domingo, 15 de junho de 2014

OS ADVENTISTAS PREFEREM ESPECIALISTAS EM CRESCIMENTO DE IGREJA


O apologeta é o sujeito de óculos espessos e mal humor ainda mais espesso! Ele vê ameaça em qualquer transeunte. Você não gostaria de passar um natal em família tendo um tio apologeta, o qual, indubitavelmente, falaria das origens pagãs da festa, ao invés de se preocupar com o recheio do peru.
Entrementes, todos gostam do carisma de um especialista em crescimento de igreja. Defesa racional da fé cristã? Ora, isto é um ranço de outro período. A tendência das pessoas é seguir as emoções; desse modo, vamos usar o evangelismo da amizade. E quando a pessoa estiver com dúvidas, daremos a ela um livro de auto-ajuda cristã que não lhe dirá nada com nada, mas a motivará!
Há três tipos de especialistas em crescimento de igreja: os que já estudaram no Fuller; os que estudaram em outro lugar, mas leram os grandes nomes do Fuller; e aqueles que se apoiam nas conclusões dos dois primeiros. O Fuller, como se sabe, é um seminário teológico que hoje segue a versão mais descolada do pentecostalismo. Na proposta pragmática do Fuller, crescimento de igreja e renovação litúrgica são como ovo e farinha do bolo: um existe para dar liga com o outro.
Não importa como ou por quais métodos – desde que a igreja cresça, "faze o que tu queres pois é tudo da lei", cantariam os membros da igreja do evangelho alternativo. Curioso é constatar a rota deste pensamento evangélico e ecumênico até chegar nos adventistas.
Como se sabe, os adventistas se especializaram ao longo de décadas em batizar – não apenas pessoas, mas programas de outros movimentos cristãos. Afinal, para quê ser cabeça quando tornar-se a cauda tem certo charme?
O verdadeiro crescimento espiritual é viabilizado pelo estudo da Bíblia, alicerce da experiência cristã de permanecer obedientemente na videira (Jo 15:7, 10, 14). Discípulos maduros apresentam um caráter transformado, fruto da vida renovada (2 Co 5:17). Como resultado, temos uma responsabilidade com relação às pessoas a nossa volta (2 Co 5:18-20).
Carecemos avaliar as oportunidades para um testemunho consciente, sem arrogância ou constrangimento. Testemunhar não significa aderir a um programa maciço. Antes, está relacionado a defender sua fé levando cativo todo pensamento a Cristo (2 Co 10:4-5), com mansidão e temor (1 Pe 3:15), justamente o sentido inicial de ser um apologeta! Bons programas podem criar condições para os crentes reconhecerem a importância de se engajarem neste processo ou adquirirem as ferramentas para servirem como missionários em suas comunidades.
Infelizmente, há diversas iniciativas que procuram reproduzir programas desenvolvidos por outras denominações cristãs. Quando isso é feito de forma acrítica, estamos usando um vestido impregnado do perfume de sua antiga dona. Não é de admirar que muitos adventistas pensem como evangélicos!
Alguns dentre nós querem que a igreja se solte de suas amarras históricas e se modernize. Creem que, para ganhar o mundo, devem pensar e agir como o mundo. Soa como o homem que pede à esposa maior liberdade – e isso não termina bem, por melhores que sejam as intenções.
A fé que possuímos deve ser hasteada como um legado Celeste (Jd 3), do qual jamais seremos dignos de levar. Somente pelo bem do próximo e por misericórdia a nós recebemos tamanha responsabilidade! Como poderíamos trocar as orientações de um Deus onisciente pelas ideias de homens limitados? Se encher igrejas fosse o alvo estabelecido por Deus isso não seria algo impossível; mas sendo a missão pregar o verdadeiro evangelho e convidar outros a aceitarem a mesma salvação imerecida que experimentamos, isso requer um poder sobrenatural. Alcançar a todos, utilizando os métodos legitimados pelas Escrituras: eis o nosso desafio!
É melhor deixar Fuller com seus planos. Deus reserva mais para Seus filhos.  

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10 comentários:

gelvane disse...

Olá, pastor! Gostaria de dizer que compartilho tb de grande preocupação com o mundo dentro da igreja. Sendo um exemplo disso esse desejo de batizar apenas por batizar, para alcançar números. Apoio 100% toda iniciativa de fazer com que os líderes da igreja vejam que batismo não é brincadeira. Além disso, ainda concordo com outras coisas neste texto, quiçá todas as coisas.

Mas, antes disso, gostaria de saber ao que EXATAMENTE o senhor quando fala de:

1. "amarras históricas e se modernize"/

2. Como o senhor define "mundo" e "agir como o mundo".

Desde já, grato pela atenção.

douglas reis disse...

Olá, Gelvane.

Obrigado por sua interação.

Respondendo às perguntas:

1. Alguns acreditam em uma modernização do adventismo por meio da cultura, ou seja, que nossa música e liturgia se ajustem à cultura contemporânea. Como já defendi em outros textos (cujos links aparecem no fim deste post) isso representaria um risco à identidade adventista;

2. O mundo, de acordo com a Bíblia, é a cultura humana alienada de Deus. Escrevi uma matéria para a Revista Adventista (mês de Maio) que trata sobre isso. Provavelmente, reproduzirei o texto em algum post. Aguarde.

Espero ter esclarecido. Para qualquer outro detalhe, estou à disposição.

Abraços.

gelvane disse...

Quanto à primeira pergunta, acho que o senhor não me entendeu. Queria saber o que são especificamente essas "AMARRAS HISTÓRICAS". Mas já que foi mencionado outras coisas aí na sua resposta, aproveito pra tb perguntar: com base em que o senhor supõem que nossas "amarras históricas" (seja lá o que possa ser isso), não eram/são produtos da cultura? E isso me ajuda a refinar a pergunta: o que são essas "amarras" e como podemos defendê-las APENAS com exegese bíblica, sem apelo aos costumes da cultura que nos rodeia?


O Senhor disse: "O mundo, de acordo com a Bíblia, é a cultura humana alienada de Deus".

Quais os TEXTOS BÍBLICOS que dão suporte a essa conclusão?

PS: NÃO estou discordando do senhor, pelo menos ainda. Estou apenas querendo entender. ;)

Abraços.

douglas reis disse...

Gelvane,

deixe-me tentar ser mais claro:

1. Alguns supõem que, por exemplo, a data de 1844 seja apenas um marco histórico sem um significado profético, embora os adventistas tenham chegado a essa data por meio do estudo de Daniel 8:14.

Infelizmente, como o espaço é curto, não teria como explicar toda a mudança de paradigma que leva ao abandono do historicismo. Esse método de interpretação, legado dos reformadores, foi seguido até as últimas consequências pelos pioneiros adventistas. O abandono dele pelos estudiosos, inclusive boa parte dos teólogos adventistas, leva à rejeição da interpretação que vê significado específico em 1844.

Veja, trata-se de um exemplo, mas o mesmo poderia ser dito dos grandes marcos defendidos pelos pioneiros, como o dom de profecia, o santuário celestial, a interpretação da ponta pequena de Daniel, etc. Para cada um destes tópicos, há diversos textos bíblicos; mas a questão é mais sutil: trata-se de mudança radical no modo de interpretar a Bíblia.

E isso afeta outras questões mais práticas, como a forma como adoramos, nosso estilo de vida, etc. Por isso, alguns adventistas liberais com quem converso desprezam a importância destes tópicos: eles pensam como evangélicos (conforme mencionei no texto) e não entendem qual seria a relevância (o termo preferido deles) disso na atualidade.

Mas a obediência não é questão cultural - afinal, qual seria o sentido de guardar o sábado hoje, pensando no aspecto econômico e social, por exemplo? Não seria mais fácil deixar de guardá-lo, para evitar complicações? Fala desta maneira para reforçar o ponto: ser fiel a Deus implica em ir contra o pensamento estabelecido. Por incrível que pareça, ser relevante não quer dizer se contemporanizar, mas apresentar a mensagem de Deus, mesmo que isso vá contra o status quo.

douglas reis disse...

Sobre o segundo tópico, insisto que você leia o que já escrevi sobre o assunto (indicado ao fim da postagem) e aguarde a postagem que reproduz meu texto na RA de Maio.

Abraços.

Anônimo disse...

Esse texto parece aqueles artigos evangélicos que, em duas páginas, pretendem refutar toda a teologia adventista.

Douglas, é sério que, nesse artiguinho que não apresenta NENHUM argumento, você pretende refutar décadas de estudo dos PhD's da Fuller e da IASD?

Você pode levar leigos com a sua conversa fiada, mas não vai convencer nenhum erudito adventista ou evangélico.

Anônimo disse...

Os leitores superficiais é que reduzem a metodologia da Fuller (inclusive Wagner e Warren) a um vale-tudo. Por favor, não faça o que tanto condena.

douglas reis disse...

Caro anônimo,

não costumo aceitar comentários de quem nem tem coragem de mostrar a cara, mas vamos lá...

1. Não escrevi um artigo científico nenhum aqui. Tenho um texto na Kerigma sobre os perigos sobre nossa incorporação de paradigmas teológicos, com citações de nossos melhores teólogos sistemáticos;
2. Não creio que precisamos nos apoiar nos estudos de Fuller, justamente por já termos a orientação divina (Bíblia e Espírito de Profecia), com orientações que proporcionam crescimento saudável (o que esbocei no texto, caso você não tenha percebido...);
3. Sempre teremos problemas em áreas em que substituímos as orientações de Deus por aportes do evangelicalismo secularizado (alguns problemas também foram mencionados, mas sem detalhes, por não ser meu escopo aqui). O próprio texto afirma que devemos manter a missão em alta, desde que o façamos de formas legítimas e, caso haja necessidade de recorrer a autores evangélicos, que isso se dê com todo cuidado e de forma criticamente madura (o que alguns até tentam empreender).

Abraços.

Lucas Mendes disse...

Pastor Douglas, creio que entendi o objetivo do seu texto, e apesar de concordar com a essência, discordo de algumas visões periféricas que insistentemente são olvidadas por pastores e direção da IASD. Em várias abordagens do seu blog, o assunto "a IASD não pode virar bagunça" é relembrado, e muita; se não toda culpa vai para adventistas liberais, modernização, a cultura, e nesse presente até respingou nos especialistas em crescimento de igreja.

Mas ai vão meus questionamentos:

1- O que é pior: um adventista liberal que não ve problema em ouvir e compartilhar músicas cristãs de cantores não adventistas...ou as associações que colocam uma "arma na cabeça dos pastores" exigindo alvos de batismos? Pior do que um evangelismo liberal, "amigo"; é um evangelismo forçado, obrigado, imposto...aliás, qual seria a diferença? Um atrai por ser mundano, outro atrai pelo medo de perder o distrito e virar capelão de alguma escola?!

2- O que é pior: Um adventista que não vê problema no uso de um cajón no acompanhamento das músicas, ou os departamentais de mordomia,(viajo muito, e não é exagero, Deus o sabe), que parecem ter feito curso com o apostolo Valdomiro na hora de pedir satisfação dos dízimos estagnados e nas ofertas que não sobem?

Não é apenas na questão liberal que os adventistas vem pensando como evangelicos Pr...

O que quero dizer é. Antes de se condenar determinada atitude de membros liberais, dos especialistas em crescimento da igreja, que aliás acho que seriam totalmente desnecessários e obsoletos se cada membro com medo de se "desamarrar historicamente" estendesse a mão para ajudar e não para apontar, fizesse seu papel de adventista e não de fiscais da fé alheia.

O modo como nos vestimos, como comemos, como nos locomovemos, como trabalhamos, é quase que unicamente determinado pela cultura em que estamos inceridos. Eu e o senhor usamos garfo, faca e colher, o adventista japones come com seus típicos palitinhos, o meu hinário certamente não é o mesmo que o dele, sendo permeados pela cultura em questão. E então me lembro de 1 Cor 10:31-33. Devo comer e beber para a glória de Deus segundo o que? Segundo a santa cultura inglesa tradicional do fim do séc.18? E esta única como modelo a ser seguido? Creio que o hino 33 também foi chamado de mundanização e culturalização...

Dr. Emílio Abdala:

“[...] A mensagem precisa ser relevante. Ela deve começar com a agenda das pessoas, seus problemas sociais e crises. Talvez algum membro mais tradicional dissesse: “eu não me uni à Igreja Adventista por causa da maneira como a mensagem foi apresentada. Eu me uni por causa da verdade”. Glória a Deus. Mas e se você soubesse que uma simples mudança na maneira de apresentar a mensagem, sem afetar o seu conteúdo, atrairia 45% a mais de pessoas que se uniriam à Igreja, você não usaria essa nova abordagem?
Ellen White destaca o valor da contextualização ao afirmar:
'Alguns dos que se empenham na obra de salvar almas, deixam de obter os melhores resultados, porque não executam cabalmente a obra que iniciaram com muito entusiasmo. Outros se apegam tenazmente a idéias preconcebidas, dando-lhe preeminência, deixando por isso de conformar seus ensinos com às necessidades reais do povo. Muitos não compreendem a necessidade de se adaptarem às circunstâncias, e ir ao encontro do povo. Não se identificam com aqueles a quem desejam auxiliar para atingir a norma bíblica do cristianismo.'O.E, pag 381.

Gosto e compartilho seu blog, apenas em relação a este artigo que me vi no dever de questionar algumas questões.

Graça e paz!

douglas reis disse...

Lucas Mendes,

Obrigado pela sua contribuição.

Sobre o que você escreveu, julgo necessário alguns comentários:

1) Uma coisa é a necessidade de evangelismo, um conceito bíblico. O outro é a tendência de usar uma metodologia evangélica (crescimento de igreja) de forma acrítica, sem levar em conta os pressupostos desses evangélicos. Como me dizia o Dr. Raúl Kerbs, o evangelho deles é outro, no sentido de que a forma como compreendem a Bíblia me nada tem que ver com a mensagem adventista;

2- A ideia, portanto, não é tanto criticar pessoas, mas tendências. E mostrar como elas podem tirar o foco de quem somos, atrapalhando por fim o adventismo em seu foco de missão;

3-Sobre a relação entre cultura e relevância, explorei melhor o assunto em http://questaodeconfianca.blogspot.com.ar/2014/03/a-verdade-azul-em-meio-aquarela-secular.html ;

4-Sobre o hino 33, creio que você se refira ao Castelo Forte de Lutero, não? Bem, aí está o que chamo de "a falácia Lutero". Alguns acusam Lutero de copiar ritmos seculares. Isso é completa falta de informação! Dos 33 hinos cuja composição é atribuída a Lutero, temos muitas composições originais (caso do próprio Castelo Forte), alguns "arranjos" do canto gregoriano e apenas um arranjo de uma melodia folclórica. NA verdade, uma completa adaptação que mudou o andamento da música. Então, a acusação contra Lutero carece de evidências e, sobretudo, nada (até onde eu sei) desabona o hono Castelo Forte - pelo contrário, existe até um trecho do Grande Conflito que destaca sua importância na luta pela reforma!

Enfim, amigo, espero tê-lo ajudado a compreender as intenções do texto.

Um abraço.