quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

OS TRÊS MAIORES PROBLEMAS QUE OS ADVENTISTAS ENFRENTAM HOJE


Estudar se relaciona com a vida. E envolve reflexões para a experiência, o que inclui aspectos bem práticos. Fazendo o mestrado, tenho desfrutado disso. Hoje, para o exame de uma matéria (Problemática contemporânea), fomos questionados sobre os três maiores desafios ao movimento adventista na atualidade. Compartilho meu texto sobre o assunto. Trata-se de uma introdução e, certamente, o número limítrofe de aspectos impõe uma eleição arbitrária (outros podem ter eleito aspectos diferentes). Contundo, acho que a reflexão pode ser útil.
Creio que os três maiores problemas seriam: (a) polarização teológica; (b) diversidade de conceitos litúrgicos e (c) ordenação da mulher.
Sobre eles, pode-se brevemente tecer as seguintes considerações:

(a) A polarização é fruto de metodologias distintas, que, por sua vez, resultam de pressupostos distintos para o fazer teológico. Obviamente, a teologia por si permite, mesmo quando há a adoção dos mesmos pressupostos, diversidade em questões pontuais. Mas tal diversidade encontra seu limite em marcos bem definidos da herança adventista, o que envolve não apenas doutrinas, sejam distintivas ou não, como a postura hermenêutica adotada pelo movimento. Desde o princípio, os adventistas procuravam firmar um sério compromisso com a Bíblia. Assim, foi se desenvolveu o princípio hermenêutico chamado sola-tota-prima Scriptura (i.e., encara-se a Bíblia como sendo somente a única regra de fé; considera-se a Bíblia em toda a sua extensão e como possuindo a primazia sobre opiniões, tradições e experiências humanas). Por falta de desenvolvimento e aplicação mais cabal desse princípio, o adventismo recebeu a influência evangélica, o que se agravou pelo consumo de literatura cristã em áreas técnicas, para as quais nada da perspectiva adventista se produzira (e que, em muitos caso, não se há produzido até hoje). Metodologias evangelísticas e estilos de culto evangélicos também contribuíram para o agravamento do processo. Assim, a ortodoxia adventista convive com pensamentos voltados ao liberalismo, corroendo a unidade de pensamento do movimento adventista. A proposta de escritores liberais, como Alden Thompson e Fritz Guy consiste na aceitação dessas diferenças em um espírito democrático e de contribuição mútua. Se levada a cabo, a tensão teológica aumentará ou, na pior das hipóteses, ocorrerá a completa perda de identidade adventista.
(b) Segundo Holmes, desde a década de 1960 há influxos de cultos e práticas litúrgicas na igreja adventista (ele se refere ao contexto norte-americano). Em outros partes do mundo, há um sincretismo com religiões nacionais ou outras expressões cristãs. Em todos os casos, há a tendência de a cultura substituir as normas bíblicas quanto aos critérios para a adoração. Por outro lado, é evidente que tais critérios, encontrados na Bíblia e nos testemunhos, não descartaram todos os elementos culturais, o que seria virtualmente impossível, considerando que idiomas e vestimentas fazem parte de cada cultura. Porém mesmo a diversidade justificável não fornece base suficiente para dizer que tudo é permitido. No demais, a relativização de conceitos ligados à adoração poderia sugerir uma consequência lógica, que seria entender outros princípios bíblicos como igualmente relativos, incorrendo em uma base para a polarização teológica mencionada anteriormente.

(c) A ordenação da mulher é uma discussão longa que ilustra bem como a cultura pode exercer pressão sobre a agenda da igreja. Embora um tema sensível e que mereça a atenção da igreja mundial, não poderia monopolizar as atenções e esforços teológicos, em detrimento da missão da igreja. Em complemento, há de se notar que se trata de um assunto periférico, jamais claramente definido na Bíblia ou nos testemunhos de Ellen G. White. Sendo periférico, o que justifica seu crescente destaque é a tendência contemporânea de igualar os direitos de homens e mulheres, o que não deixa de ter seus muitos méritos. Entretanto, apontar a falta de um ministério feminino como fruto de machismo por parte da igreja não esgota a questão, principalmente no seu aspecto bíblico. Como o problema é fruto de questionamentos da cultura atual, as argumentações, tanto favoráveis como contrárias à ordenação, seguem igualmente argumentos de origem mais cultural, filosófica e sociológica do que bíblica. Se a tendência se consagrar, outras questões poderão ser encaradas da mesma forma, o que forçaria o adventismo a abrir mão do sola-tota-prima Scriptura em questões de natureza mais prática, aumentando o processo de secularização que se vive no movimento.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

ADVENTISTAS E CINEMA: UMA VELHA QUESTÃO


Nesse pequeno ensaio, me proponho a responder à pergunta: há razões bíblicas para não frequentar o cinema? Antes de analisar a questão, tem de se admitir que o problema não é simples. Embora a Igreja Adventista do Sétimo Dia (doravante IASD) sustente que o cinema constitua um ambiente mundano, conclamando seus fiéis a não frequentá-lo, faz décadas que objeções por parte de alguns de seus próprios membros vem sendo feitas a isso. Em sua maioria, defensores e contrários à prática usam a mesma classe de argumentos, os quais se baseiam na cultura e em detalhes técnicos do próprio cinema como mídia. 
Aqui a abordagem não seguirá esse caminho. E por um motivo bem simples: não é a cultura ou a ciência que determina o que deve ser praticado pelo cristão. Se fosse, a base de nossa fé seria insegura e mutável. Como adventistas, acreditamos em três princípios-guias (ou pressupostos) para orientar nossa experiência e escolhas: sola Scriptura (somente as Escrituras), tota Scriptura (as Escrituras em sua totalidade) e prima Scriptura (as Escrituras acima de tudo).
Nesse caso, quais princípios bíblicos poderiam ser evocados para defender a posição oficial da igreja? Com "posição oficial da igreja" estou assumindo que a IASD ainda orienta seus membros a não ir ao cinema, uma alegação que pode ser comprovada consultando o manual da denominação e seus documentos envolvendo estilo de vida. Vale notar que edições mais antigas do manual empregavam a palavra textualmente, enquanto as mais recentes utilizam termos mais abrangentes, na tentativa de contemplar outros tipos de mídia que existam ou venham a existir.
Voltando à pergunta: na verdade, reconheço não haver um claro "assim diz o Senhor" no tocante à frequência ao cinema, com todas as letras, por uma série de razões. A mais óbvia, não é um problema dos tempos bíblicos, haja visto que se trata de uma tecnologia mais recente, com cerca de pouco mais de um século. Então, quer dizer que o assunto não deveria ser abordado biblicamente? Ora, as Escrituras não encerram apenas ordens diretas (“não matarás”, “lembra-te do dia de sábado”), todavia falam de princípios. Alguns exemplos de questões não abordadas diretamente pelas Escrituras: "seria proibido consumir maconha?"; "seria errado viver de forma consumista?"; "a prática da eutanásia seria moralmente aceitável?". Em todos esses casos, é necessário mais do que “caçar versículos” para tratar do assunto; exige-se um tratamento mais amplo.  
Por isso, sugiro uma abordagem da teologia sistemática, aquela que faz mais do que simplesmente coletar textos, mas reúne conjunto de passagens bíblicas, respeitando seu contexto, e as agrupa por temas. O ideal seria termos uma teologia da cultura (quando falamos de cinema, estamos procurando entender uma prática cultural à luz da Bíblia), que cobrisse alguns temas, entre os quais, a frequência ao cinema. Óbvio que algo dessa natureza é complexo. Assim, não é meu objetivo desenvolver tal teologia completamente nesse momento. Primeiro, por causa do espaço; segundo, por achar que outros já fizeram isso com relativo sucesso, especialmente o professor Demóstenes Neves, do Iaene. Neves escreveu um pequeno livro intitulado Entretenimento e Mídia: Cinema, televisão, filmes e internet, o qual traz interessante pesquisa sobre o assunto.
Os princípios elencados a seguir também poderiam servir para abordar outras temáticas que envolvam a matriz de nosso assunto (cultura à luz da Bíblia). Em um texto maior, de caráter acadêmico, seria oportuno avaliar um pouco da história do cinema e de sua influência como mídia. No entanto, aqui, para objetivos imediatos, nossa curta análise se concentrará na Bíblia.
Peço a todos que analisem os princípios de forma menos preconceituosa possível (embora, como é natural em qualquer questão, tenhamos nossas opiniões prévias). Repetindo a pergunta: que princípios poderíamos evocar para dizer que não devemos ir ao cinema? Sugiro os seguintes:
(a) a importância da contemplação  somos transformados por aquilo que contemplamos (cf: Jr 2:5; 2 Co 3:18), o que nos mostra que há consequências espirituais para todo tipo de mídia que consumimos ou objeto que passamos a nos devotar (ou simplesmente com o que gastamos tempo). Obviamente, alguns podem alegar que se trata de entretenimento, mas nada é produzido no vácuo, há sempre um conjunto de valores oferecidos e isso acaba tendo um efeito cumulativo sobre a mentalidade de quem assiste (não significa que assistir filmes violentos fará alguém cometer crimes, por exemplo, mas poderá amortizar sua sensibilidade à exposição da violência);
(b) o imperativo de renovar a mente: o que implica em fugir de padrões do mundo, que poderíamos igualar a perspectiva secular, capaz de moldar nossas percepções e valores (Rm 12:2; Ef 4:22-24), muitas vezes contrários ao plano que Deus tem para nós. Na perspectiva de que vivemos um grande conflito, é de se esperar que as artimanhas de Satanás sejam sutis e disseminadas, para atingir a todos sem que percebam. Se há dúvidas de sua atuação, a leitura de Nos bastidores da Mídia, de meu amigo Michelson Borges, pode servir como introdução útil ao tema;
(c)  o princípio de filtrar todas as coisas: devemos selecionarmos tudo de acordo com critérios do evangelho, constituídos por valores bem definidos (Fl 4:8), ao mesmo tempo que há de se cuidar com o “mito da imunidade”: a Bíblia nos ordena a nem sequer nomear algumas práticas pecaminosas (Ef 5:3), o que nos faz entender que filtrar não significa assistir, ler, praticar ou experimentar algo e em seguida ponderar (como se fôssemos imunes à exposição de práticas pecaminosas), mas, em alguns casos, nem tomar conhecimento da prática ou consumir a mídia em questão. Filtrar é dizer não ao que é claramente mal, ao invés de tentar extrair lições de um conteúdo negativo;
(d) a noção da dimensão imaginativa do pecado: uso esse termo "imaginativa" por ter relação com a imaginação e pensamentos humanos, embora tal dimensão não seja menos real do que a dimensão prática do pecado, pois Jesus igualou ambas (Mt 5:21-22, 27-28; cf.: Jó 31:1). Principalmente esse ponto tem estreita ligação com a ficção (e por séculos pensadores cristãos o entenderam), pois é comum o envolvimento da pessoa com a mídia e a identificação solidária com personagens (a sensação de que estamos dentro da história). Logo, quando eu assisto ou leio algo de conteúdo contrário à Bíblia, os pensamentos assumem, por vezes acriticamente, aquela perspectiva (como no exemplo de quando torcemos para o herói matar o seu inimigo ou quando queremos que o casal passe a noite juntos após se conhecerem);
(e) a admoestação de fazer uso adequado do tempo: se o homem tem duração limitada de vida (Sl 90:10; Is 40:6-8), ela deve ser muito bem aproveitada, não apenas pela busca de experiências significativas e satisfatórias (perspectiva secular), mas, para além disso, em encontrar verdadeiro significado e satisfação em servir ao Senhor (Rm 14:8; Cl 4:3-5). Um fator que contribui para isso é que vivemos em contagem regressiva até o encontro com Jesus. Isso leva o apóstolos a nos instar a viver de maneira qualitativamente distinta (Ef 5:15-16). O entretenimento, em geral, ocupa muito do tempo de nossa sociedade midiática, fazendo com que muitas reflexões e experiências humanas fiquem desvalorizadas (não há tempo para elas); e o que dizer de nossos esforços para a pregação do evangelho e para buscar viver um cristianismo? Será que tais preocupações não se perdem devido a interesses divididos, ao tempo que gastamos com diversão, muitas vezes fútil?
Creio que é possível suscitar outras razões, embora tais princípios pareçam suficientes para justificar a orientação da IASD. Obviamente, o assunto aguarda por outras contribuições mais amplas. E ainda prescindimos de uma teologia abrangente que lide com questões relacionadas à cultura. Assim, a construção de um pensamento cristão, fortemente construído a partir da revelação, ajudará a conter tanto conservadorismo não-embasado, quanto o liberalismo que desprestigia (por vezes, inconscientemente) a Revelação como critério para avaliar cada prática culturalmente aceitável.
Além desses fatores, poderíamos mencionar a posição de Ellen G. White em relação ao cinema, que para mim, é bastante inquestionável. Porém, em virtude do espaço, não vou mencioná-la aqui. Escreverei sobre isso em outro post. Aguarde.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

ADVENTISTAS E A FALÁCIA DO FARISEU


Em tempos de guinada liberal, tornou-se moda acusar qualquer adventista bíblico de fariseu. É contra a música pop cristã? Acha que mulheres (para não dizer de homens) não deveriam usar brincos? Não vai ao cinema? Então se prepare: em algum momento, em uma rede social perto de você, alguém lhe dirá, sem cerimônia, sobre o seu “cerimonialismo religioso”: “Seu fariseu!”
É verdade que muita gente nem sabe ao certo quem eram os fariseus, suas preocupações e contexto social. Ficam apenas com o conceito popular de que eram legalistas. Aliás, alguns até acham que as palavras sejam sinônimas. É bom que se saiba: não são. Fariseu é um termo que se refere a uma seita judaica, cuja origem remonta a Judas Macabeu. Parece que a fidelidade dos macabeus e seu compromisso com a religião judaica fomentou o surgimento de um grupo de pessoas extremamente zelosas com a lei. Aos poucos, porém, o zelo se degenerou em salvação pelas obras. Resumo da ópera: nem todos os fariseus eram legalistas, embora tivessem zelo pela lei.
E o que seria um legalista? Legalistas não são aqueles que amam as leis de Deus e pretendem obedecê-las – o nome desse grupo aí é “cristãos” (Jo 14:15; 1 Jo 2:4)! Legalistas são os que querem se salvar pela obediência a lei, como se fosse possível perfeição completa de pecadores! Se fosse o caso, Jesus morreria à toa! Agora que a diferença entre fariseu e legalista ficou mais clara, precisamos pensar na relação dos dois termos com um terceiro: obediência. Para ser mais exato, poderíamos nos perguntar: qual é o papel da obediência no plano da salvação? Uma segunda pergunta também seria necessária: quais áreas da vida são afetadas pela obediência ao evangelho?
Para respondermos a essa perguntas, vamos olhar panoramicamente o livro de Tiago. Por razões mais práticas, a exposição não se aterá a detalhes ou análises técnicas. Apenas um vislumbre da teologia da epístola será necessário para nos ajudar com nossas questões.
O livro de Tiago é injustamente esquecido na teologia protestante, a começar pelo próprio Lutero, que achava que ele não poderia reconciliar-se com a doutrina da justificação como expressa por Paulo. Embora não seja o propósito analisar a questão, em nosso breve resumo de alguns dos temas soteriológicos (ou seja, relacionados à salvação) do livro, queremos enfatizar que Tiago não pensou em desarmonia com Paulo. Estamos diante de uma abordagem diferente, em virtude de ambos lidarem com distintas situações e audiências. Com isto em mente, vamos nos voltar para uma análise preliminar de como o autor inspirado lida com o tema da salvação e que papel confere à obediência.
Em sua introdução, Tiago fala do papel da provação e leva seus leitores a ver um propósito nela. A prova produz perseverança (Tg 1:3), que nos fará alcançar a coroa da vida (Tg 1:12). O objetivo é a maturidade na fé (Tg 1:4). Neste processo de crescimento, podemos facilmente voltar-nos para Deus, o doador divino (Tg 1:4, 17), capaz de nos dar sabedoria do alto (Tg 1:5), um conceito importante na epístola. Este mesmo Pai e Doador deliberou criar-nos através da Sua Palavra (Tg 1:18).
 A metáfora é clara: havíamos morrido e precisávamos de uma nova vida. A vida só é possível através da Palavra de Deus, o agente que dá a vida. Sendo implantada em nós, a Palavra é capaz de salvar (Tg 1:21). Deus nos gerou pela sua vontade, para sermos como seus primeiros frutos, ou seja, a intenção é de nos recriar (Tg 1:18). A relação com a Palavra possui uma abordagem muito prática na epístola. Devemos nos livrar do mal e da impureza ao aceitar a Palavra implantada, a qual nos salva (Tg 1:21) para sermos Seus cumpridores e não somente ouvintes (Tg 1:22). Inclusive se afirma, por exemplo, que a religião não é uma prática ascética ou intelectual, mas algo visível, uma nova visão do mundo: " A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo.” (Tg 1:27, NVI).
Na sequência, Tiago ressalta a importância do conceito de religião nas relações comunitárias. Os cristãos não devem desprezar os pobres de sua comunidade, uma vez que eles também foram escolhidos para fazer parte do reino (Tg 2:1-5). Afinal, Deus dá graça aos humildes (Tg 4:6). O apóstolo ensina que o pecado reside em mostrar favoritismo, o que é condenado pela lei (Tg 2:9), sendo o próprio coração da lei o amor.
A partir daí começa o seu debate polêmico sobre fé e obras, prova de que, na soteriologia bíblica, fé genuína precisa estar ligado obediência à lei de Deus (Tg 2:14-26). Fé sem obras é uma fé morta, vazia, que não leva à salvação (aqui entendida no contexto do viver cristão diário, ou seja, envolvendo o processo de santificação). Se a fé não produz resultados visíveis, não é fé proveitosa. Embora fé seja definida como confiança no invisível (cf.: Hb 11:1), a própria fé não pode apresentar resultados invisíveis!
Adiante, Tiago amplia suas considerações e mostra também que a falta de ética resulta de uma sabedoria que não se origina em Deus (Tg 3:14-15). Portanto, é arriscado viver o cristianismo em uma perspectiva secular, sem o tipo de experiência com Cristo que imprima um caráter distinto ao seu comportamento e pensamento. Aqui a atitude é condenada abertamente. O escritor bíblico chega a definir a amizade com o mundo como inimiga de Deus (Tg 4:4). A solução? Aproximar-se de Deus, o que é possível ao decidir abandonar o que Lhe desagrada (Tg 4:8). É preciso que nos humilhemos diante dEle (Tg 4:9-10) e nos submetamos ao único Legislador (Tg 4:11-12). Assim, teremos a verdadeira experiência que agrada a Deus, livre de toda impureza. Ainda somos lembrados de que o pecado não significa apenas praticar o mal, mas inclui deixar de prestar atenção ao dever de atuar como se deveria. Na carta, Tiago ensina que há pecado por omissão e negligência (Tg 4:17).
Em seu término, o livro mostra que a salvação consiste na perseverança até o julgamento (Tg 5:7-8), o que leva à atitude de viver bem na comunidade. Não há ninguém a se queixar de outrem – o Juiz está às portas (Tg 5:9). Em vez disso, a intercessão pelos pecadores que precisam de regeneração é a marca registrada de cada cristão (Tg 5:16,20).
Depois desse rápido tour, o que podemos concluir da teologia bíblica de Tiago sobre a questão envolvendo salvação e obediência? Sugiro algumas lições: (1) Salvação envolve obediência ativa, porque ganhamos vida pela Palavra a fim de sermos obedientes e desobediência implica em inimizade com Deus (perda da salvação); (2) Salvação compreende uma vida de obediência a pontos específicos, à lei divina e à tudo quanto Deus ordenar (cf.: Mt 4:4); (3) Obediência não exclui amor, pelo contrário: sendo a lei de Deus amor, a obediência genuína se fundamenta no amor e leva em consideração os mais desfavorecidos socialmente e expressa preocupação por cristãos apostatados.
Um cristão que honestamente acuse a outro de fariseu por querer obedecer à Palavra de Deus em todos os seus aspectos, só pode estar desinformado. Fé sem obediência não é conceito bíblico. E em relação aos fariseus, os cristãos não podem ser menos zelosos (embora seu zelo tenha um motivo diferente). Vale conferir as palavras de Jesus: “Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus” (Mt 5:20, NVI).

Veja também

domingo, 2 de fevereiro de 2014

MUITAS ESCOLHAS A FAZER


Reinvenção constante ou falta de rumo?
Consumo compulsivo ou consciente?
Seguir valores ou abrir a mente?
Ler o livro ou buscar algum resumo?

Abstinência ou tragar de leve o fumo?
Desculpar-se com flores ou presente?
Ter uma poupança ou conta corrente?
Deixar ao filho a opção ou manter o prumo?

Ter férias em Roma ou poupar dinheiro?
Pedir que abaixe o som ou ignorar?
Concordar com Platão ou Heidegger?

Aposentar-se ou seguir o ano inteiro?
Tomar chá ou jogar cartas na praça?
Preparar tudo ou deixar que outro o faça?