segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O APOCALIPSE QUE TODOS (ACHAM QUE) CONHECEM



Quando ouço as pessoas dizendo que a mensagem do Apocalipse é simples, sinto um misto de felicidade e preocupação. Claro que me alegra saber que mais gente estuda e entende as Escrituras, porque Deus nunca destinou o conhecimento delas para meia dúzia de acadêmicos. A preocupação decorre da pouco divulgada defasagem que temos quanto ao estudo do Apocalipse. Isso faz com que, em nível popular, tenhamos a impressão de tudo ser muito simples. Ledo engano!
Os principais materiais que temos em português sobre o estudo do Apocalipse são dois livros: Revelações do Apocalipse, de Roy A. Anderson e Uma nova era segunda as profecias do Apocalipse, cuja autoria pertence a C. Mervin Maxwell. Há méritos nos dois trabalhos. Entretanto, eles estão datados. O estudo do último livro da Bíblia avançou depois dessas publicações, que contam com mais de duas décadas.
Entretanto, sobre esses dois pilares são criados estudos bíblicos (como a conhecida série de Daniel Belvedere e outras que vieram em sua esteira), séries de conferências e programas de televisão. A massificação do conhecimento antigo e defasado passa a impressão de que tudo que poderíamos saber sobre o Apocalipse está à mão. E em muitas regiões do país, não faltam irmãos que repetem esse conhecimento com tanta segurança que são considerados profundos conhecedores do assunto.
O espírito de nossos pioneiros consistia em estudar a Bíblia com oração e buscar sua compreensão mais profunda. Eles não aprovariam uma igreja que estacionasse em sua pretensão de conhecer a verdade, mas que, de fato, não conhecesse toda a verdade. E como podemos saber que o estudo do apocalipse ainda é relevante? Simples: basta ver o número de livros que são publicados sobre o apocalipse por estudiosos adventistas em inglês (e outras línguas, como uma obra recente em alemão, do teólogo adventista Ekkehardt Mueller).
Em muitos dos livros mais recentes, embora o princípio historicista da igreja seja mantido, a interpretação de detalhes (como as sete trombetas, por exemplo) diverge do que sempre se ouviu (e ainda se ouve) dizer em nossos púlpitos. Sim, os estudos avançam, novas conclusões surgem e por aqui ninguém fica sabendo de nada. A impressão é que apenas no Brasil paramos no tempo…

A solução? Orar para que nossas editoras se animem a traduzir coisas novas. Para quem lê em inglês, procurar materiais e artigos disponíveis gratuitamente, escritos pelos mais lúcidos teólogos adventistas em atividade. E, acima de tudo, estudar o Apocalipse, em consonância com a base profética dos adventistas. Autores nacionais, como Vanderlei Dorneles, têm se desbravado a fazer isso. Que Deus levante outros como eles. Afinal, o Apocalipse não é a revelação de Jesus para Seu povo? Está mais do que na hora de estudarmos isso com mais seriedade.


Um comentário:

Retiro da Saúde disse...

Douglas, há dois ancos tenho estudado livros do Hans La Rondelle sobre o Apocalipse junto com um amigo, e posso afirmar que os materiais deste autor são excelentes, porém faltam livros novos, faltam novas descobertas, pois ainda há profecias no Apocalipse que precisam ser estudadas e desvendadas. Noto que aqui no adventismo do Brasil há um certo medo de se tocar no assunto Apocalipse, principalmente em pontos tidos como "polêmicos", por exemplo As 7 Trombetas e Apocalipse 17. Parece que já sabemos tudo e não precisamos estudar, e o pior é que se alguma nova interpretação surge, é tida como alarmismo ou sensacionalismo. Outro argumento que ouço muito é que nossa doutrina esta fundamentada no historicismo. Compreendo isso, realmente é importante, mas como tem sido colocado, qualquer interpretação para o nosso tempo é tido como um crime, pois só podemos olhar para trás, nunca para o agora e o futuro. É lamentável que achemos que sabemos tudo e não precisamos de mais nada. A história do adventismo começou com o estudo das profecias e precisa terminar com os estudos proféticos, é nosso DNA. Sem profecia, o resultado é a tragédia espiritual.

William Fernandes de Sousa
IASD Campo Limpo Paulista