quarta-feira, 6 de julho de 2016

ADVENTISTAS E OS CANAIS EVANGELIZADORES


Queremos impactar a cultura usando a cultura. Queremos atingir as pessoas usando o que lhes é familiar. Imaginamos que os elementos culturais sejam apenas o invólucro perfeito para o conteúdo que temos a oferecer, o evangelho. Assim, passamos a investir em filmes, games, seriados e música pop cristã. Adaptamos modelos midiáticos de sucesso para convertê-los em canais evangelizadores.
É o pastor-compositor que admite criar “música-chiclete”; o diretor de uma rádio que fala em “evangelismo indireto”, para justificar a presença de músicas pentecostais, que mantém a audiência de um nicho, para o qual se pode pregar; é o pastor de jovens que advoga o uso de filmes seculares para possibilitar o diálogo com a juventude; é o doutor em missões que elogia evangélicos pós-modernos por “alcançar” a juventude pós-moderna; são inúmeros os exemplos.
Essas decisões, tomadas por atores individuais, ou mesmo em nível institucional, parecem reflexo de tendências que povoam segmentos do evangelicalismo norte-americano há anos. Quando eles falam de crescimento de igrejas, surgem adventistas que “descobrem” o crescimento de igreja; quando o tema é plantio de igrejas, voilá, temos nossos plantadores! Evangelismo urbano? Aí vamos nós. A moda é ser missional? Somos todos missionais. Estão falando em “igreja simples”? Por que não? Evangelismo para as novas gerações? Queremos carona.
Por um lado, não se pode demonizar toda contribuição evangélica apenas por não ser originária de autores adventistas. Há autores sérios com contribuições importantes. E há problemas reais que outros perceberam primeiro, dando contribuições úteis. Entrementes, muita coisa é feita sem reflexão adequada, a toque de caixa, o que impede que se meça as consequências das importações metodológicas. Todo esforço para minimizar o impacto das metodologias evangélicas incorporadas de forma acrítica ao adventismo não é suficiente para esconder as consequências negativas que surgirão.
Um exemplo próximo e oportuno: Dan Simpson era um pastor preocupado com os secularizados. Ele cria que os métodos tradicionais falhavam em evangelizar esse nicho. Imbuído das ideias de Peter Wagner (pensador neopentecostal que se diz um apóstolo moderno e está ligado ao seminário Fuller), ele chegou a contar com a assessoria de Carl F. George, um consultor de igrejas associado ao Fuller Institute. Finalmente, Simpson obteve apoio para colocar suas ambições em práticas, estabelecendo o Colton Celebration Center, em 1989.
Essa congregação usava um edifício alugado da denominação Assembleia de Deus. Era uma congregação voltada para o evangelismo de pessoas secularizadas, dando origem ao movimento Celebration, que causou imensa discussão na literatura adventista das décadas de 1980 e 1990. Atualmente, o movimento morreu, mas algumas das congregações, bem como seus pastores, continuam operando na mesma tendência, com a diferença de que não são mais adventistas. Aqueles que não aprendem com a História são fatalmente castigados com a sua repetição diante de seus olhos.

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