terça-feira, 10 de dezembro de 2013

APRESENTAÇÃO DE CONHECIDA CANÇÃO DE ROCK EM INTERNATO ADVENTISTA


Um princípio bíblico é o da separação em relação às coisas mundanas ou seculares. Ambientes, práticas culturais, hábitos e até pessoas que se opõem às orientações bíblicas devem ser afastados da vida e do convívio do cristão. Ao longo da história, tal princípio não escapou de inúmeras controvérsias. Afinal, em alguns contextos não é fácil delimitar o que deve ou não ser evitado.
Os adventistas do sétimo dia receberam luz adicional por meio dos escritos de Ellen White, uma vez que nos últimos tempos os perigos seriam ainda mais dificilmente percebidos. As sutilezas do mal exigem que os marcos do estilo de vida cristã estejam bem delimitados. Uma das áreas sensíveis entre adventistas sempre foi a música. A inspiração nos diz: “Quando os seres humanos cantam com o espírito e o entendimento, os músicos celestiais apanham a harmonia, e unem-se ao cântico de ações de graças.” (Mensagens aos Jovens p. 294). Em outro lugar lemos que “[…] todos devem cantar com o espírito e com o entendimento também. Deus não Se agrada de algaravia e dissonância. O correto é sempre mais agradável a Ele que o errado.” (Evangelismo, p. 508).
A despeito de todas as orientações bíblicas e as expressas nos testemunhos (a obra literária de Ellen White), a pressão da cultura vem promovendo um gradual afastamento de princípios que, ainda oficialmente, permanecem inegociáveis. A princípio, os adventistas advogavam excelência na música sacra, cujo alvo era se aproximar tanto quanto possível da música celestial (Evangelismo p. 507) – o que seria utópico, caso a própria White não descrevesse as características das canções entoadas pelos anjos, às quais teve acesso em suas visões (Evangelismo, p. 505). A tônica consistia em evitar o emocionalismo, como na crítica a alguns que seguiam por esse caminho: “Sua religião parece ser mais da natureza de um estimulante do que uma permanente fé em Cristo.” (Evangelismo, p. 502). Apesar das ressalvas, seria legítimo selecionar algo de bom da música secular, sendo que a mesmo White presenciou um concerto secular e elogiou o que havia assistido (ver Manuscrito 33, 1886 e Carta 8, 1876).
Infelizmente, o que seria normalmente visto como errado e absurdo há poucas décadas passou a aceitável ou mesmo neutro. Dessa maneira, com a mudança da base bíblica tradicional para uma expressão mais pós-moderna da fé, fica praticamente impossível um diálogo sobre o assunto. Hoje os tempos exigem reflexão que vá além de uma simples discussão sobre uso da bateria. O problema é mais profundo.
Um exemplo recente da mudança de paradigma ocorreu em um dos maiores internatos adventistas no mundo. Alguns alunos da faculdade promoveram um flash mob. Esse tipo de ação, bastante interessante e de forte apelo midiático, consiste em apresentar em local público uma música coreografada, surpreendendo os presentes. Em geral, as pessoas que participam da ação estão misturadas em meio à plateia e, terminada a performance, voltam a se misturar.
A ocasião era o fim do semestre e o flash mob foi promovido no refeitório da instituição. Com produção bem cuidada e formidável desempenho musical (comum aos adventistas), a ação não teria nada de questionável, senão fosse a música escolhida: os alunos cantaram e coreografaram uma música de uma famosa banda de rock.
A estranheza nesse caso se dá pela incoerência: o manual da igreja adventista permanece orientando o não uso de ritmos populares em nosso meio (quer no culto ou em eventos que levem o nome da denominação) e as orientações cristalinas dos testemunhos advertem sobre os riscos de uso de música secular – especialmente, de canções frívolas, as quais afastariam a presença de seres celestiais de nossa presença; veja a seguinte citação: “A introdução de música em seus lares, em vez de incitá-los à santidade e espiritualidade, tem sido um meio de desviar-lhes a mente da verdade. Canções frívolas e peças de música popular do dia parecem compatíveis com seus gostos. […] A música, quando não abusiva, é uma grande bênção; mas quando usada erroneamente, é uma terrível maldição.” (Testimonies, vol. 1, p. 496 e 497). Note que o exemplo não acontece em um culto, o que indica que algumas canções precisam ser evitadas em quaisquer ambientes e situações.
Alguns poderiam advogar que a letra da canção executada não possuísse nada de não recomendável. Entretanto, temos de analisar que, no caso em questão, a música escolhida menciona Deus (“Lord”) algumas vezes, de forma bem banalizada. O grupo que a gravou ainda era conhecido por sua irreverência e por possuir um vocalista homossexual; tais fatores, embora talvez não sejam os principais, serviriam como peso contrário à escolha daquela música em específico.
Com tantas boas canções adventistas, ou mesmo com a possibilidade de escolher uma boa canção secular (já que o ambiente não era religioso), porque optar por uma canção dúbia, característica de adeptos do rock? A única razão parece perseguir a mídia, que talvez não desse tanta cobertura a uma canção religiosa. Mas e quanto ao testemunho de que somos separados por Deus? Após o impacto do vídeo (pela internet) como lidaremos com jovens adventistas em suas congregações locais, quando quiserem agir da mesma forma, contrária a nossos princípios? O exemplo da instituição parece desautorizar eventuais censuras que líderes eclesiásticos possam fazer.
Independente de onde ocorreu o fato, isso apenas deve servir de alerta para que tenhamos mais critério na hora de pensar em cada aspecto de nosso estilo de vida. Creio que não devamos criticar, mas orar por aqueles que promoveram e participaram da ação, na esperança de que o povo de Deus se una em seu propósito de viver exclusivamente para o Senhor. "A capacidade de discernir entre o que é reto e o que não o é, podemos possuí-la unicamente pela confiança individual em Deus. Cada um deve aprender por si, com auxílio dEle, mediante a Sua Palavra. A nossa capacidade de raciocinar foi-nos dada para que a usássemos, e Deus quer que seja exercitada." (Educação, p. 231).

Leia também:



53 comentários:

Elton Carlos de Oliveira disse...

isso é triste, mas onde foi isso aconteceu?

douglas reis disse...

Em resposta ao Elton e a todos,

não cabe comentar onde aconteceu, mas refletir sobre o episódio em oração. Não aceitaremos comentários que façam menção ao local ou aos envolvidos.

Leandro Dalla disse...

“A associação com as coisas do mundo no setor musical é considerado inofensivo por alguns observadores do sábado. Tais pessoas estão, porém, em terreno perigoso. É assim que Satanás procura desviar homens e mulheres, e dessa maneira tem ganho o controle de almas. Tão suave, tão plausível é o trabalho do inimigo que não se suspeita dos seus ardis, e muitos membros de igreja tornam-se mais amigos dos prazeres que amigos de Deus” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 332).

Nelinton disse...

Caro Pr Reis,

Fico muito triste em ver que tal pensamento ainda existe na Igreja Adventista em pleno século 21. Ver alguém "defendendo os velhos marcos" é muito 1888. Somos instados por Cristo a ir por todo o MUNDO pregar o Evangelho e para isso precisamos falar a lingua do mundo. O Mundo NÃO FALA, NEM ENTENDE a nossa lingua.

Não foi o próprio Paulo que disse:
"Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais.
E fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei.
Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei.
Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns." 1 Coríntios 9:19-22

(Claro que não estou defendendo a heresia de que os fins justificam TODOS os meios, quem lê, por favor entenda!)

"O exemplo da instituição parece desautorizar eventuais censuras que líderes eclesiásticos possam fazer."

Tomara que esses líderes realmente (e finalmente) sigam o que pensa a instituição pensem duas vezes antes de censurar ações de evangelismo que eles não tem coragem de liderar ou ainda não compreenderam.

douglas reis disse...

Nelinton,

seja bem-vindo ao blog. Naturalmente, esse é um espaço de troca de opiniões.

Assim, tenho a lhe perguntar: você defendeu o falar "a língua do mundo". Isso seria o mesmo que "mundanizar" (ou secularizar, se você preferir)? Se não, quais as diferenças práticas?

Como você explicaria os textos de EGW? Estariam eles desatualizados? Ou foram mal interpretados? Se estão desatualizados, podemos confiar nela como profetiza? Se foram ma interpretados, qual seria a interpretação alternativa que você tem a oferecer deles?

Você menciona em seu último parágrafo a questão do evangelismo, que foge ao escopo do assunto; não vejo como a apresentação de uma música secular teria finalidades evangelísticas. Assim, só posso lhe perguntar se seu comentário foi consequência de confusão, equívoco ou você tinha outra coisa em mente...

Abraços.

Nelinton disse...

Prezado Pr. Reis,

Mundanizar a igreja é diferente de falar a lingua do mundo. Falar a lingua do mundo é fazer com que eles nos entendam antes de jogá-los ao lobos (a igreja e sim, me incluo). A diferença prática é que um transforma nossa igreja o outro transforma ouvidos surdos em ouvintes atentos.

Não explico os textos de EGW simplesmente porque não os li. Sequer consegui terminar "O Desejado ..." e li "O grande conflito" quando ainda nem era adventista. Mas entendo que sim, tirados do contexto temporal, como foram, os textos parecem desatualizados. Não que isso vá prejudicar o "posto" de profetiza dela, que é muito bem merecido, mas muito mal interpretado e mais exaltado do a própria gostaria e como ela mesma advertiu para que não fosse.

E bem, no tempo dela o piano também era muito mal visto.

O evangelismo fica por conta do que nós podemos fazer com o vídeo. E foi isso que me veio à mente ao ver o vídeo. Um músico com preconceito contra "crentes" que veja uma apresentação dessas pode abrir uma brecha para a ação do Espírito Santo e eu mesmo vou usar tal vídeo para divulgar entre meus amigos não cristãos (muitos que tem até raiva de cristãos pelo tratamento que receberam na ou por saírem da igreja, ou mesmo por membros da igreja).

Meu comentário foi, no máximo, vítima da emoção do momento após ler um artigo criticando de forma velada uma ação bem feita de facilitação de contato para evangelismo, não me confundi. Esta é mesmo minha opinião.

No mais, embora este seja um espaço para troca de opiniões, é o seu espaço e não quero invadi-lo com as minhas opiniões.

Para finalizar, deixo um artigo muito interessante que li hoje pela manhã sobre o assunto música:
http://umprecursor.wordpress.com/2013/12/07/porque-switchfoot-nao-canta-musicas-cristas/

Abraços

douglas reis disse...

Nelinton,

obrigado por seu retorno. O espaço é meu no sentido de que sou o moderador do blog. Mas é um espaço aberto e, inclusive, se achará aberto a você. Não precisa concordar comigo, basta expressar sua opinião de forma respeitosa, como tem feito.

Nelinton, você afirma que não leu os livros, mas crê que a interpretação dos textos está descontextualizada. Como chegou a essa conclusão? Não seria um preconceito (no sentido de ideia preconcebida a respeito do assunto)?

Por gentileza, encorajo você a ler os textos em seu contexto original. Afinal, se você é músico, eles são imprescindíveis para seu trabalho! Seria muito mais fácil escrever um texto sem acrescentar citações de EGW, mas se mencionei seus escritos foi justamente para que mais gente perceba que a falta deles têm nos conduzido a ações dúbias e opiniões perigosas.

Lembre-se de que evangelismo tem de estar centralizado em Cristo. Pode partir de uma ação social, estar ligado à obra educacional ou algo parecido. Mas fica difícil fazer um link entre coisas diferentes, que não se relacionem com Cristo ou não se coadunem com Seus ensinos.

Para dar um exemplo prático: http://outraleitura.com.br/web/artigo.php?artigo=62:O_evangelismo_bizarro_sustenta_a_igreja_SA

Você acha que tal evento seria um exemplo legítimo de evangelismo? Como justificaria a sua negativa (estou cantando a jogada)?

Nesse ponto, pediria que você revisse sua diferenciação entre falar ao mundo e mundanizar - me pareceu subjetiva. Na prática, se as mulheres da igreja usassem joias, não falariam "a linguagem do mundo", fazendo que mulheres que fossem convidadas às congregações adventistas se sentissem mais à vontade?

Ao terminar, reforço o que disse: não vejo que a música secular seja necessariamente pecaminosa (do contrário, ninguém cantaria Parabéns para você ou mesmo hinos cívicos, que são seculares). Mas defendi que sejamos mais criteriosos.

Um abraço.

Mateus disse...

É. Quisera se fosse esse o problema da relevância da mensagem adventista no nosso tempo. Me surpreende o autor do Blog, tão antenado em geração Y, enveredar nessa. Olha, realmente o que eu tô pensando aqui é na sensibilidade que temos em relação as certas coisas, o flash mob foi feito num internato, adolescentes, jovens, turma que sinceramente, sejam da igreja ou não curte tudo que é "do mundo", é a fase...eu até concordo com todos os postulados da posição adventista em relação a música, mas a centralidade e importância que é dada isso beira o ridículo...pra cada manifestação isolada, mas fazem dela um problema pra toda estrutura adventista , como no caso da passeata lá do povo no dia do orgulho gay no RJ, o presidente da divisão me solta uma nota pela forma equivocada que a imprensa abordou... tá que não pode deixar a coisa descambar, mas relendo algumas coisas do livro do George Knight percebo como que nos colocamos numa condição de santidade por termos a verdade e subimos num patamar que pouco comunicamos ao mundo a mensagem do Cristo que salva roqueiros e gays...pensamos mais em besta, papado, gays,guarda do domingo, do que em Senhor, Salvador, Emanuel, inclusive o autor do livro menciona a dicotomia Leão e Cordeiro... acho que o livro do Knight é leitura mais que obrigatória para cada um de nós e transmite bem a real necessidade do adventismo relevante pra o mundo de hoje. Pra encerrar, estou vendo o movimento de alguns pastores da igreja temendo a provação da PL 103/2012, por conta de uma paragrafo de uma lei que trata de uma porção de coisas, estão se apegando a politicagem de bancadas com medo de autoritarismo de parte da militância gay. Onde estão esses cristão em outras relevantes discussões para o país? A nossa relevância como remanescente vai permear nessas discussões baratas?

Anônimo disse...

Infelizmente tenho um filho hj fora dos caminhos de Deus (e não foi só isso, claro) que no colégio ouviu e teve que traduzir muita música do inglês para o português. Esses tipo de música que não o instruiu e ainda destruiu o que havíamos plantado. Quando descobri ele já havia sido contaminado. Sim porque o que é ruim não se descobre logo. Que Deus cuide de todos nós.

angelusgs@hotmail.com disse...

Prezado Pr. Douglas.
Parabéns por seu sábio posicionamento. Ainda bem que Ellen G. White já morreu. Senão morreria agora ao ver isto. Pior que a prática dos jovens foram os comentários à noticia que alguém teve coragem de publicar. Saiu desejos de práticas homossexuais, palavrões e outras coisas que este tipo de musica de por si mesmo produz. Tenha Deus piedade de Seu povo e se pronuncie Ele mesmo para por fim ao mal.
Abraços
Pr. Angelo

douglas reis disse...

Mateus,

seja bem-vindo ao blog.

Gostaria de concentrar meu comentário ao tema do post, embora você tenha partido para outras considerações, as quais não poderei avaliar, uma vez que soube dos acontecimentos por alto.

Quem opina sobre tudo é curioso e eu gosto de me informar antes de escrever sobre algo. Assim, peço licença para deixar alguns assuntos interessantes de lado.

Concordo com você que devamos ser relevantes, mas sempre me questiono sobre a forma de fazer isso, sem olvidar a identidade adventista. Você menciona George Knight e ele é uma boa fonte para discutir esses assuntos, mas não o único.

Há outros autores que tratam dos desafios do adventismo, inclusive aqueles que criticam Knight por entender o adventismo como seguindo a fórmula protestantismo + estudo das profecias - seríamos mais do que isso, até porque mesmo nas crenças em comum com outros grupos cristãos, nossa compreensão diverge da deles (especialmente em virtude de levarmos mais a sério o princípio sola scriptura, hoje bastante diluído pela tradição protestante).

Fiz esse preâmbulo apenas para deixar claro que ao me debruçar sobre a Geração Y e ter a convicção de que podemos fazer mais para alcançá-la, não penso que isso signifique uma mudança que penda ao liberalismo. Estamos falando de metodologia, não de base profética do movimento.

A questão do estilo de vida não deve ser minimizada. Leia meu outro post: http://questaodeconfianca.blogspot.com.br/2013/12/os-adventistas-e-o-medo-do-legalismo.html

Mateus disse...

Douglas,

Olha só, acho que o fato de ter ficado sabendo do acontecido por alto só reforça a ideia que tive sobre a relevância que se dão a tal coisas. Soube de uma pessoa que está no internato que aconteceu tal coisa e lá não teve nenhuma repercussão negativa. Não vou citar a fonte, mas não foi nenhum aluno, foi gente de relevância lá dentro.

douglas reis disse...

Olha, Mateus, com todo respeito e estimas cristãs a você e sua fonte, o próprio vídeo deixa claro que a repercussão foi positiva, ao menos de imediato. Porém, não me dispus a mensurar isso, porque diferentes pessoas possuem reações diferentes. O objetivo era analisar o fato em relação a nossos princípios.

Um forte abraço.

Mateus disse...

"Quem opina sobre tudo é curioso e eu gosto de me informar antes de escrever sobre algo." , "uma vez que soube dos acontecimentos por alto."

Fiquei meio perdido, vc se contradiz.

Concordo que há autores que discordam do Knight, graças a Deus isso é possível em nosso meio.Entendo tb as nossas diferenças pelo conceito de sola e tota scriptuta, inclusive no assunto da criação isso nos separa muito da maioria do meio cristão. Não me coloque como liberal, hoje estão polarizando as opiniões dessa igreja entre os liberais e tradicionais e aí some o espaço do debate, e os tradicionais, gosta de usar textos da Ellen White para dizer que isso e aquilo está errado, muitas vezes tirando o texto do contexto, aí ter irmãos como Michelson que dizem que usar saia é princípio.

Lembrando que um dia a própria profetisa condenou a Associação geral. Outra, o local onde aconteceu o flash mob é de amplo debate teológico e a repercussão negativa teria chegado a direção e pastores, o que não aconteceu.

douglas reis disse...

Mateus,

por que você acha que me contradisse? O que eu disse ter ouvido por alto se refere aos acontecimentos do RJ, sobre os quais afirmei que não poderia tecer comentário algum. Simples assim.

Não acusei você de liberal. Tampouco acho que as nomenclaturas liberal e conservador sejam suficientes para classificar todo adventista (e escrevi um capítulo inteiro no meu livro sobre isso - acho que você talvez não conheça o o trabalho... mas podemos conversar para você adquiri-lo, rs).

Falando sério: acho que os liberais também usam a Bíblia e às vezes os livros de E.G. White de forma equivocada. Por isso, se eu pudesse cumprir um objetivo com a postagem, seria fazer com que as pessoas refletissem melhor sobre esses assuntos. Todos precisamos fazer isso para chegar ao equilíbrio que Deus almeja, concorda?

Não posso responder pelo Michelson, porque ele não me deu nenhuma procuração; tampouco acredita que ele pense assim. Em todo caso, a melhor pessoa para explicar o que o Michelson pensa é ele próprio.

Não sei dizer se houve ou não debate sobre o assunto; acho bom que aja, porque temos de refletir constantemente sobre nossas ações - isso faz bem e tem efeito corretivo. Agora na da impede que tiremos lições do episódio, as quais nos ajudem a avaliar a nós mesmos, ao invés de simplesmente condenar os demais - de fato, não escrevi para condenar pessoas, mas para repensar princípios.

Um forte abraço.

Luiz Felype disse...

Boa tarde Douglas. Parabéns pelo texto. Discordo em grande parte de seu posicionamento, mas acho que sua postagem certamente traz à tona um assunto relevante para debate.

Não entendo quando vc diz que "Um princípio bíblico é o da separação em relação às coisas mundanas ou seculares. Ambientes, práticas culturais, hábitos e até pessoas que se opõem às orientações bíblicas devem ser afastados da vida e do convívio do cristão.", sobretudo o segundo período. Não seria justamente o contrário? Não deveríamos na verdade nos despir de qq cobertura de santidade de forma a verdadeiramente mergulhar sobre os profanos? Qual a necessidade de médico tem aquele que já está curado? Ainda que o post não seja sobre miossiologia/evangelismo, vc não acha que essa introdução deixa transparecer uma leve distorção daquilo que cremos e que estruturou o restante de sua argumentação? Estou listando e escrevendo em formato de perguntas por perceber que essa é uma forma que vc gosta de usar para levar os outros a refletir sobre suas posições.

Acho muito interessante ver Cristo que foi o Homem/Coisa mais santa que já existiu altamente inserido, mergulhado nas coisas mundanas e seculares porque só fazendo isso, só aproximando (que é diferente de apropriando) Ele podia mudar algo. Acho que beiraria o absurdo pensar que no meio dos pagãos e publicanos Cristo pedia pra eles "desligarem o som" ou mudassem a linguagem pq Ele estava ali. Cada dia vou aprendendo mais que quanto mais insistimos em separar, ou melhor, bloquear o santo do profano, menos relevância teremos como povo que antes de ser adventista, batista, evangélico, etc, é cristão.

Compreendo claramente que o fato abordado por você é justamente o inverso do que descrevi acima. Ou seja, não se trata da igreja aproximar-se do "mundo" (conceito horroroso, mas com o qual já nos acostumamos), mas do mundo aproximar-se demasiadamente da igreja. Mas cara, sinceramente não vejo como fazer uma análise dessas sem levar em conta outros tantos aspectos e variáveis que podem ter levado à atitude dos alunos no internato. Se eles tivessem levado o Iron Maden pra dentro do templo na hora do culto, tudo bem. A obviedade de que isso não está certo é tamanha que não caberiam comentários. Mas foi esse o caso? Quais as motivações daquelas pessoas? Como esse projeto foi montado? Quem apoiou/quem vetou o evento? Para uma análise criteriosa de nossos princípios frente a uma situação, vc não acha que seria indispensável uma análise contextual aprofundada como realizaria a meu ver EGW? Em um dos seus comentários vc afirma que "não cabe comentar onde aconteceu". Como não? O fator locacional na verdade talvez seja o mais importante para uma análise como essas uma vez que ele é altamente estruturante de qualquer iniciativa. Alguns poderiam dizer que "princípio é princípio, não se relativiza", um argumento falacioso - uma vez que desconsidera as múltiplas nuances que a observância de nossos princípios e práticas religiosas sofreram ao longo da história e não por isso passaram a ser mais ou menos santas - que tem servido para (retro)alimentar um discurso farisaico e legalista em nosso meio. (continua)

Luiz Felype disse...

Ontem mesmo fui a um culto de formatura em um colégio adventista aqui de BH. Durante as atividades um vídeo dos alunos foi mostrado tendo como tema de fundo a música “Aquarela”, do compositor Toquinho. Até onde eu saiba ele não é gay, mas tb não é cristão e nada tem de proximidade com o que cremos ou com a verdade que defendemos. Olhando só pra isso como avaliar a situação? Teria o vídeo profanado a capela do colégio? Quando, contudo observamos todas as outras variáveis (publico presente, tipo de cerimonia, etc) tudo não muda de figura?

Seguindo o raciocínio de que deveríamos peneirar o uso de determinado livros, músicas, etc. pelos pecados de seus autores até mesmo uma pessoa como a madre Tereza deveria ficar longe de nossos comentários, uma vez que, apesar de não ser lésbica, acreditava em Maria, guardava o domingo e promovia muitas outras propostas para um estilo de vida diferente daquele que defendemos como o correto.

Parece-me que sua postagem de fato tentou tratar sobre um princípio de nossa igreja, mas ao longo de seu desenvolvimento acabou se perdendo em uma análise bastante subjetiva sobre um perfil estrito de música, no caso o rock, e o caráter de seu compositor. No limite fica parecendo uma tentativa de criar categorias estritas sobre ritmos seculares demoníacos em detrimento de outros “não tão profanos”, o que parece-me bastante questionável.

Um abraço.

douglas reis disse...

Luiz Felype,

inicio cumprimentando-o pela sua participação e comentários bem articulados.

Você começa questionando a separação entre o cristão e o mundo. Assim, me vejo obrigado a justificar o princípio, o que não desejo fazer de forma extensiva, mesmo porque estamos em um blog, e não quero tornar o meu comentário um compêndio de teologia sistemática!

Alguns textos claros sobre o assunto da separação entre crentes e o mundo/mundanos: 2 Co 6:14-17; Rm 12:2; Ef 4:22-24; Rm 6:17-19; 1 Ts 4:1-7, 1 Pe 4:1-4, etc. Talvez o texto mais forte nesse sentido seja 1 Jo 2:15-17; 2 Jo 10. Leia e veja que são textos que desafiam os paradigmas do que é ser cristão!

Por outro lado, a Bíblia ensina a amar a todos, mesmo aos inimigos (Mt 5:44), aproveitando para representar a verdade mesmo em meio à perseguição (1 Pe 3:14-16).

Assim, quando a Bíblia nos pede para sermos separados/santos, indica que nosso estilo de vida e nossas perspectivas devem ser distintos. Ela não nos pede um total isolamento das pessoas, mas das práticas pecaminosas aceitas pela sociedade. O que é normal para a maioria muitas vezes não o é para o cristão.

Sobre o local em que ocorreu o episódio: de fato, sustento que não seja importante, porque o objetivo não é denunciar e, sim, refletir. aqui creio que você faça uma confusão terminológica, igualando princípios (imutáveis por definição) com práticas culturais e regras que são mutáveis sim.

Exemplo: o sábado é um princípio, mas a maneira de praticá-lo envolve situações diferentes em épocas e culturas. Nossos pioneiros eram conhecidos pelo cheiro - não tomavam banho ao sábado, porque isso envolvia cortar e aquecer lenha. Hoje temos chuveiros elétricos, mas não ligamos os televisores para assistir programas seculares (um problema que não faria sentido algum levantar no século XIX, quando tais aparelhos sequer haviam sido inventados!). Você vê? Regras e práticas levam em consideração ambientes, época e contexto cultural; princípios, não.

Creio que haja uma série de considerações sobre as características da música em si, as quais poderiam ser abordadas. Sugiro algumas, sem a pretensão de ser exaustivo ou dar a última palavra sobre o assunto: (a) quem canta; (b) o caráter de quem canta; (c) a mensagem pretendida pelos autores originais; (d) associações claras da música com práticas ou princípios mundanos; (e) associações posteriores (como as que existem de uma música originalmente sacra e o sadomasoquismo, como no exemplo do livro 50 tons de cinza, que deu essa conotação a uma música medieval); o contexto em que a música é usada; etc. De fato, tais critérios (e outros que poderiam ser acrescentados) exigem reflexão e bom senso, além de constante dependência de Deus.

Por último, quero deixar claro o que já expressei no post: não sou contrário ao uso de música secular. Mas temos de saber escolher qual tipo de música secular será usado e em qual ocasião.

Um forte abraço.

Dalmo disse...

Acho que devemos analisar o princípio na Bíblia.... indico analisar o verso de Filipenses 4:8.

Kaemi disse...

nós temos que alcançar o mundo que esta em trevas com a Luz da Palavra de Deus. Mas isso não quer dizer que temos que cantar músicas do Queen pra isso... Incoerência...

Leandro Dalla disse...

“Satanás está continuamente procurando vencer o povo de Deus, derribando as barreiras que os separam do mundo. (...) A conformidade aos costumes mundanos converte a igreja ao mundo; JAMAIS converte o mundo a Cristo” (O Grande Conflito, pp. 508-509).

Leandro Dalla disse...

"A conformidade aos costumes mundanos converte a igreja ao mundo; jamais converte o mundo a Cristo” (O Grande Conflito, pp. 508-509).

“[Satanás] não pode achar caminho tão fácil para introduzir seus enganos e prender almas em suas mentiras se as advertências e repreensões e conselhos do Espírito de Deus forem atendidos” (A Ciência do Bom Viver, p. 48).

Anônimo disse...

Concordo com todas palavras e virgulas de nosso irmao Douglas Reis. Nao devemos parlamentar com o pai do rock, em nenhuma hipotese. "Falar a lingua do mundo"! Essa é boa!

Damaris Mello

Lindi Reis disse...

A discussão que esta gerando a atitude se assemelha ao ocorrido quando na época de uma entrevista no Programa Sem Tabus, veiculada pelo CQC. Infelizmente, as opiniões se tornam tao inflamadas... que invariavelmente findam por nos apresentar diante das pessoas que não professam a mesma fé, como pessoas extremamente contraditórias. Óbvio que se deva conversar sobre os acontecimentos que permeiam nossa igreja, mas, sem o alarde tao característico...apos a era ¨rede social¨, muitos nem sabem porque estão brigando, ou o que realmente defendem ou questionam... ferem e são feridos simplesmente porque veem outros fazendo. Torna-se uma verdadeira corrente do mal... É triste...! É preciso bater na tecla da lucidez e coerência religiosa, principalmente diante de situações como estas...! Particularmente me resta lamentar comentários que já visualizei nos textos supramencionados, e orar por mim, para que não caia em pecado contra meu irmão, pela igreja (membros) para que permaneçamos em união... e principalmente para uma breve (muitooo breve) volta de Jesus...

Kelvin Pscheidt disse...

Se esse texto estiver certo por favor tirem a hino 14 do nosso hinário, pois a sua melodia criada por Beethoven foi usada para propagar ideais nazistas.

douglas reis disse...

Kevin,

bem-vindo ao blog.
Uma coisa é a musica em si, outra, como foi usada.
Veja as considerações que fiz ao escrever ao Luiz Felype, no comentário acima.

Abraços.

marcio goncalves disse...

Douglas,
vc começa afirmando que "Um princípio bíblico é o da separação em relação às coisas mundanas ou seculares."
Creio que este principio é muito mal compreendido.
Quais são os texto bíblicos que vc usa para defender esta posição?
Grato,
Marcio

douglas reis disse...

Márcio,

seja bem-vindo ao blog, meu amigo!
Sua pergunta é de capital importância. Apenas peço a gentileza de você conferir o que eu disse ao Luiz Felype, pois acredito já ter ali dado a resposta ao que você pergunta.

Um abraço.

Menina Mulher disse...

Caro Pr Douglas,

Parabéns pelo texto. A cada dia percebo como nossa igreja está indo para o lado do liberalismo. As pessoas estão deixando o mundo entrar em nossa igreja e a "desculpa" é que é para evangelismo. Por favor!!! Outro bom exemplo é o cantor Mauricio Manieri e o Projeto Nova Semente. Lá vc pode usar jóias, as músicas são bem embaladas. Inclusive tem um video rolando na internet no qual o coral do projeto está ensaiando com esse cantor. Todos estão "dançando" e pulando. As pessoas estão perdendo o rumo. No propósito de chegar a classes mais elevadas, geração Y, entre outros, estão deixam os princípios de lado. Satanás tem trabalhado forte dentro de nossa igreja. Devemos ter muito cuidado para não cair nas ciladas dele. Ter uma aliança com Deus é deixar o mundo e, pelo menos tentar, viver de forma santa.
"Estamos em pleno século 21" - dizem alguns. O evangelho é eterno porque Deus não muda!!! Nossas doutrinas e princípios funcionaram durante mais de 150 anos.

"Muitos supõem que, para se aproximar das classes mais altas, é preciso adotar uma maneira de vida e um método de trabalho que se harmonize com seus fatidiosos gostos. Uma aparência de riqueza, custosos edifícios, caros vestidos, equipamentos e ambiente, conformidade com os costumes do mundo, o artificial polimento da sociedade da moda, cultura clássica, as graças da oratória, são considerados essenciais.

Isso é um erro. O caminho dos métodos do mundo não é o caminho de Deus para alcançar as classes mais elevadas. “O que na verdade os tocará é uma apresentação do evangelho de Cristo feita de modo coerente e isento de egoísmo”. Ellen White, livro "A Ciência do Bom Viver", Cap.14.

Jônathas Sant'Ana disse...

O que me preocupa na verdade e o que considero o real perigo é a separação do secular e do sacro como se fossem dois mundos diferentes coexistindo num só. Acontece que é um perigo fazer isso pois acabamos por violar dois conceitos básicos do cristianismo:
1 - "Quer comais, quer bebais, que façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a honra e glória de Deus" I Cor. 10:31 É preciso definir primeiro o que é secular. O tema em discussão fala sobre uma definição de secular que diz que o que não é religioso ou estritamente espiritual é secular.
Mas há um problema com isso por que, segundo essa definição, "comer" e "beber" são coisas seculares, e creio que "façais qualquer outra coisa" também inclui fazer coisas seculares. Ou seja, TUDO o que fazemos ser pra honra de Deus significa que TUDO na nossa vida é espiritual, seja algo religioso ou "secular".
Isso nos leva à questão, ahh mas e o mundanismo?
Aí que entra o conceito nº 2 - Mundanismo vem de mundo e na Bíblia temos várias implicações e aplicações para a palavra mundo. Por exemplo "Não ameis o mundo, nem as coisas do mundo” é o que diz I Jo.2:15, mas o mesmo autor escreve em Jo 3:16 que Jesus também disse que "Deus amou o mundo de tal maneira...".
Como diz o Pr. Isaac Malheiros em seu oportuno texto "Os Cristãos e a Música do Mundo" no site Adoração Adventista, o mundo é criado por Deus e repleto de elementos orgânicos e inorgânicos. Deus ama o mundo apesar do pecado, o mundo como um todo - humanos e natureza (que também será restaurada com a sua volta). A parte do mundo que não devemos amar é a parte que tem como causa o pecado: relativismo moral, incredulidade, blasfêmia, falta de fé, etc etc.
Isso também é lindamente explanado e explicado com embasamento bíblico e do espírito de profecia pelo escritor George Knight em seu livro "Mitos da Educação Adventista", publicado aqui pelo Unaspress no capítulo que se chama "O Mito do Sacro e do Secular".
Acontece que nós defendemos muitas vezes que "Aqui não entra música do mundo" mas o que seria exatamente "música do mundo"? O que seria música "secular"?
Por que o critério com a música é diferente do critério com as outras coisas, se o princípio é "quer façais qualquer outra coisa, fazei TUDO pra honra e glória de Deus".
Aí temos dois conceitos seculares interessantes, que com base em estudos humanos, questionáveis e passíveis de erro, os cristãos infelizmente defendem coisas que não tem base bíblica nem profética.
1 - A música em si, por si só e sem conotações culturais é moralmente neutra. A música é definida por harmonia, melodia e ritmo, e a letra nem entra nessa equação. Nesse quesito, não há nada que prove profeticamente que "estilo A" é certo e "estilo B" é errado.
Todos os conselhos de Ellen White relativos a ritmo e melodias em que ela fala de desafinações, barulheira, dentre outros, são aplicáveis a QUALQUER estilo musical. Além do mais, o que o estilo influencia na maneira pela qual a pessoa será atingida por uma música está mais ligado ao histórico da pessoa com o estilo musical e não com o estilo puro e simples. Mas isso é outro tema, outra discussão.
A letra se torna importante obviamente quando falamos de música na vida cristã, e a letra da canção em questão (sim, eu sei de qual episódio você está falando) como você disse, não possui nada que não seja recomendável. Segundo você a repetição da palavra Lord de forma banalizada desmerece a letra, algo com o qual não concordarei por um simples motivo: Fazemos a mesma coisa na música "sacra", e fazemos pior, pois banalizamos não só um dos nomes do Senhor, como também banalizamos o significado deste. (continua...)

Jônathas Sant'Ana disse...

(...continuando) Aí temos dois conceitos seculares interessantes, que com base em estudos humanos, questionáveis e passíveis de erro, os cristãos infelizmente defendem coisas que não tem base bíblica nem profética.
1 - A música em si, por si só e sem conotações culturais é moralmente neutra. A música é definida por harmonia, melodia e ritmo, e a letra nem entra nessa equação. Nesse quesito, não há nada que prove profeticamente que "estilo A" é certo e "estilo B" é errado.
Todos os conselhos de Ellen White relativos a ritmo e melodias em que ela fala de desafinações, barulheira, dentre outros, são aplicáveis a QUALQUER estilo musical. Além do mais, o que o estilo influencia na maneira pela qual a pessoa será atingida por uma música está mais ligado ao histórico da pessoa com o estilo musical e não com o estilo puro e simples. Mas isso é outro tema, outra discussão.
A letra se torna importante obviamente quando falamos de música na vida cristã, e a letra da canção em questão (sim, eu sei de qual episódio você está falando) como você disse, não possui nada que não seja recomendável. Segundo você a repetição da palavra Lord de forma banalizada desmerece a letra, algo com o qual não concordarei por um simples motivo: Fazemos a mesma coisa na música "sacra", e fazemos pior, pois banalizamos não só um dos nomes do Senhor, como também banalizamos o significado deste.
2 - "Ahh, mas a banda que compôs a música..." era composta por pessoas, que sendo convertidas ou não ao cristianismo, tem/tinham direito à salvação tanto quanto qualquer de nós temos, assim como têm também disponível a elas um dos conceitos teológicos básicos que é o da "graça comum", principio expresso em toda a bíblia, mas mais claramente em Mateus 5:45, que diz que Deus manda a "chuva sobre justos e injustos".
A análise do texto bíblico e das nossas experiências mostram que não são apenas os fenômenos físicos que nos mantém vivos que estão incluídos no conceito de "graça comum", mas também princípios básicos de moral colocados em nós pelo Criador que acabam sendo refletidos na cultura que a sociedade produz, e essa música em questão é uma dessas que transmite um belíssimo princípio que não pode ter vindo de nada mais, a não ser do que restou da imagem de Deus em nós.
Julgar se um compositor fez algo tão belo, o fez inspirado por Deus ou pelo diabo, além de ser simplista e formulaico, é um pecado real, assim como é extremamente perigosa a tendência que temos de tornar pecaminoso, ou mesmo "Perigoso" o ato de tocar tal música num ambiente que, apesar de pertencer a uma instituição religiosa, é um ambiente secular em primeira instância.
Afinal, é sabido que os executores desse flash mob citado, dedicam seus talentos a Deus e isso é o que temos vindo deles, qualquer coisa que tentarmos concluir fora disso será classificado como julgamento, na definição de Jesus em Mateus 5.
Não creio que você esteja julgando. Senti no seu texto um profundo zelo pelo que é certo, mas essa separação colocada nesses termos aos quais fomos condicionados pela cultura rígida herdada dos adventistas alemães (a quem agradeço muito por terem trazido a mensagem adventista para nós no Brasil) é perigosa e pode acabar fazendo com que, inconscientemente nos afastemos do propósito de ir pelo mundo e pregar a mensagem que realmente importa.
Concluindo que eles são pessoas que dedicam seu talento a Deus executando uma música secular - não profana - num ambiente também dedicado a Deus, o meu questionamento que fica é uma paráfrase do mesmo que Deus deixou para Pedro em Atos 10... Como podemos chamar de "impróprio" o que fizeram as pessoas a quem Deus transformou? Façamos como Pedro, aprendamos a lição, e façamos como o pessoal da instituição citada, que seguindo o conselho bíblico, analisaram tudo o que há na música no mundo e retiveram o que era bom.

Leandro Schmitberger Gavazzoni disse...

o que existe não é música sagrada/secular e sim música boa e música ruim, sendo que a música boa é aquela que não fere nenhum principio da Palavra de D-S.
"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama" (Filipenses 4:8)

Leandro Schmitberger Gavazzoni disse...

em Atos 17:28 – pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração. Esse texto inspirado foi composto a partir de duas citações de poetas gregos. Do primeiro, Epimênides (600 a.C.)- Paulo na sua pregação cita os poetas gregos.
Não vi nada de errado nesse música cantada pelo coral academia da voz do unasp e muito menos em ouvir rock - (oficina g3, palavrantiga) porque cada um tem sua preferência musical, que seja ela de acordo com a Palavra.

Aparecida Artioli disse...

qual o problema em comentar o local onde aconteceu??? para que "esconder"?essa ressalva só vem confirmar que não deveria ter acontecido, ademais, está na rede para quem quiser ver.Alguém comentou que Fred Mercury poderá estar no céu, concordo que sim, afinal a Sra.White nos adverte que teremos surpresas no céu, e que linda surpresa será vê-lo lá, e que eu também possa estar lá, mas estou pensando seriamente se quero ainda carregar o rótulo de Adventista do Sétimo Dia, depois dessa lamentável apresentação!!!!! Só não fico mais triste, porque é mais um sinal de que o fim está próximo, profecias se cumprindo. MARANATA!!!!!! (ass. Cidinha Artioli)

douglas reis disse...

Jônathas Sant'Ana,

seja bem-vindo ao blog.

Embora aprecie o seu direito de expressar sua opinião, me vejo obrigado a discordar de você em alguns pontos, embora ao fazê-lo espero não faltar com estima cristã.

Suas considerações sobre a palavra mundo são incompletas, porque o texto original usa palavras diferentes para expressar ideias relacionadas ao (a) mundo físico e (b) mundo como sistema de pensamento corrupto e pecaminoso. Deus é criador do primeiro e não do segundo mundo, associado ao mundanismo;

Nem tudo o que não é sagrado é ruim; mas negar separação entre sagrado e secular é raciocínio dos evangélicos, não pensamento bíblico. Alguns exemplos: (a) o sábado é sagrado, os demais dias da semana, não. Isso não quer dizer que não possa cultuar a Deus ou servi-lo em outros dias, mas o sábado é dedicado para isso - portanto, sagrado.

Outro caso: o santuário é santo - não é qualquer um que entra nele a qualquer hora. Muitos dos objetos que ali estavam eram igualmente sagrados. Percebeu como a Bíblia faz essa separação?

Sobre características da música em E.G. White: há muitas orientações filosóficas que ela dá e que devem ser tornadas por músicos em orientações práticas - veja: http://questaodeconfianca.blogspot.com.br/2011/02/nao-seria-mais-facil-uma-profetiza.html

Um abraço.

Jônathas Sant'Ana disse...

David, obrigado pelas boas vindas.

Respondendo a sua resposta rs:

"Suas considerações sobre a palavra mundo são incompletas, porque o texto original usa palavras diferentes para expressar ideias relacionadas ao (a) mundo físico e (b) mundo como sistema de pensamento corrupto e pecaminoso. Deus é criador do primeiro e não do segundo mundo, associado ao mundanismo;"

Foi exatamente essa diferenciação que fiz, você não está discordando de mim nesse ponto. Porém deve-se levar em consideração duas coisas: O mundo físico inclui as pessoas, e TODAS elas, sem exceção de nenhuma, e como eu disse, não deve-se negar o conceito de graça comum, pois ele é bem claro na teologia bíblica e faz parte da doutrina adventista. Tendo isso em vista, sugiro que repense a forma como leu meu comentário.

Sobre o conceito de separação do sagrado e secular você entrou num conceito muito interessante ao qual vou relançar uma segunda questão:
(a) Ok, o sábado e sagrado, os outros dias não. Porém - numa instância que leva em consideração um cristão maduro e que tem consciência de todos os princípios bíblicos - se você não viveu as 24 horas inteiras e completas dos outros dias em comunhão com Deus, incluindo os períodos em que você estava fazendo coisas "seculares", você separar o sábado como sagrado será um ato de hipocrisia.

(b) O Santuário ser sagrado tinha uma conotação completamente diferente por que ele tinha um simbolismo diferente. Ele servia ao homem como várias coisas, como a habitação de Deus entre os homens, o sacrifício de Cristo, dentre outras coisas. Depois que Cristo veio e cumpriu esses objetivos, nós passamos a ser o templo do Espírito santo, habitação de Deus, e passamos a ser portadores do que o sacrifício de Cristo representa... Então somos templo só quando estamos fazendo coisas sagradas? Deixamos de ser templo quando fazemos as coisas "seculares"?

A questão é que todos os aspectos da sua vida impreterivelmente são espirituais ou no MÍNIMO influenciam a sua vida espiritual. Lembre-se de como citei corintios "qualquer coisa que você fizer seja para honra e glória de Deus". Sua vida não tem coisas seculares e sagradas, sua vida é sagrada. Muitos pensam que ao defender esse argumento, estamos facilitando para as coisas profanas entrarem na nossa vida, mas é exatamente o contrário, se a nossa VIDA é sagrada como um todo, devemos repensar a forma como fazemos qualquer coisa. Acontece que "demonizar" ou "tornar profano" tudo o que é secular sem nenhum critério é passar por cima de vários princípios básicos como esses que citei como o "da vida inteira entregue a Deus", o da "graça comum", o do "não julgueis" e o do "examinai tudo e retém o que é bom".

E obviamente que devem ser tomadas como orientações práticas as orientações de Ellen White, o que eu quis dizer é que ela não estava falando de estilos musicais específicos e sim de toda e qualquer música executada. Qualquer pessoa que siga os princípios básicos de interpretação de texto entende que os termos usados por ela, assim como seus trechos geralmente utilizados para condenar um estilo ou outro, não são aplicáveis a apenas um estilo, mas a qualquer deles.

douglas reis disse...

Jônathas Sant'Ana,

Não sei porque você começa me chamando de Davi, mas tudo bem...rs

Quando disse de seu equívoco sobre mundo, perceba um detalhe crucial: nem tudo o que está no mundo é bom, ou mesmo neutro, porque mundo pode se referir justamente ao que é contrário à vontade de Deus (na segunda acepção do termo).

Assim, há uma separação entre sagrado e secular. E os texto que na minha resposta ao Luiz Felype esclarecem esse ponto (veja comentário acima).

Como escrevi antes, nem sempre o que é secular (aí no sentido de estritamente religioso) é mal por si - como no exemplo que dei, sobre a relação entre sábado e dias da semana (o que você somente reforçou, sem contradizer o que eu já havia escrito).

Talvez poderíamos dizer que a função do sagrado na Bíblia seja ser distinto, mas não isolado do secular. O sagrado ilumina o secular para que ele não se torne mundano (no sentido bíblico de contrário a Deus).

Entre os princípios bíblicos que você mencionou, muitos se acham descontextualizados. Por exemplo, Jesus disse para não julgarmos em Mateus 7:1-5 deve ser tomado em um sentido absoluto?

Bem, se fosse assim, todo julgamento seria proibido. Consequentemente, não poderiam haver comissões da igreja ou disciplina eclesiástica! Mas será isto o que realmente a Bíblia ensina?

Basta olhamos, no mesmo capítulo, os v 15-20, onde Jesus diz que podemos reconhecer as pessoas pelos seus frutos. Paulo também argumenta que os cristãos deveriam se julgar uns aos outros, no sentido de se corrigirem mutuamente, ao invés de se submeterem ao julgamento de descrentes (I Co. 5:12; 6:1-4; ver também Mt. 18).

O que não podemos fazer ( e estou consciente de não tê-lo feito em momento algum) é julgar alguém quanto a estar salvo ou perdido, porque tal julgamento cabe apenas a Cristo.

Outro texto fora de contexto: julgar de tudo e reter o que é bom não é um critério para qualquer coisa (como o texto é usado popularmente), mas se refere a avaliação de novos profetas, basta ler o contexto (1 Ts 5:19-21).

Agora, a declaração mais problemática que vejo de sua parte seja dizer que não podemos inferir um padrão de critérios musicais a partir dos escritos de EG White.

Implicações possíveis: toda música poderia ser considerada sacra, dependendo a definição de sacro apenas do tipo de letra? Exemplo prático: posso louvar a Deus com pagode, axé, bossa nova e música pop?

Se isso for verdade, estaria a IASD interpretando equivocadamente os escritos de EG White? Se você disser que depende do contexto, isso não será relativismo estético (o que não parece se conformar com a ideia de absolutismo defendida pelo cristianismo)?

Se for assim, negamos o princípio entre a separação entre sagrado e profano, admitindo que outras questões sensíveis (relacionadas ao estilo de vida) sejam apenas pontos secundários, representando preferências pessoais - como uso de joias, ir ao cinema, fazer tatuagens, consumo de alimentos estimulantes, etc.

Lembre-se: ideias têm consequências. E é necessário pesar todas as implicações, ver a questão por diversos ângulos.

Amigo, acho que antes de darmos sequência ao diálogo, seria mais adequado você ler o que escrevi sobre os testemunhos como modelo de construção para a música sacra:http://questaodeconfianca.blogspot.com.br/2007/09/msica-sacra-dentro-da-cosmoviso.html

Leia e depois continuaremos nosso diálogo. Um forte abraço.

Jônathas Sant'Ana disse...

Ah eu tenho a mania de confundir nomes que tem as mesmas iniciais haha. Chamo Guilherme de Gustavo e chamei Douglas de Davi, desculpe-me.

Você disse que "nem tudo o que está no mundo é bom, ou mesmo neutro", na verdade o que estou tentando dizer é que NADA que há no mundo é neutro.
O que complica imensuravelmente toda essa questão de separar sagrado do secular.
Até por que se o sagrado se resume ao que fala diretamente de Deus e tem adoração e ensinamento como propósito, usando um exemplo "radical", deveríamos reinvidicar a retirada de Cantares da Bíblia.
Agora se você coloca a palavra mundo como o que é contrário a Deus, então temos que SAIR do termo secular e ir para o termo "profano".

O que é contrário a Deus não é o secular, e sim o profano. Sinceramente, não vejo onde a música do caso citado possa ser profana. O argumento da banalização do termo "lord" é fraco demais até para ser discutido.
Então a questão no caso específico seria, uma música é profana por ter sido executada por alguém que cometia atos profanos ou por que compôs outras músicas profanas?
Se for esse o critério, eu teria que deixar de ouvir inclusives as músicas cristãs, pois foram compostas por pessoas tão pecadoras quanto eu, e muitas delas já compuseram músicas profanasantes da conversão, ou podem vir a compor músicas profanas caso saiam da igreja.
E é aí que entram os dois outros conceitos que falei, o da "graça comum" e o do "julgamento".

Sobre seu questionamento do julgamento como algo absoluto.
sua pergunta foi: "Bem, se fosse assim, todo julgamento seria proibido. Consequentemente, não poderiam haver comissões da igreja ou disciplina eclesiástica! Mas será isto o que realmente a Bíblia ensina?"
Bem, eu questionaria com bastante vigor o modo como a igreja trata essas questões de "disciplina" e "comissão". Não julgo o princípio das mesmas, mas a forma como é feita pela instituição hoje, como esse não é o tema vou tocar numa segunda ferida.
Você citou o "pelos seus frutos os conhecereis" (a maior desculpa utilizada pelo farisaísmo cristão para julgar) e os conselhos sobre exortação.

Há uma diferença GIGANTESCA entre exortar e julgar no sentido do qual Jesus falou.
Seu texto por exemplo tem um tom maior de preocupação e exortação do que de julgamento.
Mas será que os princípios nos quais ele se baseia não estão arraigados na cultura do "vou julgar pelos frutos"?
"Pelos seus frutos os conhecereis"
O que a Bíblia define como frutos? O que são frutos?
A resposta está em Gálatas 5:22 e também no cumprimento dos mandamentos (aliás, o cumprimento dos mandamentos é um critério que de "conhecimento pelos frutos" que vem acompanhado pelo importantíssimo "Deus não leva em conta o tempo da ignorância")
O que me deixa intrigado é que nas descrições que a Bíblia faz sobre o que são os frutos, não diz nada sobre algumas questões que insistimos em colocar em pauta mais importante do que os mandamentos de amar a Deus, ao próximo e não julgar.

Aplicando isso ao caso em questão - aliás, ainda não entendi por que motivos não se possa citar que caso é este, já que é um caso tornado público - temos que não podemos julgar a música utilizada como profana, pois ela em si não é profana, e utilizar os "frutos" do compositor como critério é ignorar princípios muito mais nobres.
Temos também que a música estava num contexto completamente diferente do contexto em que ela poderia ser considerada condenável, como um show idólatra e enaltecedor do mundanismo (no sentido de profano).

Sem entrar em discussão específica sobre música (terei que esperar as minhas férias para ler o seu artigo haha), mas tratando da questão secular x sagrado, a música como fenômeno físico é secular em si mesma.
Porém ela só se torna sacra ou profana, não pela letra em si, mas sim pela mensagem (que não depende só da letra) e pelo objetivo pelo qual é executada.
Lerei o seu artigo e comentarei nele para prosseguir sobre o tema "música".

Jônathas Sant'Ana disse...

O que me preocupa é que muitas vezes, nós adventistas e também outras religiões protestantes tradicionais, fiam-se no medo de ler a Bíblia pura e simples e os escritos de Ellen White sem ter que recorrer às opiniões oficiais da instituição expressas em outros livros de análise.
Deus deixou seus princípios claros, mas não subestimou nossa inteligência. Em exemplos esdrúxulos, muitas vezes reduzimos o "lembra-te do dia se sábado" a "não fazer nada sábado" ou "não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão" em "não fica dizendo 'Meu Deus' toda hora".
E pior, TENTAMOS suprimir todo aspecto cultural e individual (coisas colocadas por Deus em nós humanos) que possa haver na maneira como vivemos o cristianismo de uma forma que, não conseguindo (obviamente) criamos anomalias teológicas tão grandes que chegamos num ponto onde precisamos discutir coisas como essas ao invés de nos elevarmos a temas urgentes como a salvação espiritual e física de pessoas.

Cristiano Cardoso de Carvalho disse...

Por favor, por amor a JESUS CRISTO! Entrem em contato com a reitoria desta instituição e por zelo cristão retirem este vídeo do refeitório do ar! Aconselhem os responsáveis e os conduza ao arrependimento antes que seja tarde! DEUS não se deixa escarnecer desta maneira, o nome DELE está sobre nós e sobre a esta instituição também. Que todos se arrependam desta abominação que está a escandalizar toda a igreja adventista. Orem por favor! Este vídeo afronta totalmente o manual da Igreja e nossos princípios. E que DEUS nos ajude!

Leandro Schmitberger Gavazzoni disse...

"...e agora tanto faz o que é sagrado
nada importa se isso tudo não for antes santificado..."
(sagrado, palavrantiga)
"Portanto, quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus".
1 Coríntios 10:31
Recomendo a leitura do livro "verdade absoluta" da autora Nancy Pearcey, que aborda essa questão da divisão secular/sagrado.


Clauzemberg disse...

Bom, vou falar um pouquinho sobre a música em questão visto que até agora só vi comentários genéricos e todos falam que a letra ou o estilo da música não tem nada demais.

Primeiro vamos falar sobre a música. Peguei alguns trechos do que está escrito na Wikipedia em inglês (http://en.wikipedia.org/wiki/Somebody_to_Love_%28Queen_song%29). Vejamos:

"Somebody to Love" é uma canção da banda de rock britânica Queen, escrito por Freddie Mercury . Ela estreou em 1976 no álbum da banda "A Day at the Races" e também foi destaque em seu álbum de compilação "Greatest Hits" . [[Observação: Na capa do álbum temos vários simbolismos interessantes. Isso não vem ao caso agora mas será que eles foram utilizados sem propósito ou será que existe algum objetivo ou mensagem por trás? Mas como não se julga um livro pela capa... vamos continuar.]]

A música oferece aos ouvintes algo semelhante ao hit anterior do Queen "Bohemian Rhapsody" (Rapsódia Leviana), com suas harmonias complexas e solos de guitarra, no entanto, em vez de imitar um coro Inglês, a banda voltou-se para um coral gospel. ... Esta canção deixou claro para os fãs que o "Queen poderia balançar tanto quanto o rock, canalizando o espírito da música gospel". [[O hit 'Bohemian Rhapsody' entre outras coisas fala: acabei de matar um homem e Belzebu deixou um diabo reservado para mim]]

Escrito por Mercury ao piano, "Somebody to Love" é uma peça sobre a procura da alma que questiona o papel de Deus em uma vida sem amor. Através de técnicas de camadas de voz, Queen foi capaz de criar o som emotivo de um coro de 100 vozes, com apenas três vozes...
... A letra, especialmente combinada com a influência Gospel, criou uma canção sobre a fé, o desespero e o exame de consciência; o cantor questiona tanto a falta de amor que experimentou em sua vida quanto o papel e a existência de Deus. ...
"'Somebody to Love' é influenciada por Aretha Franklin. ... Nós tentamos manter a faixa relaxada, com uma sensação tipo gospel. Eu acho que é a faixa mais relaxada que já fizemos." Roger Taylor

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Acredito que isso por si só bastaria para condenar completamente a "música". A letra seria irrelevante já que o objetivo da "música" está explícito: Mostrar que é possível fazer música dançante com estilo gospel e questionar o papel e a existência de Deus.

"Acaso pode sair água doce e água amarga da mesma fonte? Meus irmãos, pode uma figueira produzir azeitonas ou uma videira, figos? Da mesma forma, uma fonte de água salgada não pode produzir água doce." (Tgo 3:11-12)

Mas vamos à letra:

Clauzemberg disse...

Alguém pode me encontrar alguém para amar?
A cada manhã me levanto e morro um pouco
Mal consigo ficar em pé.
(Olhe para si mesmo) Olhe no espelho e chore, (e chore)
Senhor, o que está fazendo comigo

Claramente nota-se aqui que o amor que ele quer não é o de amor ao próximo mas sim o de satisfação própria. Não há nada errado em querer alguém mas a letra reflete a banalização do amor onde o que importa é o que eu sinto. Veja que o sentimento dele é de depressão e tende a pensamentos de morte. E no final a culpa sempre é de Deus e não das minhas escolhas.

Eu tenho passado todos os meus anos acreditando em Você
Mas eu simplesmente não consigo nenhuma ajuda, Senhor!
Alguém, alguém, alguém, alguém
Alguém pode me achar alguém para amar?

Mais uma ideia errada que está bem escancarada mas muitos não conseguem enxergar: A ideia de que precisamos fazer algo para merecer o favor de Deus. Aqui pode entrar também a doutrina da prosperidade muito pregada hoje em dia. E termina dizendo que como Deus não me ajudou depois de tantos anos então vou começar a procurar alguém que possa me ajudar. Cabe aqui uma pequena observação: qual era o tipo de amor que ele estava querendo e que Deus se recusava a dar? Conhecendo a história do compositor sabemos que era uma relacionamento homossexual. Então faz sentido Deus não ter dado isso não é? Rom 1:27

Eu trabalho duro (ele trabalha duro) todos os dias da minha vida
Eu trabalho até que sinto dor nos meus ossos
No final (no final do dia)
Eu levo para casa meu pagamento suado sozinho
Eu me abaixo (abaixo) de joelhos (joelhos)
E eu começo a rezar
Até que as lágrimas escorram dos meus olhos
Senhor - alguém - alguém, ooh alguém (Por favor)
Alguém pode me achar alguém para amar?
(Ele quer ajuda)

Aqui continua a sua justificativa ou melhor sua justificação pelas obras para alcançar a bênção que ele tanto desejava (um homem). A dor nos ossos é porque a idade tá passando e ainda nada aconteceu a seu favor.

Todo dia (todo dia) - eu tento e tento e tento
Mas todos querem me humilhar
Dizem que estou enlouquecendo
Dizem que tenho muita água no meu cérebro
Ah, não tenho bom-senso
Não me sobrou ninguém em quem acreditar
Sim, sim, sim, sim
Oh Senhor

Aqui ele continua tentando com suas próprias forças contra a vontade de Deus. Mas o que ele tentava todo dia? Será que ele estava tentando convencer alguém ou sociedade? Porque será que 1976 diziam que ele era louco? Será que ele desejava algo inaceitável para a época?
Ter muita água no cérebro devia ser uma expressão comum da época, errada por sinal, mas seria como dizer "bebeu demais" (e não é água).

Clauzemberg disse...

Ooh alguém - ooh alguém
Alguém pode me achar alguém para amar?
(Alguém pode me achar alguém para amar?)
Não tenho nenhuma sensação, não tenho ritmo
Eu continuo perdendo meu compasso. (você continua perdendo)

Aqui ele tá dizendo que tá ficando "enferrujado". Não tem nenhuma sensação (sexual). Por isso não tem ritmo (movimento no ato sexual). Fica claro aqui que o "amor" que ele quer é apenas o da sensação física.

Estou ok, estou bem, (ele está bem - ele está bem)
Não vou encarar nenhuma derrota. (sim, sim)
Eu só preciso sair desta cela de prisão
Um dia (algum dia) eu vou ser livre, Senhor!

Aqui ele diz pra não se preocuparem com ele. Ele tá bem apesar de estar morrendo a cada dia. Ele diz que um dia ele vai se libertar mas não é do pecado e muito menos com a ajuda do Senhor. Na verdade ele está dizendo para o Senhor que um dia ele vai se libertar. Seria aqui, nesse ponto, que ele começa a rejeitar a Deus?

Achem-me alguém para amar, achem-me alguém para amar
Achem-me alguém para amar, achem-me alguém para amar
Achem-me alguém para amar, achem-me alguém para amar
Achem-me alguém para amar, achem-me alguém para amar
Achem-me alguém para amar, achem-me alguém para amar
Alguém, alguém, alguém, alguém
Achem-me alguém para amar, achem-me alguém para amar
Quem consegue encontrar alguém para amar?
Achem-me alguém para amar
Achem-me alguém para amar
Achem-me alguém para amar
Achem-me, achem-me
Achem-me alguém para amar
Alguém para amar
Achem-me alguém para amar

E assim termina a "música". Alguém que desisti de Deus porque Ele não aceitou sua vida pecaminosa (mas Jesus não nos aceita como somos? Mat. 10:39) e que agora procura alguém que o aceite e que realize seus desejos.

Agora me respondam, será que não tem nada de errado nessa "música"?

Pois certos homens, cuja condenação já estava sentenciada há muito tempo, infiltraram-se dissimuladamente no meio de vocês. Estes são ímpios, e transformam a graça de nosso Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Soberano e Senhor. Embora vocês já tenham conhecimento de tudo isso, quero lembrar-lhes que o Senhor libertou um povo do Egito mas, posteriormente, destruiu os que não creram. (Jud 1:4-5)

douglas reis disse...

Clauzemberg,

espetacular sua análise da letra. Acho que é bastante decisiva sobre o assunto em pauta. Parabéns pela sua contribuição.

Jônathas Sant'Ana disse...

Há alguns problemas com a condenação da letra a partir da interpretação do Clauzemberg.
Não vou entrar em mais detalhes para não render, mas apontarei alguns deles.
Eu não questiono nada sobre Bohemian Rhapsody pois para mim ela é bem clara.
Já "Somebody to Love" rende uma boa discussão em vista dos argumentos apresentados.

Pra começar houve uma clara distorção por parte da interpretação do texto da Wikipédia utilizado pela música, pois foi colocado que a música questiona Deus, quando na verdade o que o texto está dizendo é que a música questiona a inexistência do amor na vida do compositor e também a existência desse sem Deus, que na cosmovisão cristã é um questionamento bem fundamentado, já que o amor sem Deus não é possível.

Agora, o resto da análise da música tem um problema seriíssimo: Ela é toda pautada no julgamento externo que é feito a respeito do Freddie Mercury.
E isso é um grande problema, que envolve os pontos que já questionei nos meus comentários anteriores sobre graça comum e o princípio do "Não julgueis".

Outro ponto a ser questionado é: A música é um questionamento muito humano, e BEM universal sobre o por que falta amor na vida da pessoa.
É pecado desabafar assim com Deus? Alguns diriam que é desrespeito, mas o que dizer dos questionamentos que Jó, Moisés, Elias, Jeremias, Davi, Salomão e vários outros patriarcas e profetas fizeram pra Deus?
Questionamentos aliás, que se lidos em primeira instância parecem até desrespeitosos, quando eles questionam o por que Deus os abandonou, ou o por que Deus faz isso ou aquilo.
Acho muito interessante que se condene o questionamento que a música faz uma vez que ela parece muito um pedido, uma oração, desesperada e, sim, talvez repleta da carga pecaminosa que levava o compositor.
Mas quem somos nós pra julgar se ele fez isso como desafio ou como um real questionamento?
Por que - como já comentei acima - condenamos toda e qualquer forma de expressão pessoal e artística dos questionamentos mais profundos da natureza humana, se elas estão presentes na Bíblia incontáveis vezes?
Eu poderia responder TODA a análise do amigo e irmão Clauzemberg, rebatendo todos os argumentos com esses princípios básicos. Mas não creio que haja a necessidade de prolongar isso, a não ser observar o que já notei acima: a interpretação da letra dessa música dessa forma, por mais que pareça convincente e bem embasada é inteiramente subjetiva e muito pouco objetiva. Não desmerecendo o trabalho de análise do irmão, que foi um trabalho muito bem feito, mas que interpretado dessa forma não pode, não deve aliás, servir como base para condenarmos o que foi feito pelos nossos outros irmãos que interpretaram a música no incidente citado e dos quais nada podemos falar a respeito do relacionamento deles com Deus.


Rubén Fco. Orellana Aizprúa disse...

"Na multidão de palavras não falta pecado, mas o que modera os seus lábios é sábio." Provérbios 10:19

O fim NÃO justifica os médios, se acreditarmos sermos seguidores de Cristo, precisamos cair de joelhos e pedir o colírio (Espírito Santo)porque nós, membros da última igreja da profecia de Apocalipse capítulo 3, dizemos: "... Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta" mas o Jesus nos diz:"... não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;" Apocalipse 3:17

Os comentários de todos aqui foram bons, no entanto, percebe-se a tendência de relativizar as coisas para dessa forma justificar os médios usados para alcançar às pessoas, lembrem-se do apóstolo Paulo, ele tentou se colocar ao nível dos atenienses para falar do "Deus não conhecido" por eles, usando o acervo de conhecimento que ele tinha para demonstrar por muitas palavras (conhecimento, PhD's e tals adquirido aos pés de Gamaliel, não qualquer um que conseguia ser aprovado nesse tipo de educação)a existência desse Deus criador do Universo, mas a colheita dessa intervenção rendeu poucos frutos, a diferença das simples e humildes participações dos discípulos no dia do Pentecostes e posterior a essa data, por isso Paulo reconheceu e disse posteriormente "E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria.
Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado." 1 Coríntios 2:1-2

Finalizando "E disse-lhes [Jesus]: Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum." Marcos 9:29

Vamos orar e jejuar com o firme propósito de que Deus abra os nossos olhos espirituais através do Seu Santo Espírito e possamos distinguir o certo do errado em nossas vidas, atitudes, médios e intenções dos nossos corações. Para não sermos achados em falta no dia do nosso julgamento.

Jc Moreira disse...

Pr. Douglas, depois de ler seu livro e ver que seu blog está muito atualizado após o lançamento do mesmo tenho que lhe dizer algo:

PARABÉNS POR SUA POSTURA !

Não vi comentário de mais NINGUÉM que seja comprometido com a igreja e seu futuro. A notícia do flash mob foi uma "bomba" que para muitos envergonhou a postura de nossa igreja.

Digo parabéns pois sei como é difícil se posicionar sendo um obreiro(eu também já estive nesta posição).

Paree que estamos chegando ao "ÔMEGA" da apostasia predito.

Como disse bem o Pr. Clifford Goldstein - "Não podemos deixar que os membros Adventistas do Sétimo Dia nos afastem da VERDADE Adventista do Sétimo Dia" - no livro - "O REMANESCENTE" pg 113.

mais uma vez digo parabéns por sua coragem e postura. Oro por você e por todos que não ficaram de joelhos diante da estátua de ouro.

Anônimo disse...

Vem muito do querer aceitar ou não os caminhos de Deus, eu estudo a 5 anos em um internato, e vejo dois extremos. O primeiro extremo, um ambiente que se torna o melhor lugar para um jovem cristão, musicas boas, pregações, amizades verdadeira que te elevam, etc. Em contra partida o segundo extemo, para alguns se torna a oportunidade de sair do cerco dos pais e fazer tudo que desejam, lugar de liberdade, rebeldia, drogas, baladas, etc. Assim vai de cada um; ninguém obriga o outro a fazer coisas erradas... vai porque quer...Desiste do amor de Jesus por escolha propria.

professor jairo disse...

Olá, povo de Deus!
Gostei muitos de todos os textos; tanto os prós como os contras.
Com relação aos escritos desatualizados da irmã White(não creio que estejam)citaria a Bíblia que também não é autoridade em termos de música na Igreja Adventista. Hoje em dia se colocam muitas palavras fora do seu contexto para defender gostos pessoais. A igreja adventista poderia ser uma referencia para o mundo em termos de música, mas seu orgulho é maior que seu potencial. Infelizmente pensamos muito mais na Instituição do que no Seu Senhor. Se fôssemos uma nação como era Israel tentaríamos pegar o Cristo em alguma contradição, ou quem sabe, bateríamos de ombro a alguém tão desqualificado como Ele. Que o Senhor nos dê humildade e um espírito de missão bem maior que presumimos ter.

Anônimo disse...

Já li textos de EGW que falam sobre música. Já procurei entender alguns cantores da nossa igreja. Percebi coisas estranhas com relação a música, principalmente o espírito artístico que envolvem muitos músicos cristãos. E quando cito "artístico" não me refiro a arte criativa e sim ao estrelismo que leva muitos a inovar meramente para reforçar sua condição de artista. Eu era um roqueiro moderado, tinha vários cd's de rock, gostava de muitas bandas. Um dia decidi mudar o rumo da minha vida e descobri que não mais precisava do som das baquetas frenéticas, dos solos de guitarra distorcida pela pedaleira. O som rebelde não mais tinha lugar em meu coração. Joguei todos os cd's fora, alguns amigos se revoltaram porque eu não os presentei com meus cd's. Entendi que se aquilo não me fazia bem não deveria repassar a outros, ainda mais sendo meus amigos. Fico triste quando vejo sons que abandonei me perseguirem dentro da igreja. Admiro Freddy Mercury pela sua voz, pela sua energia, pelo amor que demonstrou por sua namorada a ponto de compor "love of my life" para ela, mesmo sendo homossexual e ter sido abandonado quando ela descobriu sua dupla sexualidade, inclusive deixando seus bens em testamento para tal ex-namorada. Deveríamos aconselhar nossos irmãos a selecionar as boas músicas de qualquer cantor e cantá-las sem receio ou culpa? Poderíamos cantar as belas músicas do vegetariano e usuário de maconha Djavan. Poderíamos cantar as músicas de amor e romance. Poderíamos....Poderíamos selecionar dentre as coisas que o inimigo nos oferece as melhores, sim as melhores, as melhores que são aceitas pela maioria. Não quero ofender aos que gostaram de "Somebody to Love" más encontrei alguém para amar e esse alguém é Cristo. O que mais me incomoda não é a inovação, más a omissão em assumir uma postura pública do que se acredita. Sinceramente os músicos da igreja são os que mais me remetem ao meu passado. Eu já estive lá fora e posso dizer: tudo é vaidade. Não creio que tenhamos um problema de linguagem e sim um problema de relacionamento. Gostaria muito de ouvir o organizador do flashmob dizer que depois de muito orar e estudar a bíblia, Deus colocou em seu coração pesquisar a obra do Qeem e achar em meio a tantas músicas do grupo, a música "Somebody to Love". É isso que gostaria de ouvir más não ouço e se não ouço fico com a convicção revelada através da Senhora White. Não precisamos apresentar o mundo para quem já é do mundo. Precisamos apresentar o mundo de Cristo para que os cansados e sobrecarregados possam encontrar descanso.

Rubén Fco. Orellana Aizprúa disse...

Excelente colocação Anônimo, se me permite, posso colocar o seu comentário na página do FB sobre esse vídeo?

Artur Jose Antunes disse...

Douglas parabéns pelas mensagens, estou praticamente de luto pela igreja por conta do ocorrido. Somente que leva o cristianismo a sério entende a gravidade do problema. Espero que os próximos sejam mais cuidadosos ao utilizar instituições da igreja para promover esse tipo de apresentação. Afinal de contas os dízimos de muitos fiéis alimentas estas faculdades, e pessoas que abandonaram o mundo para promover a palavra não ficaram nem um pouco conformadas ao ver o mundo entrando nas dependencias da igreja desta forma tão banalizada, ainda mais com uma letra de denigre a imagem de Deus. Certeza que Todos que apoiaram a iniciativa nem mesmo analisaram a letra da música para encontrar a mensagem passada.