terça-feira, 31 de dezembro de 2013

GRATIDÃO E... 3, 2, 1...


Muito para agradecer e expectativas de grandes coisas que o Senhor certamente realizará: assim se inicia o ano de 2014. O Questão de Confiança deseja a todos os seus leitores dos quatro pedaços do globo as mais ricas bênçãos do Céu! Aqui continuará sendo o canal de contato com coisas espirituais, articuladas de um jeito engajado e direto. Prepare-se para novidades, comentários intrigantes e intransigência com aquilo que é o pecado (mesmo em suas formas sutis e socialmente abraçadas). Um forte abraço. E que venha 2014 – um ano a menos para quem espera pelo Senhor. 


sábado, 28 de dezembro de 2013

POR QUE AINDA EXISTEM CONTROVÉRSIAS SOBRE ADORAÇÃO ENTRE ADVENTISTAS?


Há meses contatei um editor cristão sobre a possibilidade de escrever algo sobre critérios para a adoração. Responsável por revista voltada aos jovens, ele foi sincero: “tenho fugido desse tipo de discussão!”. Não sei se posso culpa-lo, porque, infelizmente, discutir sobre o assunto parece ser ultrapassado ou soar uma declaração de guerra, dividindo gostos e tendências. Claro que dentro de um repertório aceitável haverá espaço para se gostar mais daquele ou desse hino. O problema surge quando o gosto nos leva a abandonar critérios revelados por meros critérios pessoais (moldados pela natureza pecaminosa, que se coloca contra o que Deus revelou).
Adoração constitui algo multifacetado e envolve o tipo de música a ser escolhido (embora não se restrinja a isso). Nisso reside boa parte da controvérsia sempre em pauta. Não é simples questão de música antiga ou nova, como alguns pretendem simplificar; tal simplificação empobreceria a discussão! No mais, o gosto de qualquer época não me parece critério confiável e final para estabelecer se determinado tipo de música seja aceitável a Deus ou não. Em todos os tempos, há produções boas e ruins, o que parece inegável. A grande questão: é contraditório assumir a moldura teológica do grande conflito e continuar concebendo a música como mero fenômeno artístico de seres humanos, como se toda música fosse equivalente e não passasse de "música". Há cosmovisões regendo a arte e influenciando toda a liturgia, desde a maneira como cantamos, o que cantamos, quando cantamos e o que mais fizermos durante o culto.

Músicas imperfeitas, mas bem direcionadas

No fundo, encontramos a relação entre cristianismo e cultura. Logo, não é qualquer música que serve para a adoração, da mesma forma que muitas atitudes não seriam toleráveis ao cristão, embora culturalmente aceitáveis. Um exemplo: ir ao cinema é culturalmente aceitável, uma forma de entretenimento “inocente”. Contudo, seria apropriado a um cristão? Nós, como adventistas, temos luz sobre o assunto? A revelação ultrapassa os limites da cultura, reformando aquilo que em nossa vida contraria os princípios da palavra de Deus. O que torna algo apropriado é sua coerência com a revelação.
Tenho conversado com muitas pessoas e agradeço pelo que aprendi com pastores, músicos, acadêmicos e todo tipo de gente. Refletir sobre música e adoração pode levar a uma cilada, se não estabelecermos alguns limites. De que tipo de música estamos falando e em qual contexto de adoração? Se vamos falar de música adventista, isso inclui pautar a discussão pela Revelação – Bíblia e Espírito de Profecia. Evidentemente, a melhor música humana não é fruto de uma revelação direta de Deus; os salmos entrariam nessa categoria, porém, o que restou deles foi a letra. Ninguém seria capaz de estabelecer que algumas melodias judaicas atribuídas a certos salmos sejam de fato as composições originais. Desse modo, toda música é tentativa de adoração limitada (pela pecaminosidade humana, em primeiro lugar, mas também pela cultura, pela compreensão da revelação, etc). Entendo que Deus aceite nosso melhor quando obedecemos Seus critérios, assim como o demonstra a história da salvação. E como isso funciona na prática?

O melhor para a sua saúde

A relação entre o adventismo e a adoração pode ser compreendida se recorrermos à ilustração de uma mulher que deseja se manter saudável. A moça leu sobre princípios dietéticos e descobriu que fatores simples garantem a boa saúde. Elementos como alimentação balanceada, exercícios físicos regulares, ar puro, luz solar, descanso apropriado, comunhão com Deus, uso abundante de água e equilíbrio não apenas regulam o peso, mas dão condições para se viver bem.
Infelizmente, um dia a mulher se cansa de todas essas regras. Como é difícil evitar doces e frituras – sem contar que uma alimentação regrada não se harmoniza com sua vida social! Dormir bem é um luxo que o trabalho não permite; beber a quantidade suficiente de água em dias frios é desafiador; luz solar e ar puro em uma cidade grande? Claro que o estilo de vida desengonçado gera estresse e sobrepeso. A mulher se preocupa. O que fazer?
Existem sempre dietas à disposição: regime da sopa, da lua, dos carbo-hidratos, dieta do sangue… A cada nova tentativa, resultados satisfatórios apenas a curto prazo (quando muito!). O efeito sanfona (emagrecer e voltar a engordar rapidamente) gera mais frustração (e estrias!). Logo chega o dia em que a pobre mulher se lembra de como era feliz vivendo com os princípios de uma vida saudável, quando não precisava se torturar para emagrecer.
Com o adventismo não é diferente. Os pioneiros inovaram a teologia quando levaram o princípio sola-scriptura (a Bíblia como única regra de fé) às últimas consequências. Olhe para eles: não eram perfeitos. Tinham muitas limitações e demoraram para abrir mão de sua herança teológica anterior, a qual variava quase de indivíduo para indivíduo. Muitos renegavam a trindade ou fumavam, comiam carne de porco e entendiam as mesmas verdades sobre prismas completamente opostos (como eles não se mataram, eu não sei!).
Com o passar dos anos, sua fé na Bíblia foi capaz de reformá-los e levar a uma compreensão de seu papel no mundo: tinham de anunciar o Juízo final e convidar as pessoas para adorar o Criador (Ap 14:6-7). Sua identidade e missão foi derivada da verdade bíblica, baseada em uma compreensão única do ministério de Cristo no santuário celestial. Todavia, lembre-se de que muitos pioneiros demoraram para deixar o fumo, a carne de porco e chegar à conclusão de qual o horário para a guarda do sábado. Meu ponto é: eles são nosso modelo pelas fidelidade às convicções teológicas e pela hermenêutica radicalmente voltada para a Bíblia por si (ignorando a tradição). Não acertaram em tudo, mas experimentaram crescimento, justamente por confiar na Bíblia e somente nela. Nós não avançamos como eles porque (1) nos acomodamos; (2) passamos a nos identificar com os evangélicos e seguir suas tradições e (3) o resultado veio: ignorância bíblica (embora ainda vivamos com algum crédito que os pioneiros suaram para conquistar!).

Qual o desafio?

Qual o desafio atual da igreja na área da adoração? É refinar a cultura. Não estou aludindo ao “eruditismo”, mas ao princípio sola scriptura – se usássemos a Bíblia para nos dirigir em reformar a cultura, teríamos um culto vivo, sem a necessidade de apelar ao sensacionalismo. Alguns acreditam que músicas diferentes, de teor mais próximo aquelas cantadas por igrejas carismáticas, dariam nova vida ao culto adventista. Voltando ao exemplo anterior, seria como apelar a todo tipo de regime enquanto abandonamos os princípios de saúde! Por que isso não daria certo?
Já falamos sobre como tudo na adoração deveria ser regido por uma cosmovisão bíblico-cristã, que assumisse o fundamento da Bíblia e o aplicasse na transformação da cultura (um processo que exige a participação de uma igreja reavivada, especialmente de músicos que apliquem seu talento na direção da revelação). Enquanto reproduzirmos os que os evangélicos fazem, apenas chegaremos onde eles estão –  divididos entre si, presos a tradições e tendências extra-bíblicas. Porém, podemos construir uma teologia de adoração bíblica, que nós leve a uma experiência vibrante, sem cair no modismo de algumas formas de adoração contemporânea e sem ser passadista.
Quando adotamos músicas de tendências carismáticas, ocorre lentamente uma transformação macro-hermenêutica. Quer dizer que isso afeta os pressupostos (quem é o ser divino e como Ele deve ser adorado). Podemos sustentar as mesmas doutrinas (nível meso-hermenêutico), mas a abordagem será diferente, modificando a relevância delas e até seu conteúdo. É claro que isso tem um impacto sobre à teologia em nível prático, afetando o que as pessoas creem a médio e longo prazo. A maior demonstração de que estamos passando de uma base bíblica para outra, carismática e ecumênica, é a divergências entre estudiosos no meio adventista em questões envolvendo adoração e, sobretudo, estilo de vida. Para simplificar: qualquer um de nós brasileiros (ou sul-americanos) estranharíamos profundamente o perfil dos adventistas europeus ou de algumas regiões dos Estados Unidos (onde alguns já usam o rótulo de adventistas contemporâneos, em contraponto aos adventistas históricos e demais configurações diferentes do mesmo movimento!).

Ajudaria “apimentar a relação”?

Um exemplo mais. Quando um casal vai mal, quando a relação dos dois parece marcada por tédio e insatisfação, imagine se eu lhes sugerisse trocar de parceiros, apenas para “experimentar algo novo”? Obviamente, eu não salvarei o casamento deles assim, mas eu o destruirei de vez! Não vejo que o culto adventista seja o problema, mas é nossa relação com Deus que se acha desgastada. O pecado e a inércia nos impedem de progredir na direção apontada pelo próprio Senhor. “Apimentar a relação” com músicas comuns aos cultos pentecostais (concebidas e usadas com outra função) não restabelecerá o princípio do culto bíblico, apenas nos afastará dele (e de Deus, consequentemente).

Volto a afirmar: não creio que toda produção atual seja descartável, nem que tudo o que o passado produziu deve constar em um altar! Acredito que haja espaço para músicas novas e seleção de boas músicas do passado. O ponto nevrálgico se encontra justamente nos critérios de seleção e produção de coisa nova. Se não nos pautarmos pela Revelação, vamos continuar justificando tudo o que produzimos em nome do Senhor, como se a desobediência pudesse ser justificada! Por outro lado, acredito em um Deus que ama professores e forneceu a base para uma pedagogia adventista adequada (mas nunca vi um plano de aula entre os escritos de E.G. White!); da mesma forma, Deus nos deu um regime alimentar saudável (e olha que E.G. White não deixou receitas ou cardápios!); profetas bíblicos constantemente se envolviam em assuntos político-econômicos (e você não verá o esboço de um plano de governo escrito por Jeremias ou Ezequiel!). A revelação dá diretrizes, princípios. São os músicos que têm de estuda-los e aplica-los, com a ajuda daqueles que estudam esses escritos inspirados. Deus trabalha com instruções específicas, mas não com regras fixas. Discernimento espiritual é o que nos ajuda a diferenciar um do outro.

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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

ELLEN G. WHITE - COMO APROVEITAR MELHOR SEU NATAL


Pelo mundo os feriados são passados em frivolidades e extravagância, glutonaria e ostentação. ... Milhares de dólares serão gastos de modo pior do que se fossem lançados fora, no próximo Natal e Ano Novo, em condescendências desnecessárias. Mas temos o privilégio de afastar-nos dos costumes e práticas desta época degenerada; e em vez de gastar meios meramente na satisfação do apetite, ou com ornamentos desnecessários ou artigos de vestuário, podemos tornar as festividades vindouras uma ocasião para honrar e glorificar a Deus.
Ellen G. White, O Lar Adventista, p. 480.

VENHA, EMANOEL!

MEGA PROMOÇÃO DE NATAL


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(Obs: as entregas serão feitas a partir de Fevereiro, devido às minhas merecidas férias)

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

REDUITE EN MIETES (REDUZIDO EM PEDAÇOS)


Quase. A asa se ergue em vão, desperdício ofegante:
Barro e não nuvens, pó, não estrelas. Fracasso.
Clama ávido o receio ao se ensaiar um passo.
Estagna como um bibelô vítreo na estante.
O Salvador lhe quer desse modo: hesitante,
Para que você queira o amparo de Seu braço.
Mesmo pisada, a uva ainda, em toneis de aço,
Fermentada será em vinho borbulhante.
O teto japonês se inclina e não se esforça,
Por isso vence a neve. O mal vira em bem quando
O tumor da baleia aromatiza o mar.
Nem forte como o urso ou veloz como a corsa,
O homem fracassa. Obtém vitória em Deus confiando
–Vitória que por si não iria alcançar.

Leia também: Um ato de risco


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

RELIGIÃO COMO PRETEXTO PARA DOMINAR


“[...]a Roma pontifícia teve sempre por lei escravizar as consciências ao clero e o poder temporal à igreja. [...] a história da influência papal no mundo, há muitos séculos, não é senão a história do derramamento de um novo paganismo, tão cheio de superstições e impiedades como o mitológico, - de um paganismo novo, formado à custa da tradição evangélica, impunemente falsificada pelos romanistas. [...]
“[...] A religião, a autoridade moral não é, há muitos séculos, para o papado, outra cousa que ocasião, arma, pretexto de ingerência na administração temporal do estado. [...]” Rui Barbosa, O papa e o concílio, v. 1, p. 22 e 23.

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ATÉ QUANDO?

domingo, 22 de dezembro de 2013

A CONEXÃO COM A MÚSICA E A DESCONEXÃO COM A PALAVRA


Já é frequente nos meios adventistas o conceito de que a música se presta ao papel de conectar o adorador com Deus. Cantar leva a sentir Deus de forma mais íntima. Como reflexo disso, não apenas se canta mais, criando um longo espaço dedicado ao canto congregacional (em algumas congregações, o tempo dedicado ao canto é maior do que qualquer outro momento do culto), como também fica implícita (ou explícita mesmo?) a ideia de que cantar seja a parte principal do culto. Os que pensam assim reforçam o poder da música, com sua capacidade de nos atingir de forma mais completa do que um sermão.
Sutilmente, o tipo de músicas cantadas vem mudando. Saem de cena os hinos tradicionais (muitos herança da reforma protestante do século XVI ou de hinários consagrados dos séculos XVIII e XIX) para composições contemporâneas. Worships oriundos de igrejas como Vineyard ou do Hillsong são traduzidos ou emulados em produções adventistas recentes. Tais cânticos são simples, poéticos, com uma letra que se repete com variações de acompanhamentos musicais e volume de voz, tudo para aumentar o grau de emoção envolvido no ato de adoração.
A mudança de paradigmas musicais traz novas posturas litúrgicas. A liturgia tradicional é despojada de seu aparato rígido, tornando-se mais informal e dando destaque à figura do ministro da música, substituto do antigo regente congregacional. O adorador se envolve mais, participando com a voz e as mãos, uma vez que é convidado (convocado?) a erguer as mãos, fazer gestos, coreografias ou congêneres. O corpo agora recebe permissão para louvar, aumentando o tônus de envolvimento e a sensação de bem-estar emocional decorrente.
Tanto em suas letras quanto em sua forma musical, há uma forte sensação de “romance adolescente”, com predominância de expressões de amor, relacionamento, dependência e forte choro. É inegável que a nova forma de cantar em adoração é marcante, fixando suas melodias simples de forma bem eficaz na mente do adorador. De certa forma, as canções contemporâneas não apenas pavimentaram mudanças litúrgicas em geral, como transformaram a pregação. Estamos diante de uma geração que não possui interesse, paciência e preparo para ouvir sermões longos, centrados na Bíblia e que sejam fruto de cuidadosa exegese. Sermões doutrinários, expositivos e com profundidade não “tocam” os novos adoradores.
É preciso mensagens leves, com forte apelo emocional, que versem sobre relacionamentos, usam de raciocínio simples, tenham espaço para muitas histórias interconectadas e minimalistas. O pregador agora é um narrador, falando na intimidade com o auditório, apresentando no máximo sermões temáticos (explorando alguns poucos textos bíblicos sem se aprofundar em seu contexto) ou, na pior das hipóteses, usando um texto central lido em algum momento do discurso, mas ignorado em boa parte dele.
A conexão com a música notabiliza a desconexão com a Palavra, relegada à segundo plano. Por isso o analfabetismo bíblico, fenômeno lamentado pelos grandes pesadores cristãos, que vem essa praga correr o meio evangélico, começa a atingir os adventistas. Seria leviano dizer que a música em si esvazia o conteúdo bíblico da mente, em um abracadabra misterioso. Em verdade, a postura de adoração orientada por um perfil carismático chegou a nós por meio do worship. Tal postura é que dispensa a profundidade do estudo da Bíblia como fundamento da adoração, dando espaço a experiências pessoais e legitimando o sentimento como meio de conexão com o sagrado.
No início do processo, isso não parecia tão claro. Atualmente, quase no fim dele, fica inegável o que está acontecendo. Apenas quem não quiser ver o negará. Mas lendo o texto de Ellen G. White, no segundo volume de Mensagens Escolhidas, fica fácil entender que a carismatização do adventismo está às portas:

Mero ruído e gritos não são sinal de santificação, ou da descida do Espírito Santo. Vossas desenfreadas demonstrações só criam desagrado no espírito dos incrédulos. Quanto menos houver de tais demonstrações, tanto melhor para os atores e para o povo em geral. […]
Deus quer que lidemos com sagrada verdade. Unicamente isto convencerá os contraditores. Importa desenvolver trabalho calmo, sensato, para convencer almas de sua condição, mostrar-lhes a edificação do caráter que deve ser levada avante, caso haja de erguer-se uma bela estrutura para o Senhor. Mentes que são despertadas precisam ser pacientemente instruídas caso compreendam corretamente e apreciem devidamente as verdades da Palavra.
Deus chama Seu povo a andar com sobriedade e santa coerência. Eles devem ser muito cuidadosos de não representar mal e nem desonrar as santas doutrinas da verdade mediante estranhas exibições, por confusão e tumulto. […]
As coisas que descrevestes como ocorrendo em Indiana, o Senhor revelou-me que haviam de ocorrer imediatamente antes da terminação da graça. Demonstrar-se-á tudo quanto é estranho. Haverá gritos com tambores, música e dança. Os sentidos dos seres racionais ficarão tão confundidos que não se pode confiar neles quanto a decisões retas. E isto será chamado operação do Espírito Santo. […]
E melhor nunca ter o culto do Senhor misturado com música do que usar instrumentos músicos para fazer a obra que, foi-me apresentado em janeiro último, seria introduzida em nossas reuniões campais. A verdade para este tempo não necessita nada dessa espécie em sua obra de converter almas. Uma balbúrdia de barulho choca os sentidos e perverte aquilo que, se devidamente dirigido, seria uma bênção. As forças das instrumentalidades satânicas misturam-se com o alarido e barulho, para ter um carnaval, e isto é chamado de operação do Espírito Santo. (p. 35-36, grifos supridos)


Quem tiver entendimento, pesquise e se prepare. O tempo é chegado – restam dúvidas?

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sábado, 21 de dezembro de 2013

GÊNESIS EM 3D

QUANDO FOR TARDE PARA SUPRIR AS NECESSIDADES

Numa crise é que o caráter é revelado. Quando a voz ardorosa proclamou à meia-noite: "Aí vem o Esposo! Saí-lhe ao encontro!" (Mt 25:6), e as virgens adormecidas ergueram-se de sua sonolência, foi visto quem fizera a preparação para o evento. Ambos os grupos foram tomados de surpresa; porém, um estava preparado para a emergência, e o outro não. Assim agora uma calamidade repentina e imprevista, alguma coisa que põe a pessoa face a face com a morte, mostrará se há fé real nas promessas de Deus. Mostrará se está sustida na graça. A grande prova final virá no fim do tempo da graça, quando será tarde demais para se suprirem as necessidades do espírito.
Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 412.


CURE NOSSA TERRA

QUEM CRIOU O DIABO?

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

UM ATO DE RISCO


A intersecção entre frio e escuro,
De uma região anexa à outra;
Que nome melhor para esta zona
Senão nominá-la medo?

Pátria de todas as reticências
E abismo de todos os mistérios…
Dentro desta cúpula noturna
Ele se acha agora preso.

À mesa oval, compleição complexa,
Como um prisioneiro consciente
De que sua pena cumprir-se-á,
Porque escuta o andar dos guardas.

Ele sintoniza uma estação
E ouve o quanto o rádio lhe permite.
Ah! O rádio não passa de uma caixa
Com pronúncia de asmático.

Canções são sussurros indecisos.
Os sons insinuados contrapõem
O medo ao soprar dias melhores
– São gotas de um gozo em fuga.

De entre as grades ouve o carcereiro
Lúbrico – há prazer mais carcerário
Do que o cumprimento da sentença
– Um sadismo em tons bem justos.

Como se o homem-carcereiro fosse
A sociedade que se vinga
De algum criminoso que merece
Não justiça, mas a pena.

No presente caso, a transgressão
Pela qual seus olhos azuis pagam,
São crimes alheios e constantes
E a pena é sofrer o abuso.

Do alto de seus oito anos, é
O prisioneiro para quem
Jamais a próxima punição
Chegará a ser uma última.

Sobressalta-se e é de novo o medo
Algo como um tônico motriz.
Foge para a escada que há na sala,
Coruja empolada no alto.

Ouve os vitupérios no atropelo
Do esbravejo etílico lá fora.
Ele então se inclina ao corrimão,
Pensa em Deus. Transbordam olhos.

É hipicamente deslocado
O trinco da porta. Nisso, o medo
Passa de um pressentimento à forma,
Forma de invasor real.

Não se trata de um medo produto
De ficção. Não um medo sentido
– Ele pode ser tocado… e mais:
O medo pode tocar!

Vozes de estridente diapasão.
Distante da cena de ódio, enterra
O crânio entre as pernas, conflitante
Tanto quanto está confuso.

Cada berro feminino é como
Se algo quebrasse dentro dele.
Depois (e como o costume rege),
Um silêncio assaz litúrgico.

Ele se ergue e já não mais por medo;
Apoia-se em férreo corrimão,
E se toda escolha custa sempre,
Esta tem um preço acima:

Caminha, humano e homem, com oito anos
(O homem que se deve ser desponta).
Da poltrona, os engasgos violentos
De alguém menor, mas mais velho:

As ilusões de álbuns flanam ante
As retinas gastas sem proveito
– Conhece que são ilusões tolas
(Não que hajam ilusões sábias).

Reflete, sem que ouça os passos flébeis,
De quem se avizinha como aliado,
Aliado sensível. Vem da rua
A luz de um farol de carro.

Suficientemente duradoura
Para eternizar esse momento;
Levanta o menino a sua fronte,
Soldado pronto ao martírio.

Pela bronca aguarda e não há bronca.
Mal sabe: a hora é sua por decreto.
A luz do farol do carro trouxe
A compreensão vária à sala.

O homem na poltrona ergue a cabeça
(Antes entre os joelhos) e lhe lança
O confuso olhar. Do engano de ambos
Nasce a compreensão e o início.

O menino chega e toma as mãos
(As espessas mãos que cheiram a álcool),
Mãos sujas de sangue feminino),
Pondo as suas sobre elas.

O medo volta e ele quer voltar;
Resiste ao seu dono a própria perna.
Logo, recupera-se do choque,
Sua decisão mantém.

Quando o hálito de ambos preenche o vácuo,
O pequeno pare a frase em dores,
A frase que arrasa o inimigo:
“Eu amo você, papai!”.