quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A CONTRADITÓRIA AGENDA DE SCHEILA CARVALHO



Scheila Carvalho já foi arquétipo da mulher brasileira, ou pelo menos, de seu conceito popular. Sobretudo no exterior, a imagem da mulher brasileira ainda está, sem dúvida, associada à sensualidade. Não que os gringos sejam culpados por isso: afinal, com tanta exposição chula do corpo feminino no carnaval, não se podia esperar que vissem as brasileiras (até aquelas que não têm nada que ver com o “espetáculo”) de forma pejorativa.
Claro que muitas mulheres fazem carreira (des)valorizando o corpo – e aí estão as revistas masculinas para potencializar esse capital. Scheila, que já foi bancária antes da fama, foi capa de revistas desse tipo e se popularizou entre os marmanjos salivantes. Faltava à ex-dançarina do grupo É o Tchan consumar sua imagem de musa na Sapucaí. Aos trinta e oito anos, a moça finalmente desfilou, sendo a Mangueira a escola escolhida.
Além da participação no carnaval carioca, a mineira Scheila também agregou mais um ensaio fotográfico à sua coleção, realizado para um famoso site. Com toda essa carreira “mundana”, seria estranho pensar na modelo como uma pessoa religiosa. Entretanto, em recente participação no programa Muito Mais, da Rede Bandeirantes (exibido no último dia 26 de Fevereiro), Scheila Carvalho assumiu o desejo de ser missionária evangélica.
O assunto repercutiu no microblog Twitter, sendo um dos assuntos mais comentados da última Segunda-Feira, 27 de Fevereiro. Não deixa de ser assustador que alguém como Scheila, (que se, por um lado, mostra-se ligada à família, por outro, continua realizando ensaios fotográficos sensuais) deseje trabalhar na obra de Deus. Obviamente, Deus transforma pessoas. Ele ama a todos e pode usar os que se dispuserem.
Ao mesmo tempo, não podemos nos esquecer de que o Senhor espera de nós a santidade: “vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo.” (1 Pe 2:5, NVI). O apóstolo também continua dizendo que devemos nos abster “dos desejos carnais que guerreiam contra a alma” (v.11). Orientando o jovem Timóteo sobre critérios para a escolha de líderes da igreja, Paulo também observou que se escolhem pessoas de “boa reputação” e “consciência limpa”; especialmente sobre as mulheres, pede-se que sejam “dignas, não caluniadoras, mas sóbrias e confiáveis em tudo”. (1 Tm 3:7,9, 11).
Jesus é poderoso o suficiente para recuperar alguém da vileza do pecado e utilizá-lo em seu serviço. Mesmo Maria, uma prostituta, tornou-se a primeira a anunciar Sua ressurreição. Mas deve haver abandono do pecado (1 Co 6:9-10). Se continuarmos nas mesmas práticas, o Senhor não pode aceitar nosso serviço dividido. “Não podeis servir a dois senhores”, é a séria advertência que Deus faz para todos nós (Mt 6:24).


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ANTES DO UNIVERSO HAVIA... O UNIVERSO?!


Pior ainda, o enunciado “o universo pôde e quis criar a si mesmo do nada”, é auto-contraditório. Se eu disser “X criou Y”, isto pressupõe a existência de X em primeiro lugar com o propósito de trazer Y à existência. Se eu disser “X criou X”, eu pressuponho a existência de X a fim de causar a existência de X. Pressupor que a existência do universo cause sua existência é logicamente incoerente.

John Lennox, Gunning for God: why the new atheists are missing the target (Oxford, UK: Lion Book, 2011), p. 32.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

ADVENTISTAS E AS "IGREJAS ADAPTADAS"


Quando se começa a direcionar uma congregação, o evangelho perde sua abrangência e passa a ser limitado. Mesmo que o objetivo seja alcançar um grupo específico, o que é louvável, não se pode tornar isso mais do que o alvo de um ministério da igreja; afinal, quando essa meta se torna o próprio alvo, e o alvo de toda a congregação, a igreja renuncia ao que é: uma assembleia de pessoas diferentes que, unidas pelo Espírito, têm o desafio de conviver em harmonia, enquanto se mantêm em comunhão mútua e com Deus.
Automaticamente, surge uma outra consequência negativa, para além da limitação decorrente se fixar em um público alvo: o nivelamento com a cultura desse referido público. Uma igreja que queira alcançar moradores da periferia usará jargões e hip hop, pensando em soar atrativa. Uma congregação voltada aos jovens, investirá em ambiente clean, vestimentas casuais, muita interação e recursos multimídia. Quem quiser atrair o público de meia idade, precisará usar decoração retrô, aspecto institucional e manter a formalidade.
Em suma: qualquer congregação que ambicione restringir seu evangelismo a grupos específicos norteará suas práticas pela cultura, em detrimento da Bíblia. Pesquisas de opinião, equipes de voluntários e líderes associados em constante treinamento e nada de exegese ou preocupação doutrinária. Basta seguir os passos de pioneiros evangélicos como Rick Waren e Bill Hybels. Agora, se os seus pioneiros forem William Miller, Joseph Bates e James White, o modelo congregacional será outro.
Há décadas, os adventistas namoram as metodologias evangélicas. Simplesmente porque as igrejas deles crescem. Congregações com milhares de membros – um sonho de consumo para muitos líderes religiosos! Mas a que preço? Ou: alguém já se deu conta de que muitas dessas congregações possuem membresia rotativa e que, passadas algumas décadas ou mesmo anos, perdem boa parcela de seus membros ativos, por decepções ou mera falta de maturidade cristã? Afinal, que tipo de igreja buscamos ser?
Virtualmente, seria impossível criar modelos de igreja que dessem conta de alcançar todos os grupos sociais. Mesmo porque tribos urbanas, tendências e outros modismos surgem a todos os tempos. Ademais, no mundo pós-moderno, as pessoas não suportam rótulos. O roqueiro pode não ser o cabeludo tatuado, mas a simpática vizinha de origem nipônica que sai para passear com seu poodle. O atendente da pastelaria mais próxima pode ser um campeão de games online, embora ele seja um respeitável pai de família com idade superior a trinta anos. Categorizar as pessoas incorre no risco de agir de forma preconceituosa, o que mais serviria para afastá-las do que aproximá-las da igreja.

Seríamos mais efetivos nos aproximando das pessoas de nossa convivência. Deveríamos tratar a todos como indivíduos, exatamente como Jesus fazia. E ao compartilhar amorosamente a verdade universal do evangelho, poderíamos, com o tempo, conduzi-las para a frequência aos cultos. Nesse ponto, não precisaríamos nos preocupar em adaptar a igreja para receber gente diferente, porque, após o contato inicial conosco, elas saberiam o que esperar de uma igreja adventista. Por séculos, isso funcionou muito bem – com romanos secularizados, pagãos, espiritualistas, pessoas elitizadas, intelectuais céticos e uma gama enorme de pessoas. Por que seria diferente no século XXI?

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A "YVANGELIZAÇÃO"

Cada período da história testemunha as tensões entre evangelho e cultura. O evangelho não se coloca em plena antagonia com a cultura vigente. Por exemplo, faz parte da cultura brasileira o uso de uma forma peculiar da língua Portuguesa, distinta daquela que encontramos em outros países, como Angola e Portugal, por exemplo. Ao converter-se ao cristianismo, não é preciso deixar o idioma materno. Continuamos brasileiros, herdeiros de uma cultura diferente da norte-americana e da japonesa. Cristãos brasileiros terão alguns gostos e costumes diferentes daqueles que se esperaria encontrar em seus irmãos de fé em outra nacionalidade.

Entretanto, o cristianismo oferece uma profunda reestruturação da cultura, reformando valores que lhe sejam contrários. A cultura brasileira sofreu influências múltiplas, entre as quais a de Portugal, país que nos colonizou. Como um país católico, Portugal transmitiu uma religiosidade particular ao povo brasileiro, sendo que um dos aspectos é o compromisso dúplice: o católico assiste ao serviço religioso (missa), participa de solenidades religiosas (e temos muitos feriados religiosos no Brasil!), mas, em geral, não se compromete com valores católicos no dia a dia. O catolicismo popular também é sincretista – tende a se aproximar de outras expressões de fé, o que explica tantos católicos umbandistas e espíritas em nosso país.

Não poucos adventistas recém-conversos, por causa da cultura disseminada, continuam vivendo a dualidade entre fé professada e vivência, além de serem sincretistas (incorporando à sua crença aspectos de outras, especialmente do mundo pentecostal). Porém, a obra do evangelho não estará completa até que essa herança cultural seja abandonada e nossas percepções e comportamentos se formem na vida do novo cristão.

Nem sempre o processo é imediato. Comumente, decorrem anos até que alguns valores não cristãos ou distorções sejam corrigidos. Em todo caso, a cultura não deve permanecer intocada: o evangelho a inspecionará, corrigindo tudo o que for necessário, para haver um amadurecimento espiritual autêntico.

Muito do que dissemos será posteriormente analisado em detalhes. Por enquanto, isso nos servirá à guisa de introdução ao tópico de nosso interesse: como os adventistas devem reagir no contexto à geração Y? Se em cada período da história houve tensões entre cultura e evangelho, não se pode afirmar que o cristianismo tenha superado sempre seus desafios. Em muitos casos, ocorreu contaminação da fé cristã, que, ao contrário de reinterpretar a cultura, foi reinterpretada e até mesmo completamente assimilada por ela! De certa maneira, essa tendência é natural: onde quer que os cristãos tenham dado, mesmo que inconscientemente, prioridade às normas e conceitos da cultura dominante, sua fé se descaracterizou.

O processo já vem afetando os jovens adultos adventistas, muitos dos quais mantém as mesmas crenças, mas sob um novo prisma. Para eles, por exemplo, evangelizar outros compartilhando sua fé é algo apenas subjetivo. De alguns dos ensinos adventistas eles não discordam – apenas deixam de enfatizá-los.[1] Na década passada, o livro que talvez melhor represente essa tendência é Adventism for a new generation, de Steve Daily.

Daily se propõe a escrever para jovens adventistas em uma era pós-cristã, mas suas opiniões lastimavelmente refletem uma postura infectada pelas ideias pós-modernas. Ele afirma, por exemplo, que o significado de 1844 é embaraçoso para os adventistas e acaba por fazer uma série de aplicações meramente existenciais da doutrina do santuário; mais à frente, ele lamenta que a doutrina do santuário tenha sido usada por “líderes da igreja adventista para remover e excomungar um dos mais cristocêntricos teólogos que a igreja produziu, num evento por meio do qual muitos jovens adventistas se desiludiram.” A referência é óbvia: trata-se do teólogo australiano Desmond Ford, que no início dos anos 1980 negou a doutrina adventista da expiação a partir de 1844. Além disso, o autor insiste haver tensões entre nossa afirmação de crer simultaneamente no princípio Sola Scriptura e na inspiração dos escritos de Ellen White. A solução? Segundo o escritor, precisamos voltar a atenção em Cristo, “por ser esse o objetivo de toda reforma e todo profeta.” Em outras palavras, se o que Ellen White escreveu parece divergir da Bíblia, não tente conciliar – fique com a Bíblia e esqueça dos escritos dela! [2]

Para Steve Daily, ser cristocêntrico consiste em negar doutrinas distintivas. Sua defesa do adventismo na verdade dilui o movimento, tornando-o tão útil em nossa época como uma cesta de guloseimas num front de guerra! Essa visão do evangelho se assemelha com a visão distorcida que Paulo combateu, a qual era chamada por ele de “outro evangelho” (Gl 1:7-9). O evangelho aculturado à geração Y é, na verdade, um “yvangelho”, diferente daquele que encontramos nas Escrituras.Pregar a essa geração não implica em nos limitar a apresentar o “yvangelho”, porque apenas o genuíno evangelho é o poder de Deus que salva (Rm 1:17).

Por outro lado, não há problemas do uso de novas mídias ou de estratégias evangelísticas dinâmicas, que lancem mão de recursos audiovisuais. Eu mesmo tenho experimentado abordagens bem diversificadas nas aulas de ensino religioso em minha função como capelão. A monotonia no culto pode ser o pior assassino do interesse no evangelho. A geração Y precisa ver que o evangelho funciona no mundo real e que participação na igreja, a comunidade do Senhor Jesus, é mais benéfica do que a adesão às comunidades virtuais. Embora o cristão possa usar a internet como recurso valioso para alcançar pessoas com a mensagem do evangelho, “conectar-se com outras pessoas online não é um substituto para a interação face a face.” [3]

Partindo do que tenho visto e praticado, no contexto de uma instituição cristã e igrejas locais, sugiro alguns princípios para alcançar a geração Y, os quais podem ser aplicados em quaisquer congregações:

1.Promova o evangelho integral: a geração Y quer resolver problemas reais. Muitos amordaçam a mensagem da cruz ao aspecto espiritual, entendido em um sentido místico distante ou existencial. Falta mostrar como o evangelho é poderoso para reformar a política, a educação e desafiar conceitos bem estabelecidos, como o evolucionismo e o marxismo, por exemplo. Se o evangelho for exaltado em suas implicações para cada área da vida, ele soará não só verdadeiro, como atrativo;

2.Cultive interação pessoal: pessoalmente, estou desapontado com programas de recepção de igreja, que, em geral, ensinam a sorrir e a anotar nomes. Ninguém quer encontrar na igreja o mesmo tipo de abordagem daquela presente em um consultório odontológico! Receber bem as pessoas é deixá-las à vontade entre nós, sem usar um adesivo na roupa, com o constrangedor informe: “visitante”. Cada membro de igreja deveria se interessar por se aproximar pessoalmente de pessoas novas, oferecer-se por visitá-la e buscar introduzi-las a outros membros da igreja. Isso sem que o dirigente do culto diga em público: “agora, cumprimente o visitante ao lado”;

3.Adote renovação metodológica consciente: As reuniões da igreja não precisam ser sempre formais e seguir um protocolo de “cantar, levantar, orar, ouvir, cantar, orar e sair”. Pequenas encenações, testemunhos, grupos de estudo, apresentação de vídeos bem selecionados ou produzidos por membros da igreja, uso de recursos tecnológicos, entre outras coisas, podem embelezar cultos evangelísticos, programas jovens e pequenos-grupos, desde que não se constituam versões “batizadas” de programas seculares. A repetição é a melhor forma de sabotar qualquer culto. Especialmente os adolescentes demonstram repulsa à rotina. Outrossim, não precisamos incorporar práticas de outros grupos religiosos, nem tornar o culto extremamente emocional para que ele soe criativo e contextualizado. Há algumas semanas, um rapaz comentou comigo ao término do culto que a forma como introduzi o sermão fez com que ele ficasse curioso para ouvir sobre o assunto – prova de que algo simples pode causar um impacto profundo se for feito com criatividade;

4.Apresente o Cristo Vivo: Jesus afirmou que quando fosse levantado na cruz atrairia todos a Si mesmo (Jo 12:32). Falta que O exaltemos como Salvador crucificado, Redentor ressurreto, Sumo Sacerdote atuante e Rei vindouro. Quando Ele for apresentado em todos os aspectos, as pessoas perceberam que o evangelho é mais do que a velha história do “Jesus morreu por você”. É óbvio que nosso Senhor veio morrer pelos seres humanos. Acontece que essa mensagem é repetida inutilmente como um bordão acinzentado, em apresentações simplórias que passam a não cristãos a impressão de que os crentes são intelectualmente rasos e superficiais. Nada mais contrário à verdade: o evangelho verdadeiro aponta para um Cristo suficiente em todos os aspectos, presente em nossa vida e autor de um intrincado plano para reverter o abismo entre Deus e homem. A pessoa de Jesus, em conexão com Suas doutrinas, numa apresentação clara e culturalmente compreensível, constitui a solução para as necessidades da geração Y;

Em nível pessoal, cada cristão deve fazer uso apropriado da internet. Quando alguém se expressa na rede, também está afirmando sua identidade, por meio de preferências e da forma como se apresenta. Cristãos adventistas não deveriam abrir mão de oportunidades para o testemunho mesmo quando conectados; pelo contrário: ao aproveitar o leque de possibilidades virtuais, estariam dizendo que é possível gozar momentos de lazer sadio e expressar opiniões coerentes com os valores que professam.

No oceano de futilidade que nos cerca, podemos acrescentar alguns caracteres diferentes em nossas mensagens. Não fotos de quem se pretenda modelo profissional ou links para vídeos de humor vulgar; mas o suave perfume do evangelho em todas as mídias, como uma declaração consciente de que pertencemos não a esse mundo. Usar a novidade das tecnologias para falar da novidade que a esperança em Jesus oferece é uma necessidade no século XXI.

Esse artigo tencionou introduzir o leitor no contexto desafiante da pós-modernidade, momento do pensamento humano que inclui a geração Y. Se nosso entendimento da pós-modernidade se limitasse ao que dissemos anteriormente, ele seria bastante limitado e insuficiente para resolver todas as questões que se lançam contra o movimento adventista. Diríamos, a título de comparação, que a geração Y é a ponta do iceberg. Desafio o leitor para seguir e mensurar o iceberg completo.


[1] Winfread Vogel, Biblical Truth in the context of new modes of thinking, JATS, 9:1-2 (1988), p. 119. Vogel cita o artigo de Rubén René Dupertius, Young adults make adventism their own, Adventist Today (Mar-Abr 1997), p. 20.
[2] Steve Daily, Adventism for a new generation (Portland/Clackamas, Oregon: Better living Publishers, 1994), p. 62, 180, 76,77. Além de Desmond Ford escrever um endosso à obra na contra-capa, o conhecido autor evangélico Tony Campollo assina o prefácio, evidências do caráter light do adventismo apresentado no volume.
[3] Adam Thomas, Digital disciples:real christianity in virtual world (Nashville, Tenesse: Abingdon Press, 2011), p. 36.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

FEVEREIRO DE 2012: NOVO TERREMOTO ATINGE AS FILIPINAS


Um terremoto de magnitude 6,7 abalou a região central das Filipinas nesta segunda-feira, 6, matando ao menos 13 pessoas, afirmam as autoridades. O tremor ainda destruiu prédios e causou deslizamentos de terra que soterraram dezenas de casas e seus moradores. Pelo menos 29 pessoas estão desaparecidas.

Bullit Marquez/APSismólogo mostra a atividade sísmica perto das ilhas filipinasO terremoto ocorreu às 11h49 locais (1h49 em Brasília) e teve o epicentro próximo da Ilha dos Negros, a 20 quilômetros de profundidade, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Um grande deslizamento ocorreu na cidade de Guihulngan, de 180 mil habitantes, deixando 30 casas soterradas e 29 desaparecidos, segundo o prefeito Ernesto Reyes. "Vamos esperar pelo melhor, para que ainda haja sobreviventes", disse, acrescentando que as equipes de resgate trabalham no local.

Reyes disse que ao menos dez pessoas foram confirmadas como mortas na cidade, incluindo estudantes de uma universidade e de uma escola primária. Pessoas que estavam em um mercado que desabou também morreram. Há ao menos cem feridos.

O tremor também causou um deslizamento na cidade de La Libertad, também na província de Negros Oriental. O chefe da polícia local disse que há um número indefinido de pessoas soterradas. "Estamos pegando as ferramentas para começar o resgate. Algumas pessoas estavam gritando anteriormente", disse o oficial. Três pontes estão danificadas e estão intransitáveis.

Em Tayasan, uma cidade costeira de 32 mil habitantes e cercada por montanhas e a mais próxima do epicentro, duas pessoas morreram. Uma criança morreu quando uma igreja desabou em Jimalaud.

Os sismólogos filipinos chegaram a emitir um alerta de tsunami para as ilhas centrais, mas não houve feridos, apesar de algumas barracas montadas no litoral terem sofrido danos com ondas maiores que o costume. Houve mais de 40 réplicas e os moradores da região não voltaram para suas casas por conta dos tremores. As autoridades suspenderam o expediente e as aulas. O fornecimento de energia elétrica e os serviços de telecomunicações foram cortados em algumas áreas.

As Filipinas estão localizadas no Anel de Fogo do Pacífico, onde a atividade vulcânica e sísmica é bastante comum. Em 1990, um terremoto de magnitude 7,7 matou quase 2 mil pessoas em Luzon.

Estadão