quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O ANO NÃO TERMINA, ELE SE DILUI


Ansiosas pelo espetáculos dos fogos nos grandes centros, expectantes pelas guloseimas na reunião de família ou se fazendo promessas remissivas – em todo caso, as pessoas demonstram assaz expectantes quando se trata dos momentos finais de um ano. A própria surpresa pelo fato de o ano estar nos deixando leva a comentários do tipo “como o tempo passou” ou “parece que foi ontem que começávamos esse ano”. Em tudo, testemunhamos ritos de passagem. De certa maneira, eles surgiram como memória simbólica. A questão é que os símbolos estão nus na era do consumo. É o mundo líquido, no dizer de Bauman, erodindo os memoriais do ocidente – água mole em pedra dura…
 O que quer tudo isso? Que a vida perdeu significado em uma sociedade marcadamente relativista e de moral utilitária. Logo, a ansiedade do fim de ano, que em algum tempo levava à reavaliação da conduta e à formulação de propósitos específicos dali por diante (algo que se degenerou para as fúteis promessas de fim de ano), parece cair em ouvidos moucos. Até bate uma ansiedade, porém a reflexão que ela naturalmente despertaria é sufocada por apelos de consumo e espetáculos que celebram o ano na forma de acontecimentos únicos elegidos pela mídia. E o ano de todos se reduz a alguns eventos marcantes, sem que se pare sequer para agradecer as pequenas realizações que Deus proporcionou no campo pessoal ou na vida da comunidade. A ação glocal das retrospectivas com ênfase no mundo das celebridades, esportes ou eventos anula a percepção de Deus interagindo na vida de Seus filhos.
E passada a ocasião do fim de ano, já surgem as primeiras festas saudando hedonisticamente o novo ano, quando menos ainda se reflete sobre o papel no mundo e os deveres e reponsabilidades cristãos. Somos arrastados em uma enxurrada de sentimentos eufóricos celebrando o milagre da vida, uma expressão que foi tão secularizada, que não se pode deixar de notar a ironia de haver milagre sem a figura de quem os orquestra.
Assim o ano segue, marcados por feriados e datas especiais, cada vez mais servindo como interrupção despropositada do trabalho. Não no sentido de que o descanso seja de todo inútil; apenas que o motivo inicial para a existência daquela data específica perdeu-se na história e, para a população em geral, mais vale ter um dia sem exigências trabalhistas, que tipicamente se degenera em razões para o ócio. O calendário cristão, em grande parte marcado por festividades católicas, é um exemplo típico de perda de propósito. Todavia, a questão se torna mais sensível por ocasião da Páscoa e do Natal, ambas épocas em que supostamente eventos espirituais estariam em pauta (mesmo que sem motivo bíblico para tais celebrações, sendo a primeiro abolida no Novo Testamento e substituída pela ceia do Senhor, enquanto a segunda jamais fora ordenada pelas Escrituras!): o que se vê são símbolos duvidosos – o coelho e o Papai Noel –, embalados pela cultura de consumo. Se são festas da fé, não seria injustos aclarar que tal fé seja tudo, menos a fé cristã!

O ano passa mais rápido, não por altercação do tempo: ele se liquefaz, porque a própria vida na pós-modernidade é líquida, como os sentimentos e compromissos que voam mais rápido do que as folhas do calendário. Para aqueles que servem a Cristo segundo a Sua Palavra, vale lembrar da reflexão suprema feita pelo próprio Mestre acerca das prioridades da vida (Mt 6:25-34) – sem dúvida, algo a ser considerado em todo o tempo, esteja o ano no seu fim, começo ou em qualquer outra época. Um discurso cujo essência não é apenas putativa ou do tipo que tenciona criar uma relação simbólica que remeta a outra sentido, mas ele próprio gerador de sentido e vida, porque essa era a intenção de Jesus ao proferi-lo. Quem diria que frases tão contundentes e apropriadas para esse tempo foram ditas há milênios? Mais uma demonstração de que, se tudo à volta passa, a Palavra de Deus dura para sempre (1 Pe 1:24-25).

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

ORAÇÃO COM CORAÇÃO PESADO


Eu subi a colina para ouvir o sacerdote, 
Andei a procura dos escribas nos lugares altos.
E encontrei discursos povoados de elogios
Como se a visão encontrasse cumprimento inequívoco.
Porém o sonho se derreteu no oceano
O vento mandou a névoa para o horizonte.
Nada restou para mim das promessas da carne.
Saí feito mosca atrás do que apodrecia,
Nada se aproveitou.
Volto meus olhos para o Senhor, esperança de Israel.
Aquele que recorre à mão do Altíssimo ficará em pé 
Seja por onde a planta de seu pé passar.
No Senhor meus olhos se fixam para achar repouso
Sua companhia é regato para o justo.
Por que se lamuriar, alma minha? 
Confia nAquele que organizou o Céu por Sua Palavra
Dando vida à matéria inanimada.
Toquem, trombetas de Israel, toquem.
Aclamem o Senhor que conduz Seu povo
E ao Ungido que deixou o pó.
A Verdade não será abatida,
Ainda que alguns dentre o povo fiquem esquecidos
E padeçam nas mãos dos poderosos.
O Senhor conduz aquele que confia em Sua Palavra.
Aleluia.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

50 APENAS



Quando soube de ti, subiu o chão
Para perto do Céu. Súbito e doce
Foi dizer que virias, ainda fosse
Demorar para ver nosso grão.

E havia tanto amor à tua espera!
Dois pares de olhos com aquela pressa
De quem ama e na ação amor expressa…
O que mais belo foi, já não mais o era,

Que o belo em ti brilhou na luz de um sonho:
Eras maior do que outra bênção do ano
Ou da vida. Foi quando o nosso plano,
Não se sabe por que, ficou medonho:

Perdemos nosso grão. Em desalento,
As lágrimas nos cobrem. Rastro rubro
Te recolhe dos pais. Em dor descubro
Que sempre amarei quem foi um momento!


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

REPORTAGEM DO G1 EXALTA PRINCÍPIOS DE SAÚDE DOS AVENTISTAS


Em meio a uma paisagem urbana cercada por fast foods e lojas de conveniência, uma cidade na Califórnia conseguiu manter bons hábitos alimentares e alcançar uma expectativa de vida dez anos mais alta que a média dos Estados Unidos.
Estudos mostraram que os habitantes de Loma Linda vivem até dez anos a mais do que a média dos americanos (79 anos) e chegam à idade avançada com uma saúde melhor.
É um fenômeno notável em um mundo onde o custo da crise de obesidade é reconhecido como sendo tão prejudicial quanto o de fumar ou dos conflitos armados.
A longevidade tem ligação com a religião da comunidade. Os adeptos da Igreja Adventista do Sétimo Dia compõem cerca de metade dos 24 mil habitantes do local. É uma comunidade cristã evangélica que segue diretrizes rigorosas sobre alimentação, exercício e descanso.
"Os dados são claros. Foram publicados e revisados", diz Wayne Dysinger, presidente do Departamento de Medicina Preventiva da Escola de Medicina da Universidade de Loma Linda.
"Não há muita dúvida de que as pessoas que seguem este estilo de vida vivem mais tempo."

'Templo' do corpo

Loma Linda - em espanhol, "colina linda"- fica 100 km a leste de Los Angeles. É conhecida como a meca da vida saudável há décadas.
A cidade foi adotada pelos fundadores da Igreja Adventista do Sétimo Dia, que na virada do século 20 compraram uma propriedade na área.
Ellen White, uma das líderes e pioneiras da Igreja, afirmou que se encantou com o charme do lugar.
Branca [em realidade, Ellen White era negra!], pequena e com uma personalidade forte, ela inspirou os ensinamentos da Igreja sobre questões de dieta, exercício e estilo de vida. White alega que suas crenças são baseadas em experiências visionárias – sonhos e conversas com Deus.
"Ela classificou o tabaco como um veneno maligno e lento em 1864", diz Richard Schaefer, historiador da biblioteca da universidade. Isso foi cem anos antes de a autoridade de saúde pública americana abordar o tema.
White, que tinha pouca educação formal, disse que o álcool danifica o cérebro. Ela também escreveu sobre os perigos de consumir muito sal.
"Os motivos disso eu não sei, mas repasso a vocês as instruções que me foram dadas", disse a pioneira, parafraseada por Schaefer.
Os adventistas creem que sua longevidade esteja ligada ao respeito pelo corpo humano como um templo do Espírito Santo.
"Vocês têm o dever de reservar esse templo para o serviço de Deus, porque Ele nos fez", explica o pastor aposentado Belgrove Josiah.
"Por causa desse princípio, estamos muito preocupados com o que colocamos em nossos corpos."
"Não descartamos a ciência médica no geral, porque ela está muito relacionada com nos guiar sobre como tratamos nosso corpo", acrescenta Josiah.

Descanso

O modo de vida adventista envolve uma dieta principalmente à base de vegetais, exercício regular e um compromisso com a celebração do sábado como o dia de descanso.
Um estudo de longo prazo que começou em 1976, envolvendo 34 mil membros da igreja, concluiu que seu estilo de vida acrescentava um número significativo de anos para a média de vida. Os pesquisadores identificaram "surpreendentes" efeitos protetores de uma dieta vegetariana.
"Quando olhamos apenas para a mortalidade, os adventistas parecem morrer das mesmas doenças, mas eles morrem muito mais velhos" diz Larry Beeson, professor de epidemiologia da Universidade de Loma Linda.
Beeson participa de pesquisas sobre adventistas por mais de 50 anos.
Ele argumenta que a boa saúde não se deve apenas à dieta. Para ele, o que ocorre é uma mistura complexa de religiosidade, espiritualidade e compreensão de uma pessoa de sua crença em Deus, combinado com outros componentes do estilo de vida, como exercícios e apoio social.
Betty Streifling, por exemplo, tem 101 anos e ainda levanta pesos na academia de sua casa de repouso. Streifling vive em seu próprio apartamento, uma casa aconchegante, cheia de recordações familiares e móveis feitos por seu falecido marido. Ela frequenta uma aula de exercícios cinco dias por semana e faz um passeio matinal na rua.
Ela atribui sua longevidade a "viver uma vida pura, sem álcool, sem tabaco, ir para a cama cedo, louvando a Deus por sua bondade e pela bênção da vida".

Fast foods

É possível comprar um hambúrguer e batatas fritas em Loma Linda, mas no ano passado a prefeitura proibiu o funcionamento de novos "restaurantes de fast food com drive-through". O movimento foi pensado para "proteger a saúde pública, segurança e bem-estar" de seus moradores.
Existem mercados de agricultores e lojas de alimentos saudáveis fazendo sucesso com nozes e vegetais.
O estilo de vida de Loma Linda parece dar uma receita promissora para o bem-estar. Não é para todos, e a maioria dos adventistas reconhece que há diferentes graus de observância às diretrizes alimentares e sociais definidas pela igreja.

Mas há pouca dúvida de que esta comunidade pode esperar viver muito mais tempo do que a maioria das outras pessoas.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

COMO OS ADVENTISTAS SE RENDEM NA UNIVERSIDADE


O conhecimento da verdade não pode servir como uma alienação justificável. Durante um congresso universitário, ouvi certo líder da igreja afirmar: “Não vamos combater teoria com teoria; vamos combater teoria com vida.” A declaração se deu no contexto da resiliência do cristão no ambiente universitário. Em virtude de tantos golpes filosóficos da academia contra a fé, o melhor seria viver com tal integridade que o evangelho demanda. Entretanto, o raciocínio, que cito como exemplo sintomático, apenas glamouriza a sina do crente como mártir em um processo de suicídio intelectual.
Crer não basta. A crença inspira. Ela opera como um alicerce para construção de teorias alternativas. O cristão piedoso sobrevive mudo ante as pressões da academia; já o cristão pensante, que não deixa de ser igualmente piedoso – uma coisa não exclui a outra! – faz a diferença no ambiente dominado por concepções seculares. Pensar, nesse caso, é o melhor testemunho que se dá sobre a própria fé.
Em um ciclo de palestras que proferir em uma grande igreja do Rio de Janeiro, uma senhora se manifestou.  Ela, professora universitária de filosofia, estava em crise:  em seu trabalho, criticava teoria vigentes; contudo, quando seus alunos lhe perguntavam o que ela defendia como verdade, surgia o dilema:  de que modo lhes apresentar que Jesus é a verdade, sem parecer simplista ao extremo?  Eu argumentei que a questão reside na base: sendo a filosofia essencialmente bibliográfica (uma observação que o próprio filósofo ateu Luc Ferry fez em um de seus livros), isso cria limitações para a expressão Intelectual. Todavia, sempre se pode recorrer a filósofos cristãos, desenvolvendo e ampliando a contribuição deles, sem ser simplista ou anti-intelectual.
Quando estive em Londres, conversei com um professor de educação física, companheiro de viagem.  Ele cursava mestrado e meu interesse se fixou nesse tema.  Quando lhe perguntei sobre a linha de pesquisa que adotara, o rapaz confessou: " Perante o pensamento da igreja, sei que isso está errado.  Mas é a linha que o meu orientador me recomendou."  Enquanto persistir a dicotomia artificial entre crença e pesquisa, fé e fatos, verdade religiosa e verdade secular, nosso cristianismo será reduzido a um compromisso irrelevante, tanto para a esfera acadêmica, quanto para o mundo real.

Precisamos raciocinar com clareza, apresentando a verdade entretecida com nossos pensamentos e ações.  Em cada área, a verdade deve se fazer presente, como um fio de ouro amarrando todas as pontas.  Não quero sugerir que isso seja fácil ou simples.  Se fosse, seria redundante escrever esse texto!  Porém, no momento em que estivermos focados nisso, haverá oportunidade de diálogo com pessoas que não endossam a mesma fé.  Com amor, respeito, integridade intelectual e maturidade poderemos ser usados por Deus para mostrar que os cristãos não deixaram o cérebro fora do corpo desde a ocasião de seu batismo.

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