segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

ADVENTISTAS E AS "IGREJAS ADAPTADAS"


Quando se começa a direcionar uma congregação, o evangelho perde sua abrangência e passa a ser limitado. Mesmo que o objetivo seja alcançar um grupo específico, o que é louvável, não se pode tornar isso mais do que o alvo de um ministério da igreja; afinal, quando essa meta se torna o próprio alvo, e o alvo de toda a congregação, a igreja renuncia ao que é: uma assembleia de pessoas diferentes que, unidas pelo Espírito, têm o desafio de conviver em harmonia, enquanto se mantêm em comunhão mútua e com Deus.
Automaticamente, surge uma outra consequência negativa, para além da limitação decorrente se fixar em um público alvo: o nivelamento com a cultura desse referido público. Uma igreja que queira alcançar moradores da periferia usará jargões e hip hop, pensando em soar atrativa. Uma congregação voltada aos jovens, investirá em ambiente clean, vestimentas casuais, muita interação e recursos multimídia. Quem quiser atrair o público de meia idade, precisará usar decoração retrô, aspecto institucional e manter a formalidade.
Em suma: qualquer congregação que ambicione restringir seu evangelismo a grupos específicos norteará suas práticas pela cultura, em detrimento da Bíblia. Pesquisas de opinião, equipes de voluntários e líderes associados em constante treinamento e nada de exegese ou preocupação doutrinária. Basta seguir os passos de pioneiros evangélicos como Rick Waren e Bill Hybels. Agora, se os seus pioneiros forem William Miller, Joseph Bates e James White, o modelo congregacional será outro.
Há décadas, os adventistas namoram as metodologias evangélicas. Simplesmente porque as igrejas deles crescem. Congregações com milhares de membros – um sonho de consumo para muitos líderes religiosos! Mas a que preço? Ou: alguém já se deu conta de que muitas dessas congregações possuem membresia rotativa e que, passadas algumas décadas ou mesmo anos, perdem boa parcela de seus membros ativos, por decepções ou mera falta de maturidade cristã? Afinal, que tipo de igreja buscamos ser?
Virtualmente, seria impossível criar modelos de igreja que dessem conta de alcançar todos os grupos sociais. Mesmo porque tribos urbanas, tendências e outros modismos surgem a todos os tempos. Ademais, no mundo pós-moderno, as pessoas não suportam rótulos. O roqueiro pode não ser o cabeludo tatuado, mas a simpática vizinha de origem nipônica que sai para passear com seu poodle. O atendente da pastelaria mais próxima pode ser um campeão de games online, embora ele seja um respeitável pai de família com idade superior a trinta anos. Categorizar as pessoas incorre no risco de agir de forma preconceituosa, o que mais serviria para afastá-las do que aproximá-las da igreja.

Seríamos mais efetivos nos aproximando das pessoas de nossa convivência. Deveríamos tratar a todos como indivíduos, exatamente como Jesus fazia. E ao compartilhar amorosamente a verdade universal do evangelho, poderíamos, com o tempo, conduzi-las para a frequência aos cultos. Nesse ponto, não precisaríamos nos preocupar em adaptar a igreja para receber gente diferente, porque, após o contato inicial conosco, elas saberiam o que esperar de uma igreja adventista. Por séculos, isso funcionou muito bem – com romanos secularizados, pagãos, espiritualistas, pessoas elitizadas, intelectuais céticos e uma gama enorme de pessoas. Por que seria diferente no século XXI?

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