a ser relevante – mesmo num mundo de desencanto.

AS IGREJAS E A COMPULSÃO MORAL

Desde que na semana passada se iniciou o fogo-cruzado entre Record/Igreja Universal e Globo, as igrejas evangélicas se viram involuntariamente partícipes da batalha. Infelizmente, o vulgo não vê diferença entre esta ou aquela igreja. Quem se recordar da história de uma certa santa chutada por um certo bispo, resgatará a imagem de indisposição popular contra os crentes.

Com toda esta polêmica, um termo veio à tona: compulsão moral. Para a justiça de São Paulo, os pastores da Universal criavam um mal-estar por fazer os fiéis se sentirem obrigados a doar seus bens para a igreja. Esta pressão na hora do apelo constitui a tal compulsão moral.

Por que se preocupar com o assunto? Como as denominações cristãs ficaram mais visadas graças às acusações contra a igreja do Bispo Macedo, todo cuidado é pouco. Quaisquer atitudes durante o culto que constranjam ou levem as pessoas a decisões por impulso correm o risco de serem rotuladas como compulsão moral.

Temos que ser sensíveis ao momento. Agir com cautela é uma das recomendações dadas por Jesus aos primeiros evangelistas (Mt. 10:16). Ao levarmos as pessoas à decisão pelo Salvador, devemos manifestar tato. Ao longo da história cristã, o texto de Lucas 14:23 ("força-os a entrar") tem sido mal compreendido. Longe de pregar o "evangelismo compulsório", a parábola apenas usa uma expressão de linguagem para realçar a necessidade de se esforçar pela salvação de pessoas. Não obstantes, alguns, até hoje, literalmente forçam as pessoas a aceitar o Reino de Deus.

A realização de batismos prematuros, em pessoas que não tinham maturidade espiritual ou que simplesmente não haviam se decidido, ainda é pedra de tropeço na igreja. De que valem todos os esforços posteriores, com classes de discipulado, estratégias de integração social ou coisas semelhantes? Se ninguém se casa sem a devida consideração - ou quando o faz, não mantém o compromisso por muito tempo - porque deveríamos incentivar quem quer que seja a aceitar o batismo ("casamento" da alma com Cristo) de forma irrefletida? Se isto já acarretou sérias consequências à igreja, muito mais agora deve-se evitar a prática. Afinal, tudo pode servir de pretexto nas mãos de Satanás, a fim de evitar que o povo de Deus termine a pregação, o que culminaria na volta de Jesus (Mt. 24:14). Tomara que a conscientização sobre este tema seja acompanhada de reflexões sérias e espirituais - e sem nenhuma compulsão.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

SEXO PERIGOSO


Ok, sexo é bom demais, mas está se tornando uma atividade de alto risco. O Ministério da Saúde divulgou nova pesquisa sobre a sexualidade do brasileiro. Segundo os dados, reproduzidos no G1, 6,6 milhões de homens e 3,7 milhões de mulheres já apresentaram sintomas de alguma dentre as dezenas de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Os homens tem 31, 2% de possiblidade de contrair alguma destas doenças ao longo da vida. Entre os homossexuais, a possibilidade de contração de DST mais do que dobra. Para aqueles que já tiveram mais de 10 parceiros, é mais provável haver histórico de DST.

Estes são alguns dos frutos da revolução sexual, quando falar sobre sexo (e, sobretudo, praticá-lo!) deixou de ser tabu. Há dez anos, lembro-me de ter me informado da existência de 57 DSTs, um número que aumentava na razão de duas novas doenças ao ano. Seguindo esta proporção, teríamos hoje cerca de 80 DST - contudo, não posso confirmar se isto corresponde à realidade.

O que posso dizer é que muitos destes problemas seriam reduzidos a números inexpressivos se as orientações bíblicas sobre sexualidade fossem respeitadas, com a aceitação de que a atividade sexual é reservada ao compromisso marital, definido como monogâmico, heterossexual e vitalício. Quem não se conformar a esta proposta devido às suas raízes religiosas, deveria considerá-la por causa de sua lógica factual!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A PRESSÃO


Viver sufocado pelas exigências e compromissos, esquecedendo-se da vocação ao lado de Deus, eis a rotina da pós-modernidade! O homem vive em função de alvos, porque tudo se acha quantificado.

Mas quando a atividade humana se reduz a números atingidos, e projeção de números maiores, o ânimo se desfaz em cinzas. O paladar se esmaece e um olhar retrospectivo não logra encontrar satisfação, sequer compensação!

Apenas o equilíbrio na vida salva o homem de si mesmo e de se tornar um servo de seus compromissos mais do que servo de Deus. Aquele que honra a Deus com seu melhor e sua organização tem a vida como um mel que lhe escorre da língua para a garganta. E sabe-se feliz em meio ao caos.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

HAICAIS

De Guilherme de Almeida a Paulo Leminski, o haicai se firmou como uma forma poética muito cultivada em nosso país. Os temas e tratamentos têm sido bem diversificados, embora o haicai consistisse a princípio de reflexões simples sobre as estações do ano ou envolvendo a natureza, sempre de forma minimalista - o que não chega a surpreender, levando-se em conta que o haicai nasceu no Japão. Aqui publicamos 3 haicais:


Particularidades

A mesma alvorada
Chama a música dos pássaros
E espalalha os morcegos

Quão possível é


Quão possível é
Que o vento devolva à copa
A folha caída?

Duas folhas caem


Duas folhas caem

E se unem antes do chão
- Solidariedade.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

ACORDO ENTRE BRASIL E VATICANO


Muitos comentários surgiram quando o Estado brasileiro estava em vias de aprovar um acordo com o Vaticano. Desde o ano passado se especulava que tipo de acordo o presidente Lula teria assinado em conjunto com o Papa Bento XVI. Pois bem: a Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou ontem tal acordo. E voilá - está criado o estatuto jurídico da Igreja Católico em nosso país.

Não sejamos precipitados: os pontos abarcados no acordo ainda não sugerem algo como uma união civil-religiosa efetiva, até porque uma união de tal natureza se dará primeiro nos E.U.A., sendo logo imitada por outros países. O que deve chamar a atenção de todo cristão é o rumo que as coisas vêm tomando.

O único ponto que poderia indicar a rigor uma inconstitucionalidade no atual acordo (por beneficiar uma religião em detrimento de outras) é a questão da capelania em presídios, hospitais e nas Forças Armadas, área na qual Roma continua (e continuará) dando as cartas. Mesmo quando se tratou do Ensino Religioso, houve uma preocupação mais ecumênica, com vistas à abertura a outros credos.

Isto não quer dizer que o acordo não fosse discutido em meio a polêmicas. Segundo o portal UOL, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), membro da comissão que estudou o acordo, protestou contra aquilo que denominou ser uma "opção preferencial por uma religião". Aqui, um olhar mais detido identificará que, em suas intenções, o estatuto jurídico católico fere nossa Constituição, embora seus 20 artigos camufluem sua pretenção de influenciar a política do País.

Do caminho que estamos trilhando, ainda a passos vacilantes e pueris, não poderemos voltar futuramente. O momento histórico exige atenção e constante preparo daqueles que esperam o regresso de Cristo. "Quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima." (Lc. 21:28).

Colaborou: Prof° Marcos André

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

POR QUE UM DEUS ETERNO?


Apesar de não fazer parte desta geração, Chuck Norris continua rendendo comentários. Circulam vários textos cômicos pela internet, ironizando os exageros dos filmes protagonizados pelo ator. Uma delas afirma: “Chuck Norris contou até o infinito. Três vezes.”

O próprio absurdo da anedota nos provoca risos, uma vez que ninguém pode contabilizar o infinito. Suponhamos que você aceitasse o desafio e começasse a contagem – é claro que o tempo de sua vida seria insuficiente para completar a tarefa. Ainda assim, a própria noção de infinito permanece aceitavelmente lógica.

Uma complexidade maior se verifica com o senso de eternidade. Veja: o infinito é uma corda com somente uma ponta, mas a eternidade é uma corda sem pontas.

Por séculos, os cristãos têm sustentado que Deus é eterno. Embora a ideia seja complexa, não podemos negar a eternidade divina com base na rejeição a priori da própria eternidade, uma vez que o conceito de eternidade em si não se apresenta como algo irracional. Até muitos não-cristãos fazem uso do conceito. Para o filósofo grego Platão, os elementos do mundo supra-sensível (mundo das ideias) são eternos. Para os filósofos materialistas (os evolucionistas, por exemplo), a matéria é eterna. Então, a pergunta apropriada seria: qual a necessidade de crer que Deus é eterno?

Gostaria de levá-lo a considerar este enunciado: sendo A eterno, e B temporal, A explica adequadamente B. Vamos analisar isto com frieza. Uso a palavra temporal para me referir a algo que tem um começo e um término. Temporal difere de infinito, aquilo que tem um começo e não um término. Tanto as coisas e seres temporais como as infinitas se ligam ao estabelecimento do Tempo – algo não poderia ter um começo sem que houvesse o Tempo. Aquilo que é eterno não usa o Tempo como referencial.

Pense neste exemplo: sendo eu um ser temporal (nascido em uma data específica), meus cabelos tenderão a ficar mais brancos a cada ano, sendo isto um dos efeitos da passagem do tempo sobre mim (Felizmente, o processo não começou!). Concebendo Deus como eterno, o tempo não pode afetá-Lo e Ele não pode situar Seu início em uma parte específica do Tempo (o que equivale a dizer que Deus não nasceu, nem teve um começo). Feitas as definições dos termos, volto ao que anunciamos anteriormente: sendo A eterno, e B temporal, A explica adequadamente B.

Sendo o mundo se apresenta como racional e lógico, faz sentido crer que a lógica e a ordem do mundo temporal se explique por algo anterior, de caráter eterno. Semelhantemente, se boa parte da realização humana se baseia em relacionamentos pessoais, é racional admitir a existência de um Ser Pessoal, capaz de experienciar relações comunitárias (como na crença cristã na Trindade) antes que houvesse o tempo.

O perigo com o raciocínio que adotamos consiste em buscar uma correspondência absoluta de todos os elementos temporais em relação aos eternos. Tome a presença da maldade no mundo: será que um Deus Eterno é o originador do mal? Seria o mal eterno? Como a questão envolve princípios universais, temos de considerar a essência de tais princípios.

Na história do pensamento, o mal é referido como o contraste do bem. Observe que na experiência comum, Maria sabe que gritar com a mãe é errado porque aprendeu o valor do respeito. João sabe que não deve mentir à professora, porque assimilou a honestidade. Admitimos que, para se tornar possível classificar alguma ação como errada, precisamos estabelecer um padrão que nos apresente o correto.

A própria existência do Mal fica condicionada a um padrão anterior, que chamamos de Bem. Logo, no que se refere a princípios universais, não nos vemos obrigados a atribuir eternidade a todos; princípios positivos parecem logicamente anteriores, sendo eternos, enquanto os seus opostos, os anti-princípios, podem ter surgido em algum momento posterior (sendo, assim, não-eternos). Observe, contudo, que isto não altera o nosso pressuposto de que algo eterno explica satisfatoriamente algo temporal.

O que afirmamos é compatível com a informação bíblica, a qual esclarece que a existência do mal não deriva do próprio Deus – Deus é Eterno e eternamente Bom (Sl. 136:1-ss; Tg. 1:17). O mal surgiu durante a rebelião de Lúcifer, um ser criado para a vida imortal (Is. 14; Ez. 28; Ap. 12). O mal atingiu os seres humanos (Gn.3), maculando o mundo que Deus declarara bom (Gn. 1:31). Pela razão e pelas Escrituras, se entende que exclusivamente Deus é Eterno, sendo fonte de Justiça, Bondade, Amor, Alegria, etc. Estes e outros atributos não existiriam no vazio, mas estão presentes no eterno e imutável caráter divino.

O estabelecimento de Deus como Eterno é o melhor fundamento para o entendimento do mundo natural, uma vez que aquilo que vem sendo chamado de complexidade especificada exige um agente inteligente que projetasse voluntariamente o universo. Ao mesmo tempo, um Deus Pessoal que possuísse um caráter justo e bondoso, serviria de fundamento para a ética humana – a existência do homem (a princípio, imortal, depois temporal) encontraria propósito na existência de um Deus Eterno.

Em meio à vida transitória, você não precisa se sentir desorientado e temeroso. Há um Deus, tanto Eterno, quanto presente na História Humana (Jo. 1:14) e, especificamente, presente na sua história (Mt. 28:20). Ele é, parafraseando Francis Schaeffer, Eterno e Pessoal (cf.: Is. 57:15; Dn. 2:28). Portanto, não é apenas lógico, como igualmente necessário, crer e se relacionar com o Deus Eterno.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

PARCERIA COM O OI


O Observatório da Imprensa acaba de publicar meu artigo Habemos Boyle (originalmente publicado aqui), no qual a falta de identidade de uma emissora de TV é criticada a partir do título posto no artigo - com o emprego irônico do "Habemos" (ao invés de "Habemus", ou "nós temos", em Latim). O texto pode ser conferido aqui.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

AMOR A TODA PROVA



Os filmes de Hollywood constantemente exibem um romantismo superficial. Crises são resolvidas num passe de mágica. Traições são sublimadas apenas quando o traidor procura o traído, o qual, por sua vez, abandona a decisão de partir. Somente uma pessoa imatura emocionalmente acreditaria que a versão de romance retratada na sétima arte corresponde à realidade.

Neste fim de semana, assisti um filme que caminha na contramão das comédias românticas e dos dramas amorosos. À prova de fogo, dos irmãos Kendrick, recria de forma realista e positiva a intensidade da vida a dois. E mais: oferecendo uma perspectiva cristã, de lutar pelo relacionamento, com sacrifício.

Quem conhece o trabalho da Carmel, produtora dos sucessos evangélicos A Virada e Desafiando Gigantes, sabe que em cada um de seus filmes valores familiares são exaltados. Um constante em todos os roteiros é como a conversão resulta em transformações de vida, afetando a esfera familiar, pública, a maneira de encarar os negócios, etc.

Desta vez, o aspecto familiar é o destaque, sendo ilustrado na história do bombeiro Caleb Holt (Kirk Cameron), que se vê em uma série crise familiar - sua esposa, Catherine (Erin Bethea), cansou dos maus tratos e quer o divórcio. Para piorar, no mesmo hospital em que trabalha como relações-públicas, Katherine passa a ser alvo das atenções de um jovem e sedutor médico.

A única oportunidade para Kaleb salvar seu matrimônio será seguir o Desafio do Amor, livro que seu pai lhe dá, contendo tarefas diárias, as quais envolvem não apenas algo a ser feito, mas um valor a ser acrescentado no caráter que resiste às mudanças. Para recuperar o amor perdido, Kaleb terá de ir a fonte, Deus!

Muitos dos desafios do homem são retratados. Kalebe se vê às voltas contra os seus próprios interesses, busca desesperadamente o respeito de sua companheiro, ignorando as necessidades dela. A luta pessoal contra a pornografia e o desprendimento ao auxiliar nas tarefas domésticas são pontos que faram com que homens se identifiquem com o papel. Os Kendrick gostam de papeis masculinos "falsos-durões", que geralmente se "desmancham" em lágrimas ao longo da ação, sem, contudo, cair no emcionalismo piegas.

Tocante e cheio de boas surpresas, À prova de fogo vem se tornando um tornando um sucesso na locadoras, tendo como marketing o boca-boca, principalmente promovido pelo público evangélico. Quando loquei o DVD, funcionários da loja me questionaram como eu soubera do filme. Contaram-me que a procura era intensa. Fiquei feliz de antemão, porque antes mesmo de assistir o filme, eu soubera de suas qualidades. E faço questão de divulgá-lo, porque o que é bom, tem de se passar adiante.

domingo, 9 de agosto de 2009

ALEGRIA, RESULTADO DA COMUNHÃO - parte 2


É comum que se faça um link da alegria com a música. De maneira geral, a Bíblia associa estar feliz com o ato de cantar (Pv 25:20; 29:6). Especificamente, os salmos, hinos cantados no Templo e em festividades religiosas, eram conhecidos como canções alegres - até pelos outros povos (Sl 137:3). E quais motivos tinham os compositores desses hinos primitivos para expressar sua felicidade pela música? Uma rápida análise de alguns temas no livro de Salmos nos ajudará a encontrar a resposta.

Um tema frequente nos Salmos é o ato de cantar os feitos de Deus com alegria. Deus é reconhecido por atos específicos e grandiosos, como a Criação (Sl 19), o Êxodo (Sl 105), a volta do cativeiro (Sl137), etc. O homem se sente admirado e pequeno diante do que contempla (Sl 8:3, 4; 144:3), mas isso o impele a transmitir alegria em forma de canção (Sl 65:8; 92:4).

Uma das funções desses cânticos era anunciar os feitos de Deus (Sl 107:22); mas a alegria, cantada ou não, se aplicava igualmente em nível devocional: se Deus nos satisfizer com Seu amor todas as manhãs, cantaremos felizes (Sl 90:14). A alegria deve acompanhar as ações diárias de Deus (Sl 128:24).

Você percebe? Deus é o centro da alegria dos salmistas! Qualquer coisa que aludisse à presença de Deus deveria ser celebrada com alegria - tanto a arca, símbolo da aliança divina com o homem (Sl 132:8,9), como a cidade de Jerusalém, lugar da habitação de Jeová (Sl 137:6); a própria nação teria a felicidade condicionada a sua submissão a Deus (Sl 144:15).

Nosso Pai nos alegra quando nos é favorável (Sl 86:4). Na pessoa de Deus reside nossa alegria e esperança (Sl 146:5), porque Sua glória, ou seja, a revelação de quem Ele é através de Seu favor para com Seu povo, nos satisfaz (Sl 149:5).

Estritamente ligado a essa glória, os Salmos exploram o tema da justiça do Senhor. Você e eu não vivemos num mundo muito justo, não é? Os deputados não se reúnem decidindo em quanto vão aumentar nosso salário - mas o salário deles. No primeiro emprego depois de formados, recebemos um valor menor do que a mensalidade do curso que fizemos. Planos de saúde são cancelados na hora em que mais precisamos. Amigos nos deixam sem direito à despedida. Quando estamos cercados por injustiça de todas as formas, a mensagem de que a justiça do Senhor é real não poderia ser mais oportuna!

Continue lendo

Leia também:

Parte 1

Parte 3

A JUSTIÇA


Para os homens, entidade cega, alheia a parâmetros computáveis, que perdurem.

Para Deus, um de Seus atributos, e a personificação de Seu caráter.

A lei de Deus? Sua justiça expressa, sem necessidade de emendas e correções. Os homens? Habitantes de uma esfera injustiça, deturpada pela atuação equivocada deles mesmos. O contrito? O único que pode contrair justiça, aceitando, pela fé, o presente da cruz.

Justo são aqueles que se agarram às promessas do Senhor Justiça Nossa.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

BRINCANDO COM MENDIGOS


Depois de GTA e CS, só faltava esta : um jogo on line, no qual o jogador é desafiado a viver como mendigo. A visão desrespeitosa a seres humanos que vivem em condições sub-humanas não passou em branco. Protestos de ONGs espanholas querem proibir o jogo da empresa alemã Farbflut Entertainment. Mas esta briga não ficará apenas entre europeus: a empresa já divulgou uma nova versão, ambientada na América Latina!

Infelizmente, o pensamento de nossa época se preocupa mais em entreter do que em auxiliar...

ÀS MARGENS


O ouro sobre a carne podre. Seu olhar, quanta indignação! E os pés na carruagem. Resoluto à viagem para Damasco. Suplicantes os servos. Afinal, um banho apenas no rio – qual a diferença?

Num retorno, entre contrafeito e expectante, com passos rumo à margem. No horizonte, a casa do profeta. Nenhum sinal. O mergulho em águas barrentas, nada animador!… Outra vez. Mais outra. Sete ao todo. Sua consciência sob o influxo da certeza da mudança a caminho.

De outra banda, o Deus do Céu, Conhecedor daquele coração militar, mas sincero, enlameado, mais na ignorância da Verdade do que na sujidade do Jordão. O quadro instigador de considerações acerca da medida da fé, ou a respeito da compreensão nos estrangeiros. De qualquer forma, um quadro muito rico. E bem real.

O fato: após o sétimo mergulho, na saída do rio, visivelmente um outro homem. A pele de um vagente, tão rósea, sob as grossas casacas de alguém daquela posição. Com que disposição os pés apressados. E sem o aroma pútrido de um moribundo. Um renascimento. O eco de batidas na porta do profeta. O diálogo instrutivo.

As abas da veste úmidas, apenas pelas águas ou pela eventualidade de algumas lágrimas presentes? Qual espólio ou conquista à altura desta alegria pela cura?

A impressão benigna no rosto de cada servo, em responsos de contentamento. Por fim, a conexão entre a alma de um pagão, antes dura, e, no momento, já curada, com Aquela outra Alma, Benévola de tudo, conexão a partir do mergulho.

MAIS ESPIRITISMO E BRUXARIA NAS HQS


Não é novidade a influência do espiritualismo na cultura popular. Falando especificamente, as criações de Maurício de Souza não fogem à regra.

Em comemoração aos seus 50 anos de carreira, o maior cartunista brasileiro já anunciou que lançará algumas edições comemorativas de seus personagens.

Uma delas trará Michael Jackson no mundo dos mortos, ao lado da turma do Penadinho. Outro lançamento será uma adaptação de Harry Portter, intitulada "Cascão Portter". Em ambos os casos, se observa a tendência de valorizar o misticismo e ideias relacionadas à crença na imortalidade da alma, práticas religiosas contrárias aos ensinos bíblicos (Lv. 19:26; Sl. 115:17; Is. 8:19-20; Hb. 9:27).

Pena que as histórias se destinem ao público infantil, que não tem condições de avaliar o tipo de influência que está recebendo! Cabe aos adultos se lembrar de que travamos uma guerra espiritual (Ef. 6) contra um inimigo que camufla a si mesmo e às próprias intenções (2 Co. 11:14), visando nos destruir (1 Pe. 5:8). Fiquemos atentos!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O LEITO DE FERRO

Saberia o perfume e as concubinas,
Que realizam com sedução o monarca,
Quem espiasse a cena: nada é coisa parca
– Há pele de amorreus cosidas nas cortinas.

Descansam lanças de uma em mil carnificinas,
E o sangue que as nutriu negras paredes marca.
Descansam lanças, sem saber que vem vindo a arca.
Quem espiasse o quarto, observaria as tinas:

O rei impregna a barba usando óleo animal.
O rei é quase um animal, tanto que mede.
Sem saber que vem vindo a arca, olha a rica sede.

Em seu leito de ferro, o rei sonha algo mal;
O rei mal cabe em seu leito de ferro, o enorme.
Vem a nuvem, caminha Israel, o rei dorme.

PÉROLA DO VAZIO


Uma amiga me abriu a edição de hoje do Diário Catarinense, apontando para esta frase reveladora: "Não é defeito a gente querer se cuidar, manter a forma, ficar bonito. Não adianta querer se purificar espiritualmente, se evangelizar, se não tiver beleza, porque ela é a primeira coisa que conta para valer." (p. 3, frases).

A autora desta pérola do vazio é a atriz Susana Vieira. Diante da afirmação, restam algumas perguntas: para quem a beleza "conta para valer" - para nós ou para os outros?

Se for para nós, não é o caso de indagarmos por que perseguimos padrões de beleza com tanta fixação? Até que ponto temos de acompanhar a beleza fictícia retratada em novelas, filmes, anúncios e demais meios?

Mas se, por outro lado, a ideia é contentar outros, conclui-se que o ideal da vida consiste em abrir mão de suas opiniões e viver em função do gosto alheio?

Outra preocupação: qual a importância de se embelezar do ponto de vista espiritual? Pergunto isto, porque Susana coloca a aparência acima da questão espiritual; para ela, é infundado "se evangelizar" (alguém aí me explica como uma pessoa pode evangelizar a si mesma?) se eu não pus botox, apliquei próteses de silicone e fiz algumas cirurgias plásticas!

Realmente, o maior perigo da época em que vivemos é cuidar tanto do exterior a ponto de negligenciar a vida interior. É possível conciliar um cuidado equilibrado da aparência com uma vida espiritual profunda? Acredito que sim. E também creio que viveríamos melhor dentro desta perspectiva conciliadora.

Colaborou: Gielen Walczak


FAZENDO O MELHOR PELOS OUTROS



De mãos dadas com a sua mulher, o homem negro avança com nobreza até a saída da penitenciária. A imprensa e o povo se espremem na tentativa de vê-lo, acenando entre sorrisos confiantes. Os quase trinta anos de detenção não amenizaram as marcas de intrepidez no rosto de alguém que lutou pelo povo – uma luta pelo direito de voz e voto, de liberdade e cidadania, de justiça e igualdade para o homem negro. Era o fim do apartheid, regime que na África do Sul segregava desumanamente as pessoas de acordo com suas raças. As pressões internacionais aliadas às revoltas populares consolidavam a libertação de um dos maiores vultos do século XX: Nelson Mandela.
Ao longo da História, apenas poucos homens abraçaram causas humanitárias com tanto destemor e abnegação como Mandela. Isto porque é natural a todos nós buscar aquilo que é de nosso interesse, ao invés da procura por interesses alheios. Por este fator, a vida dos heróis que lutaram por seus países, povos ou grupos sociais nos emociona tanto!
Semelhante em disposição a Mandela, um estadista hebreu abriu mão de seus interesses, com o objetivo de priorizar o seu povo. Os judeus sofriam em exílio, inseridos em uma realidade mais atroz do que a enfrentada por homens e mulheres negros contemporâneos de Nelson Mandela. Tendo servido na corte desde a época de Nabucodonosor, o profeta Daniel permanecia na política, mesmo após a substituição da dominação babilônica pelo comando do império Medo-Persa. Na ótica do mensageiro de Deus, parecia que o cativeiro era interminável. Embora soubesse, pelo estudo das profecias de Jeremias (Jr 29:10) que o exílio duraria 70 anos, Daniel sentia-se inseguro, uma vez que nada em seu horizonte apontava para o final do cativeiro.
Uma possibilidade começou a se desenhar na mente daquele estadista experiente: será que o cativeiro não estava sendo postergado devido aos pecados do povo? Afinal, a própria razão de ser da condição dos judeus, arrastados para um país estrangeiro, tinha explicação na extrema rebeldia nacional, que os levara a rejeitar coletivamente a mensagem divina através de vários profetas, entre os quais contava-se o próprio Jeremias (2 Cr 36:15-21). Se o comportamento rebelde da nação se repetisse, como Deus poderia abençoá-los?

Como você é capaz de notar, Daniel, a quem a Bíblia não atribui nenhum erro específico e que sempre procurou manter uma conduta exemplar, tinha motivos suficientes para criticar a postura de seus compatriotas. Aliás, não é assim que agimos ao perceber erros na forma como a liderança da igreja atua? Não criticamos os organizadores quando o culto jovem fica aquém do esperado? Numa geração marcadamente influenciada pelo padrão de qualidade das emissoras de televisão, a exigência é constante. Temos uma percepção mais crítica em relação às atividades da igreja. Mas não para por aí. Tendemos a criticar indivíduos por suas deficiências e fracassos. Esse espírito corrosivo, invariavelmente, volta-se contra nós mesmos, agindo como um ácido sobre a espiritualidade – já que a crítica aos que nos rodeiam tira o foco de nós mesmos, deixamos de enxergar a “trave” de nosso olho enquanto reparamos no cisco que invade a retina do próximo (Lc 6:42)…
Daniel, felizmente, tinha outra mentalidade; ele resolveu orar por seu povo. Não foi uma corriqueira oração antes do almoço – Daniel realmente orou! Ele jejuou e deixou de usar as glamorosas roupas da realeza, passando a se cobrir com um tecido áspero, além de jogar terra sobre a própria cabeça, em sinal de humilhação na presença do Senhor. (Dn 9:3)
Por favor, não deixe esta cena passar despercebida: Daniel intercede pelo seu povo. Em sua oração, não há discriminação entre ele e Israel como um todo; os pecados são confessados em nome de um “nós”, que engloba indistintamente Daniel e toda a comunidade da qual ele fazia parte. Que auto-conceito equilibrado Daniel manifestou possuir! Longe de qualquer sentimento de prepotência ou arrogância, ele se inclui entre aqueles que necessitam de restauração espiritual (Dn 9:4-8).
Simultaneamente, o profeta e estadista revela um senso peculiar de dependência divina. Sua confiança na palavra de Deus confiada a Moisés praticamente dirige o raciocínio desta comovente oração (Dn 9:11-13).

Quando a nossa disposição é orar ao invés de criticar, algumas coisas mudam, primeiramente em termos de suprimento relativo às necessidades que nós temos. Deus nos atende quando vê não egoísmo, mas altruísmo no coração que ora. Afinal, ele sabe que, ao responder a prece do altruísta, a bênção se multiplicará, porque será repartida com outras pessoas. Não quer você também permitir que o Espírito Santo crie em você o desejo de interceder pelos anelos e urgências de outros? Deus o convida agora para olhar para algo maior do que o seu próprio umbigo – a mão estendida de quem carece do seu melhor!