quinta-feira, 23 de março de 2017

O FUNDAMENTO SEGURO DO REMANESCENTE


Participei de um congresso acadêmico e no Grupo de Trabalho (GT) no qual estava inserido escutei uma apresentação sobre cuidado pastoral. O tema é extremamente pertinente, mas o notável foi o referencial do trabalho: as obras de Foucault. Seria como falar da cultura judaica a partir de Mein kampf. Parece que alguns acadêmicos adventistas estão mais preocupados em se tornar reconhecidos do que em construir sobre paradigmas legitimamente cristãos.
Mesmo na área de teologia, há fortes riscos. Assisti a uma plenária em uma faculdade adventista sobre a contribuição de Ellen G. White. Após a excelente apresentação, o programa estabelecia uma réplica. O professor que a proferiu destacou o valor da sociologia como ferramenta para o fazer teológico em termo que divergiam completamente das noções mais básicas de hermenêutica adventista. Chegou a ser quase constrangedor que, durante a tréplica, o proponente inicial tivesse de, mui sutil e educadamente, contestar seu colega.
Recente conversando com um colega, ouvi que alguns professores da área bíblica admitiam que se a exegese divergisse do que escreveu Ellen G. White, o intérprete deveria ficar com a própria pesquisa. Quando contestado por um aluno sobre uma explanação contrária ao que escreveu a mensageira do Senhor, outro professor apenas abriu os braços. Com o gesto, parecia dizer: “Fazer o quê? Escolha você em quem acreditar!”
A excelência acadêmica deve continuar como a meta a ser alcançada. Mas não a expensas de princípios que nos caracterizam como o povo peculiar nesse tempo. Nenhum conhecimento adicional deve substituir os fundamentos bíblicos que fazem dos adventistas o que eles são: o remanescente da profecia. O descrédito lançado a essa premissa por acadêmicos do próprio movimento causa danos há décadas em alguns países europeus e regiões dos Estados Unidos. Esse seria um dos fatores da perda da identidade adventista no hemisfério norte. Não se pode deixar que o mesmo ocorra em nosso contexto.
Correndo o risco de incorrer em uma simplificação excessiva, penso que a questão está em definir o que forma a base das nossas crenças. Temos dado concessões demasiadas à cultura. Tradicionalmente, os adventistas defendem o princípio sola Scriptura (somente as Escrituras). Sob o leque de atuação desse princípio, temos a operação de outros dois: tota Scriptura (toda a Escritura, a Bíblia em sua totalidade, o cânon da revelação) e prima Scriptura (primeiro as Escrituras, ou seja, o primado da Bíblia sobre outras fontes (a) revelatórias, como a natureza ou profetas extra-bíblicos, por exemplo e (b) que ajudam a compreender as Escrituras, como a tradição, quer moderna ou contemporânea). Somente quando a Palavra de Deus ganha o espaço devido, de geradora e fonte de retroalimentação de uma visão de mundo peculiar, o remanescente vive à altura de sua missão.
Diante da perspectiva de fortes elementos secularizadores em nosso meio – quer no ambiente acadêmico ou mesmo em nível de liderança –, corremos o risco de abraçar pressuposições, metodologias e práticas que deformem o adventismo. Nada disso é novo na história do povo de Deus ou mesmo motivo para alarme. Devemos aproveitar esse momento para refletir profundamente naquilo que Deus deseja para nós como movimento mundial, comunidade local, família e indivíduos. Com fé na Palavra e confiança na direção do Senhor, avançaremos humildemente para a vitória escatológica prevista. Eis a minha esperança – e a de todo adventista fiel! Uma esperança acima de qualquer crise, quer passada, quer por vir.


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domingo, 19 de março de 2017

GERAÇÕES TRABALHANDO JUNTAS PARA CRISTO


Barnabé e João Marcos, Moises e Josué, Elias e Eliseu, Jônatas e Davi, Jesus e os discípulos, Abraão e Ló, Esdras e Neemias, entre outros: não é incomum que nas Escrituras pessoas de faixa etária distinta interajam de forma harmônica. Se na Bíblia existe discipulado, é certo que muitos dos exemplos dessa prática se dão em um contexto intergeneracional.
Hoje há um distanciamento entre indivíduos de gerações distintas por causa da mídia: especialmente com o advento da cultura jovem, a partir da década de 1950, houve uma ruptura da continuidade histórica natural, levando a se prescindir da vida adulta como modelo a ser almejado. Atualmente se faz de tudo para fugir da frustração indissoluvelmente ligada à maturidade, com suas responsabilidades e rotinas.
O bom é ser jovem, jovem eternamente, viver com os pais até os trinta, trabalhando mais por hobbie do que por realização. Se na década de 1960, 70% dos homens chegavam aos 30 anos (a) formados, (b) empregados, (d) casados e (e) com filhos, requisitos da vida adulta, as estatísticas atuais indicam que apenas 30% dos homens atingem tais metas até os 30 anos. Aliás, poucos ambicionam atingi-las. Se “balzaquiana” indicava a mulher na casa dos trinta, a mulher madura, poderíamos dizer que no cenário contemporâneo as cinquentonas são as novas balzaquianas.
Se por fatores sociais os casais demoram a se casar ou a ter filhos, deveríamos admitir essa cultura no seio do cristianismo? Há sérias preocupações que envolvem o discipulado da geração atual, especialmente quando se reflete sobre a influência de padrões seculares sobre esses jovens. Somos chamados a rejeitar os moldes seculares e renovar nossa mente (Rm 12:2). Alguns pontos para se meditar:
(1)    Desde a revolução sexual (década de 1960), casamento e atividade sexual se desligaram. Na prática, muitos jovens questionam sobre a necessidade de assumirem um compromisso (com riscos inerentes) se podem desfrutar de um envolvimento sexual descompromissado. Eis um dos fatores para casamentos mais tardios, realizados por pessoas próximas aos 30 anos (além de um número de casais que passam a dividir o mesmo teto sem nenhum papel assinado). Embora muitos cristãos se deixem levar pela mesma tendência, o padrão bíblico não admite sexo pré-marital. Por essa razão, namoros longos e sem objetivo serviriam apenas para expor um casal cristão à tentação de praticar o intercurso sexual (ou a fornicar). Embora não exista uma idade concreta para se casar dentro da Bíblia, particularmente penso que, entre os 21 aos 26 anos é uma faixa etária ideal;
(2)    Pais cristãos devem incentivar e promover oportunidades para que seus filhos trabalhem o quanto antes. A atividade profissional é dignificada na Bíblia. A correta disciplina deve empreender esforços positivos para que jovens reconheçam o trabalho como um mandato divino;
(3)    Lares cristãos, por meio do culto familiar, e igrejas, por meio do clube de Aventureiros/ Desbravadores, programa da Escola Sabatina, Culto jovens e demais oportunidades de treinamento e práticas missionárias, devem inculcar os princípios bíblicos, debatendo sobre temas centrais das Escrituras com profundidade; assim, se agirá para que uma geração pense biblicamente, fazendo contraponto sadio com as influências seculares (as quais se disseminam por meio da mídia e do convívio com não-cristãos). Alguns mitos cristãos devem ser fortemente combatidos nesse processo: (a) a neutralidade da mídia; (b) a ideia de sucesso profissional associado com alto rendimento financeiro; (c) a ideia de sucesso acadêmico associado com instituições particulares não-cristãs (educação básica) ou públicas (educação superior); (d) os supostos benefícios do consumismo moderado; (e) a despreocupação com as questões mais pertinentes de uma reforma de saúde (geralmente reduzida em termos populares à abstinência à carne suína e derivados); (f) a ideia reducionista de cristianismo concebido como fé alheia à racionalidade; etc.
As novas gerações precisam estar ligadas mais de perto com as demais gerações. Sem tal relacionamento, não há transmissão de valores. Legado chega quando se anda lado a lado. Para discipular os novos, é necessário quem corajosa, espiritual e conscientemente aceite o desafio.



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quarta-feira, 15 de março de 2017

A PRÁTICA DA ORAÇÃO NO MUNDO MATERIALISTA


Desde o Iluminismo, passando pela teologia liberal e adentrando no século XX, a presença divina passou a ser escamoteada, gradativamente diminuída e, finalmente, rechaçada. Hoje se fala no espaço dado à espiritualidade. Porém, tudo isso em nível pessoal. Na esfera particular, no fórum íntimo.
No “mundo real”, a opulência material garantida pelo progresso econômico que se seguiu ao fim da Segunda Guerra Mundial despertou a cobiça. Produtos feitos para durar pouco. Propagandas pensadas para vender sentimentos, aspirações e valores veiculados a quase qualquer produto – até propaganda de banco faz chorar! A toda hora, somos convidados a ter o último smartphone, o perfume recém lançado, o xampu de eficácia cientificamente comprovada. Para tudo isso, é preciso gastar tudo, porque gastar significa desfrutar. O materialismo consumista é uma expressão da confiança humana nos bens como veículos de desfrutar não apenas da “vida melhor”, prometida pelo século XX; hoje está à disposição a “vida para ser curtida”, com coisas inúteis, mas divertidas, ao alcance de todos.
Não há espaço para Deus nesse espiral pós-moderno de sensações, nesse looping de barganhas midiáticas e promessas de pote de ouro aqui e agora. Tudo está concentrado não mais nessa vida, mas no agora. Tudo o que importa é o agora. Temos de ver, ouvir a resposta, tocar as coisas, viver a sensação. Como confiar em um Deus além, invisível, que, pior!, nem sempre responde (quase nunca responde) as orações no exato momento em que são feitas?
Confiar nas respostas de Deus é algo que precisa, como nunca, ser exercitado a cada instante. Do contrário, fica fácil que mesmo cristãos conscientes vivam como ateus em sua semana de trabalho. O sábado bíblico (Êx 20:8-11) não é simplesmente um dia para ter um encontro com Deus, o que, de fato, deve ser algo diário. O sábado é a renovação do propósito da aliança com o Criador, a preparação para Seu juízo em favor de Seus santos (Ap 14:6-7) e a dedicação exclusiva do tempo para Aquele que é Senhor do tempo e da vida. O sábado serve para se desconectar com os apelos consumistas de um mundo que se acostumou com aquilo que é imediato. Na calma do dia santo, pode-se renovar o propósito de servir o Deus que estabeleceu cada coisa para seu próprio tempo (Ec 3:1-8).
Uma vez renovados, é preciso que empreguemos o tempo dos outros dias para nos conservar em espírito de oração. Não se trata da regularidade nas orações pontuais, sempre necessária. Mas o cultivo de uma mentalidade que a todo tempo converse com Deus e reconheça a necessidade de Sua presença. Afinal, em meio ao conflito cósmico no qual estamos inseridos, a grande questão não é em que gastaremos nosso dinheiro ou qual diversão estará à nossa espera. A salvação está em jogo em cada decisão importante – mesmo naquelas que não se percebem importantes.
Oramos porque não estamos seguros em um mundo dominado pelas trevas. Oramos porque há um Deus que, como um Amigo sempre presente, sente interesse por nós e deseja nos amparar. Oramos porque Deus é totalmente amável e benevolente, cheio de misericórdia, amor e paciência. Oramos porque é nossa maneira de amá-Lo por tudo o que Ele é e tem feito.


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segunda-feira, 13 de março de 2017

A MULHER QUE NÃO CONHECIA BRUCE WAYNE


Estávamos em um restaurante de um shopping, aguardando o pedido chegar. Stephanie, nossa bebê, se distraía com músicas cristãs e livrinhos de plástico contendo histórias bíblicas. Saí da mesa à caça do banheiro, quando cruzei com os mascarados. Iam excitados, em grupos, falando coisas que não consegui ouvir. Claro que me indaguei a razão de tanta gente usar roupas e máscaras tirados da série Star Wars. Acabei reencontrando outras pessoas vestidas a caráter no corredor próximo da área em que ficavam os cinemas e minhas dúvidas foram esclarecidas. Não sei dizer se era exatamente a estreia, mas vi que Rogue One se achava em cartaz. Logo voltei para a direção em que ficavam os banheiros (localizados do lado oposto em que eu havia me dirigido).
O famoso bordão "que a força esteja com você" seria reconhecido por quase qualquer pessoa que cresceu na década de 1980. Menos pela minha esposa Noribel. Ela não sabia quem era o Peter Parker ou Bruce Wayne. A cultura pop era um terreno (quase) completamente desconhecido para ela. Minha esposa foi criada como adventista desde os dois anos de idade (um colportor estudou a Bíblia com os meus sogros; o pai da minha esposa decidiu-se ao fim do estudo, mas minha sogra demorou ainda dois anos para se batizar). Noribel cresceu aprendendo com a lição da Escola Sabatina, participando de acampamentos com os desbravadores, desejando ir para o internato (o que se realizou na faculdade e graças à colportagem) e participando dos cultos e programas da igreja.
Se eu pudesse, daria um doutorado honoris causa em educação para os meus sogros. Ou em evangelismo voltado às novas gerações. Como duas pessoas simples souberam criar seus filhos com tanta ênfase no espiritual? Eu não tive esse privilégio – minha família passou a frequentar reuniões adventistas quando eu tinha quinze anos (graças a um curso de desenho que eu fazia). Por isso, eu e minha esposa crescemos com referenciais diferentes. E sabe qual o prejuízo de crescer com a mínima influência da cultura pop? Nenhum. Isso não impediu que Noribel se tornasse uma pessoa sociável, inteligente e divertida. Ela e muitos adventistas que conheci, vindos de lares realmente cristãos, se destacavam por terem enraizado em seu caráter conceitos que são a base do adventismo.
Quem forma a base para uma nova geração são os pais. A mídia somada com outros fatores, como as revoluções sociais e tecnológicas, exercerá influência limitada pela atuação de pais cristãos. Quando nos perguntamos "O que fazer para alcançar as novas gerações?", estamos mostrando preocupação na direção equivocada! A pergunta deveria ser: "O que diz a Bíblia?" Quando pais ensinam seus filhos a pensar biblicamente, eles formam jovens que servirão como representantes de Cristo entre outros jovens. E o que alcançam pessoas não são os métodos, mas outras pessoas. A vida transformada prega com eficácia sobre o evangelho que a transformou.
Fico feliz quando o culto familiar acaba e a Stephanie folheia sozinha sua Bíblia ilustrada. Sem saber ler ou falar, ela já é uma investigadora das Escrituras. Em meio à geração de pessoas confusas, que não aceitam a Verdade única e abraçam o experimentalismo pragmático para escolher sua espiritualidade, estou criando uma testemunha. Deus me dê a sabedoria que meus sogros –  e tantos outros adventistas fiéis – tiveram.


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sexta-feira, 10 de março de 2017

DECIDA POR MANTER A BASE


Foi curioso quando o repórter indagou o músico cristão o porquê de suas letras se tornarem menos explícitas em sua religiosidade; a resposta, entre outros elementos, destacou a necessidade de conversar com um público mais amplo, incluindo pessoas não religiosas. Afinal, nossas experiências humanas são as mesmas, quer para cristãos ou descrentes. Depreende-se daí um certo viés existencialista, que procura no universalismo a expressão de sua fé. Nada mais pós-moderno.
Reduzir a crença a um estar-no-mundo que, em essência, não difere muito de outras posturas existenciais é algo perceptível para além das ondas sonoras do gospel. As mensagens do púlpito focam problemas humanos, alguns de amplitude universal (solidão, medo, tristeza, etc) ou de caráter contemporâneo (divórcio, desemprego, crise familiar, etc). Não há dúvida de que Deus Se interessa pelo cotidiano de Seus filhos. Ele Se comunica conosco em nossas necessidades. Todavia, a ênfase dada é muito mais antropocêntrica, retratando Deus como um solucionador universal, uma espécie de consolo, minimizando o aspecto instrutivo e cognitivo da mensagem bíblica (aspectos que não deixam de ter implicações práticas também).
Um cristianismo que lê a Bíblia apenas preocupado no tipo de respostas divinas para os dilemas contemporâneos começa sua busca pelo lugar errado. A leitura (ou seja, a interpretação que fazemos) deve contemplar o que Deus disse, procurando entender (1) o momento em que Ele disse (contexto histórico), (2) dentro de qual livro Ele disse (contexto literário), (3) a relação do que Ele disse com outras coisas que também foram ditas (analogia das Escrituras), para compreender corretamente o que foi dito. Depois desse processo, que depende da nossa relação com o Espírito Santo (1 Co 2:13-14) e com o as próprias Escrituras (Is 8:19-20), se pode pensar em uma aplicação das Escrituras (para minha vida) e na proclamação (no púlpito, em um estudo bíblico, pequeno grupo, contato pessoal, etc).
Quando se lê a Bíblia apenas para justificar uma posição (seja doutrinária, pessoal ou apologética), etapas são queimadas. Fica mais fácil cometer erros na leitura (interpretação), deixando que opiniões, experiências ou a influência da tradição (antiga ou contemporânea) norteiem o entendimento. Temo que, pelo fato de não refletirmos sobre os passos adequados para o estudo das Escrituras, estejamos criando uma cultura de leitores deficientes, que, na melhor das hipóteses, conseguem mencionar textos bíblicos e se justificar por meio deles, mas que são incapazes de compreender a mensagem bíblica em todo o seu potencial. Não se habilitaram a fazer as correlações entre textos e perceber como a própria Escritura, tal um todo orgânico (cânon), fornece as ferramentas para sua correta leitura (interpretação). O máximo que conseguem é ler a Bíblia segundo o modelo da escola de Alexandria – como se a Bíblia fosse compostas de alegorias, que permitissem praticamente a livre interpretação. Por isso, tanta barbaridade é proferida dos púlpitos: falta de seriedade no estudo da Palavra.
A base da fé precisa ser a compreensão de mundo extraída das Escrituras (a visão canônica). Na Bíblia como uma todo (cânon), nós nos deparamos com nossos erros conceituais e idiossincrasias, além de termos a possibilidade de substituí-los pelos conceitos e instruções dados por Deus e aplicáveis à nossa vida.
A falta de explicitude nas músicas, as mensagens genéricas no púlpito, as opiniões obtusas na internet de cristãos que “usam” a Bíblia são fatores sintomáticos. não passam de versões brandas e atuais do existencialismo contemporâneo. Nem bem se trata de um existencialismo à la Kierkegaard (lamentavelmente citado por outro músico cristão na recente edição de um programa televisivo): temos aqui sua versão mais rasa e superficial. Uma fé que se preocupa tanto com os problemas do mundo que não tem tempo para ocupar seu papel no mundo. Uma fé sem consciência de suas raízes bíblicas, sem embasamento sólido. Uma fé tão universal e similar à experiência do homem contemporâneo que seria de se admirar que ele possa se interessar por ela: afinal, o que ela oferece diferente do que ele já possui? E, mesmo que ele se interesse pelas questões que ela desperta, será difícil que ela o ajude a chegar aonde precisa, tão desvinculada se acha das Escrituras…


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