segunda-feira, 15 de maio de 2017

REPORTAGEM SOBRE DESING INTELIGENTE NA RECORD



Nota: a reportagem é instrutiva e muita útil. Mas a parte da ligação entre informações genéticas e o nome de Deus me pareceu um pouco forçada e mais dependente da numerologia hebraica do que da própria revelação bíblica. Quanto à declaração final do Dr. Eberling, vale lembrar que “especular sobre a revelação científica” é o que toda a ciência sempre fez, independente do viés filosófico ao qual se adere.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

RELIGIÃO NO CONTEXTO DIGITAL


Os críticos da religião costumam denunciar sua hierarquia rígida, piramidal, o que para alguns chega a cair na esfera da manipulação em benefício de quem ocupa o poder. Todavia, na era digital a religiosidade apresenta uma difusão dessa hierarquia. Na terra-de-ninguém online, que é o mundo virtual, as patentes e títulos do mundo off-line nem sempre são reconhecidos. Desse modo, há a emergência de novos líderes e referenciais para a espiritualidade. Na prática, isso implica em (a) expressão para grupos minoritários; (b) expressões heterodoxas de movimentos tradicionais; (c) possibilidade de sincretismo religioso, uma vez que os participantes de uma determinada fé não são apenas apascentados por seus líderes religiosos constituídos, mas igualmente abertos aos pastores online.
Existem tours virtuais em lugares santos e cerimônias online (assim como cultos). As principais comunidades religiosas dispõem de ao menos um site para efeito de se fazerem presente. Isso sem mencionar sites pessoais de líderes religiosos e canais no youtube. As novas mídias se tornaram não apenas ferramentas para divulgação, mas também formas para interação entre adeptos religiosos das mais diversas comunidades. A virtualização fomentou a globalização da religião. Com isso, perde poder a instituição religiosa e ganha destaque a espiritualidade, cada vez mais entendida como a forma do indivíduo experimentar sua fé – às vezes, reciclando o que gosta em outras crenças e criando algo muito particular.
Sai o triângulo da hierarquia rígida para dar lugar ao poliedro com seus espelhos multifacetados de possibilidades infinitas. A religião deixou de ser monolítica e rígida para ser caleidoscópica, multicolor e disposta a se reinventar. Isso significa que as tradições são úteis apenas como repositórios que inspirem novos movimentos e não como moldes que restrinjam a abertura dos novos tempos. Criatividade e experimentação são elementos cruciais para um movimento religioso atrair jovens e passar a viralizar.
Inegavelmente, a fé bíblica segue na contramão. Não que sua preocupação esteja em manter o tradicionalismo, porque ela propõe uma constante evolução. Contudo, não se trata de uma perspectiva que siga de modo parelho as revoluções culturais. A cultura humana é fruto de diversas atividades humanas, que refletem comportamentos, ações, pensamentos e valores. A cultura é a colheita da semente chamada cosmovisão. Não se pode esperar que ela seja neutra. Imitá-la sem reconhecer suas bases e avalia-las pela cosmovisão cristã é como se o trigo resolvesse imitar o joio!
Se a fé cristã vive de revolução, isso é resultado de seu próprio plantio. Como os ramos de uma videira, os cristãos têm de ser podados para dar fruto. Suas perspectivas precisam ser confrontadas com a vontade divina expressa nas Escrituras. Não estamos à sombra da cultura secular, nem ela nos serve como espelho ou modelo. Estamos à margem, buscando outro tipo de experiência, uma interação verticalizada pelo convívio com o Espírito, sem deixar o relacionamento horizontal com aqueles que precisam de nossa mensagem.
Em um contexto dinâmico e sincretista, manter a pureza da fé é mais do que mera questão de sobrevivência: trata-se de cumprimento de uma missão profética. Se a fé deve se atualizar, isso não se dá por questão de o mundo ter mudado, mas em virtude da necessidade de crescer ajustada às Escrituras. Precisamos constantemente moldar quem somos e o que cremos em função da verdade revelada por Deus. Quer online, quer off-line, nossa pergunta não deve ser: “o que mundo quer ouvir?”, mas: “o que Deus quer que falemos?”


Leia também:

sexta-feira, 7 de abril de 2017

JOVENS PENSANTES PRECISAM DO EVANGELHO INTEGRAL


O evangelicalismo legou um evangelho pela metade, sem preocupação com a mente cristã. Em parte, os apologetas do período moderno tentaram oferecer um contraponto, mas recorreram à filosofia. Nem pregadores, nem apologetas equalizaram uma fé integral, que abrangesse o estilo de vida bíblico.
Com a cultura divorciada das bases cristãs, geração após geração surge possuindo menos familiaridade com a Bíblia. Muitos sentem até repulsa em relação ao livro cristão – porque associam cristianismo com homofobia, pessoas pouco estudadas, pastores envolvidos em escândalos e preconceitos diversos.
Há décadas se discutem métodos para revolucionar a igreja, procurando atrair os descrentes. Alguns desses métodos se parecem com estratégias de marketing, outros propõem uma revolução mais radical, atingindo o próprio cerne do cristianismo, aproximando-o, assim, da própria cultura contemporânea. Contudo, há um silêncio assustador no que se refere à revolução de vidas. Por isso, até mesmo quando alguns métodos se mostram eficazes e multidões são atraídas ao evangelho, poucos permanecem cristãos depois de certo tempo. Parece que a vida espiritual perde interesse, torna-se vazia e cheia de ambiguidades.
A versão do evangelho pregado em muitos segmentos do cristianismo é incapaz de mudar vidas. Sem um conteúdo bíblico sólido e um incentivo a buscar a integração completa entre a vida cristã e os ensinos escriturísticos, só lhes resta propor soluções paliativas. Meias medidas, como adicionar guitarras e cajons à liturgia. Tirar a gravata dos pregadores e colocar em seus discursos uma pitada de autoajuda.
O evangelho eterno é uma mensagem de salvação integral. Reformula nosso comportamento, ações, pensamentos, valores, cosmovisão, tudo! Esse evangelho está estruturado na mensagem de um Salvador prometido, encarnado, crucificado, ressurreto, assunto e atuante em Seu santuário. A centralidade da obra de Jesus torna efetivo o amor de Deus que transforma. Isso provê uma estrutura para responder as grandes indagações, para atuar de forma justa, viver relacionamentos gratificantes e reagir com esperança em contextos marcados por corrupção, desigualdade e violência.
O mundo não precisa de artistas gospel aparecendo em programas dominicais ou youtubers cristãos tão histriônicos quanto as vertentes seculares (claro que há youtubers sensatos dos dois lados, mas temo serem a minoria). Cristãos parecem tão focados em atingir as pessoas com sua mensagem que se esquecem de que podem denegri-la ou corrompe-la quando apelam a jargões, formatos, ritmos e meios caracteristicamente seculares. Fazem um desserviço ao evangelho.
De que as pessoas precisam? De pais que amem aos seus filhos adolescentes e lhes sirvam de exemplo. De famílias realmente harmoniosas e equilibradas. De empresários honestos e humanos. De professores capazes de amar e se interessar pelos alunos. De mecânicos que cobrem o preço justo por um serviço excelente. De motoristas que se portem de maneira pacífica e ordeira. Enfim, o mundo está faminto pelo amor cristão, esperando ele deixar de ser simplesmente o tema de tantos sermões para ser o tema de algumas vidas.
A mensagem correta, bíblica, integral e transformadora deve tornar-se visível na vida do povo que espera o retorno de Jesus. Afinal, há um mundo que espera vê-la, para depois ouvi-la. Toda uma geração exigente, crítica e cética aguarda algo que lhes dê satisfação intelectual e respostas verdadeiramente praticáveis. E apenas o evangelho de Cristo preenche esses requisitos. Mas a mídia cristã, cheia de boas intenções e baixo orçamento, diz pouco a eles. Os eventos promovidos por igrejas podem até lhes despertar a curiosidade e proporcionar entretenimento. Programações evangelísticas são eficazes na medida em que eles abrem mão de seus preconceitos – e isso não ocorre sempre.
Porém, quando os jovens dessa geração conhecem e se relacionam com cristãos dedicados, humildes e fiéis, o poder do Espírito fala ao seu coração. Uma vida transformada é o melhor convite para que alguém aceite a transformação que Jesus oferece. Infelizmente, ainda se concentram esforços na direção errada. Queremos nos aproximar do mundo para ganha-lo quando deveríamos investir em gastar tempo em comunhão. Somente ligados a Jesus receberemos o poder que nos habilitará a ganhar qualquer geração. Precisamos do evangelho integral em nossa experiência. Devemos isso a tantos que necessitam dele. Devemos isso a Deus, que nos chamou para confiar nos métodos dele, não nos nossos.

Leia também:

sexta-feira, 31 de março de 2017

A CONEXÃO PARA ESSE TEMPO



Vivemos o tempo final da história do mundo, quando a inspiração previu o advento dos enganos mais bem elaborados. Não se trata apenas de escolher entre o que é claramente correto ou o escandalosamente malévolo. Satanás agiria para nos entreter, viciar e desequilibrar: “‘Tenham cuidado, para que os seus corações não fiquem carregados de libertinagem, bebedeira e ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vocês inesperadamente.” (Lc 21:34). E ele o faria por meio do transtorno do cotidiano.
Uma das coisas mais certas sobre a realidade distorcida pelo pecado é a transitoriedade. O pecado se interpõe no próprio curso da vida, interrompendo-a com a chegada da morte. Mas não só isso. Ao transmutar os preceitos divinos, os quais geram estabilidade, o mal trouxe a constante mudança, a passagem das épocas como conhecemos. Tais mudanças ao longo da história são marcadas por guerras, catástrofes, perseguições e revoluções tecnológicas.
É difícil imaginar como seria o mundo criado por Deus sem ter como parâmetro o mundo como o conhecemos, o qual é manchado pelo pecado. Certamente, o tempo é um elemento criado por Deus. Não é admissível uma realidade dicotômica, como os gregos faziam, ao imaginar a ausência de tempo como ideal de perfeição. Mesmo na Terra restaurada teremos a passagem dos dias e a contagem das semanas (Is 66:23). Por outro lado, é possível inferir que o plano divino implicava em progresso, crescimento, aperfeiçoamento:

Enquanto permanecessem fiéis à lei divina, sua capacidade para saber, vivenciar e amar, cresceria continuamente. Estariam constantemente a adquirir novos tesouros de saber, a descobrir novas fontes de felicidade, e a obter concepções cada vez mais claras do incomensurável, infalível amor de Deus. (EGW, PP, 23).

O texto sugere que, sem a presença do pecado, haveria um fluxo contínuo de desenvolvimento dentro das mesmas bases – obediência à lei divina. Com o pecado, temos degradação, ruptura, mudanças e violência. Logo, é de se esperar que a instabilidade seria a marca do mundo.
A instabilidade se instaurou no cotidiano e logo passou a ser o novo cotidiano. O mundo interconectado aceita a instabilidade, faz dela seu capital mais valioso. Se há mudança, há movimento. Ainda que movimento desordenado. Real e virtual se confundindo, se mesclando. O que os analistas sugerem ser um novo período humano tem de ser visto em sua devida perspectiva profética.
O caos das nações – caos de informações, insegurança política (crises migratórias, terrorismo, guerras em potencial) e a perda das bases éticas (com a rejeição do modelo bíblico de pensar) – é o aprontar das últimas cenas. Já estamos próximos dos eventos descritos na profecia.
Mais do que nunca, o conselho de Jesus é valioso: “‘Tenham cuidado, para que os seus corações não fiquem carregados de libertinagem, bebedeira e ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vocês inesperadamente.” (Lc 21:34). Justamente aqui temos de ficar atentos. Há distrações por toda parte. O entretenimento chega a nós a cada momento, via Whats’app, redes sociais, serviços de streams. Em meio à instabilidade, somos convidados pela tecnologia a desconsiderar a vigilância e dar maior valor à diversão. Somos convidados à grande festa online, à orgia digital, ao amar o lúdico, o prosaico, o fútil. Assim, quando chegarem as provas, estaremos desapercebidos e sonolentos. Conectados com esse século, estamos nos desconectando com as advertências que nos preparariam para o futuro.
Obviamente, o problema maior não está com a internet, mas com a forma como a usamos, o tempo que dedicamos a ela e ao tipo de participação que temos com as coisas que ela oferece. Quer online ou na vida off-line, somos desafiados a compartilhar a certeza de que Jesus voltará. Isso implica em uma vida sóbria, cautelosa, sábia, regrada e piedosa. Implica em comunhão autêntica com oPai das luzes, que não muda como sombras inconstantes.” (Tg 1:17). Por meio de nossa esperança nEle, podemos nos conectar ao governo de Deus, algo que será plenamente cumprido para aqueles que vencerem no grande conflito, especialmente em sua crise final (Ap 3:21).
Deus nos dê o entendimento correto acerca do tempo presente, uma sólida apreciação por aquilo que Ele realizou nos tempos passados e uma viva esperança para aguardar o tempo que Ele trará!


Leia também:



Para adquirir o livro Explosão Y:

quinta-feira, 23 de março de 2017

O FUNDAMENTO SEGURO DO REMANESCENTE


Participei de um congresso acadêmico e no Grupo de Trabalho (GT) no qual estava inserido escutei uma apresentação sobre cuidado pastoral. O tema é extremamente pertinente, mas o notável foi o referencial do trabalho: as obras de Foucault. Seria como falar da cultura judaica a partir de Mein kampf. Parece que alguns acadêmicos adventistas estão mais preocupados em se tornar reconhecidos do que em construir sobre paradigmas legitimamente cristãos.
Mesmo na área de teologia, há fortes riscos. Assisti a uma plenária em uma faculdade adventista sobre a contribuição de Ellen G. White. Após a excelente apresentação, o programa estabelecia uma réplica. O professor que a proferiu destacou o valor da sociologia como ferramenta para o fazer teológico em termo que divergiam completamente das noções mais básicas de hermenêutica adventista. Chegou a ser quase constrangedor que, durante a tréplica, o proponente inicial tivesse de, mui sutil e educadamente, contestar seu colega.
Recente conversando com um colega, ouvi que alguns professores da área bíblica admitiam que se a exegese divergisse do que escreveu Ellen G. White, o intérprete deveria ficar com a própria pesquisa. Quando contestado por um aluno sobre uma explanação contrária ao que escreveu a mensageira do Senhor, outro professor apenas abriu os braços. Com o gesto, parecia dizer: “Fazer o quê? Escolha você em quem acreditar!”
A excelência acadêmica deve continuar como a meta a ser alcançada. Mas não a expensas de princípios que nos caracterizam como o povo peculiar nesse tempo. Nenhum conhecimento adicional deve substituir os fundamentos bíblicos que fazem dos adventistas o que eles são: o remanescente da profecia. O descrédito lançado a essa premissa por acadêmicos do próprio movimento causa danos há décadas em alguns países europeus e regiões dos Estados Unidos. Esse seria um dos fatores da perda da identidade adventista no hemisfério norte. Não se pode deixar que o mesmo ocorra em nosso contexto.
Correndo o risco de incorrer em uma simplificação excessiva, penso que a questão está em definir o que forma a base das nossas crenças. Temos dado concessões demasiadas à cultura. Tradicionalmente, os adventistas defendem o princípio sola Scriptura (somente as Escrituras). Sob o leque de atuação desse princípio, temos a operação de outros dois: tota Scriptura (toda a Escritura, a Bíblia em sua totalidade, o cânon da revelação) e prima Scriptura (primeiro as Escrituras, ou seja, o primado da Bíblia sobre outras fontes (a) revelatórias, como a natureza ou profetas extra-bíblicos, por exemplo e (b) que ajudam a compreender as Escrituras, como a tradição, quer moderna ou contemporânea). Somente quando a Palavra de Deus ganha o espaço devido, de geradora e fonte de retroalimentação de uma visão de mundo peculiar, o remanescente vive à altura de sua missão.
Diante da perspectiva de fortes elementos secularizadores em nosso meio – quer no ambiente acadêmico ou mesmo em nível de liderança –, corremos o risco de abraçar pressuposições, metodologias e práticas que deformem o adventismo. Nada disso é novo na história do povo de Deus ou mesmo motivo para alarme. Devemos aproveitar esse momento para refletir profundamente naquilo que Deus deseja para nós como movimento mundial, comunidade local, família e indivíduos. Com fé na Palavra e confiança na direção do Senhor, avançaremos humildemente para a vitória escatológica prevista. Eis a minha esperança – e a de todo adventista fiel! Uma esperança acima de qualquer crise, quer passada, quer por vir.


Leia também

domingo, 19 de março de 2017

GERAÇÕES TRABALHANDO JUNTAS PARA CRISTO


Barnabé e João Marcos, Moises e Josué, Elias e Eliseu, Jônatas e Davi, Jesus e os discípulos, Abraão e Ló, Esdras e Neemias, entre outros: não é incomum que nas Escrituras pessoas de faixa etária distinta interajam de forma harmônica. Se na Bíblia existe discipulado, é certo que muitos dos exemplos dessa prática se dão em um contexto intergeneracional.
Hoje há um distanciamento entre indivíduos de gerações distintas por causa da mídia: especialmente com o advento da cultura jovem, a partir da década de 1950, houve uma ruptura da continuidade histórica natural, levando a se prescindir da vida adulta como modelo a ser almejado. Atualmente se faz de tudo para fugir da frustração indissoluvelmente ligada à maturidade, com suas responsabilidades e rotinas.
O bom é ser jovem, jovem eternamente, viver com os pais até os trinta, trabalhando mais por hobbie do que por realização. Se na década de 1960, 70% dos homens chegavam aos 30 anos (a) formados, (b) empregados, (d) casados e (e) com filhos, requisitos da vida adulta, as estatísticas atuais indicam que apenas 30% dos homens atingem tais metas até os 30 anos. Aliás, poucos ambicionam atingi-las. Se “balzaquiana” indicava a mulher na casa dos trinta, a mulher madura, poderíamos dizer que no cenário contemporâneo as cinquentonas são as novas balzaquianas.
Se por fatores sociais os casais demoram a se casar ou a ter filhos, deveríamos admitir essa cultura no seio do cristianismo? Há sérias preocupações que envolvem o discipulado da geração atual, especialmente quando se reflete sobre a influência de padrões seculares sobre esses jovens. Somos chamados a rejeitar os moldes seculares e renovar nossa mente (Rm 12:2). Alguns pontos para se meditar:
(1)    Desde a revolução sexual (década de 1960), casamento e atividade sexual se desligaram. Na prática, muitos jovens questionam sobre a necessidade de assumirem um compromisso (com riscos inerentes) se podem desfrutar de um envolvimento sexual descompromissado. Eis um dos fatores para casamentos mais tardios, realizados por pessoas próximas aos 30 anos (além de um número de casais que passam a dividir o mesmo teto sem nenhum papel assinado). Embora muitos cristãos se deixem levar pela mesma tendência, o padrão bíblico não admite sexo pré-marital. Por essa razão, namoros longos e sem objetivo serviriam apenas para expor um casal cristão à tentação de praticar o intercurso sexual (ou a fornicar). Embora não exista uma idade concreta para se casar dentro da Bíblia, particularmente penso que, entre os 21 aos 26 anos é uma faixa etária ideal;
(2)    Pais cristãos devem incentivar e promover oportunidades para que seus filhos trabalhem o quanto antes. A atividade profissional é dignificada na Bíblia. A correta disciplina deve empreender esforços positivos para que jovens reconheçam o trabalho como um mandato divino;
(3)    Lares cristãos, por meio do culto familiar, e igrejas, por meio do clube de Aventureiros/ Desbravadores, programa da Escola Sabatina, Culto jovens e demais oportunidades de treinamento e práticas missionárias, devem inculcar os princípios bíblicos, debatendo sobre temas centrais das Escrituras com profundidade; assim, se agirá para que uma geração pense biblicamente, fazendo contraponto sadio com as influências seculares (as quais se disseminam por meio da mídia e do convívio com não-cristãos). Alguns mitos cristãos devem ser fortemente combatidos nesse processo: (a) a neutralidade da mídia; (b) a ideia de sucesso profissional associado com alto rendimento financeiro; (c) a ideia de sucesso acadêmico associado com instituições particulares não-cristãs (educação básica) ou públicas (educação superior); (d) os supostos benefícios do consumismo moderado; (e) a despreocupação com as questões mais pertinentes de uma reforma de saúde (geralmente reduzida em termos populares à abstinência à carne suína e derivados); (f) a ideia reducionista de cristianismo concebido como fé alheia à racionalidade; etc.
As novas gerações precisam estar ligadas mais de perto com as demais gerações. Sem tal relacionamento, não há transmissão de valores. Legado chega quando se anda lado a lado. Para discipular os novos, é necessário quem corajosa, espiritual e conscientemente aceite o desafio.



Leia também
      

quarta-feira, 15 de março de 2017

A PRÁTICA DA ORAÇÃO NO MUNDO MATERIALISTA


Desde o Iluminismo, passando pela teologia liberal e adentrando no século XX, a presença divina passou a ser escamoteada, gradativamente diminuída e, finalmente, rechaçada. Hoje se fala no espaço dado à espiritualidade. Porém, tudo isso em nível pessoal. Na esfera particular, no fórum íntimo.
No “mundo real”, a opulência material garantida pelo progresso econômico que se seguiu ao fim da Segunda Guerra Mundial despertou a cobiça. Produtos feitos para durar pouco. Propagandas pensadas para vender sentimentos, aspirações e valores veiculados a quase qualquer produto – até propaganda de banco faz chorar! A toda hora, somos convidados a ter o último smartphone, o perfume recém lançado, o xampu de eficácia cientificamente comprovada. Para tudo isso, é preciso gastar tudo, porque gastar significa desfrutar. O materialismo consumista é uma expressão da confiança humana nos bens como veículos de desfrutar não apenas da “vida melhor”, prometida pelo século XX; hoje está à disposição a “vida para ser curtida”, com coisas inúteis, mas divertidas, ao alcance de todos.
Não há espaço para Deus nesse espiral pós-moderno de sensações, nesse looping de barganhas midiáticas e promessas de pote de ouro aqui e agora. Tudo está concentrado não mais nessa vida, mas no agora. Tudo o que importa é o agora. Temos de ver, ouvir a resposta, tocar as coisas, viver a sensação. Como confiar em um Deus além, invisível, que, pior!, nem sempre responde (quase nunca responde) as orações no exato momento em que são feitas?
Confiar nas respostas de Deus é algo que precisa, como nunca, ser exercitado a cada instante. Do contrário, fica fácil que mesmo cristãos conscientes vivam como ateus em sua semana de trabalho. O sábado bíblico (Êx 20:8-11) não é simplesmente um dia para ter um encontro com Deus, o que, de fato, deve ser algo diário. O sábado é a renovação do propósito da aliança com o Criador, a preparação para Seu juízo em favor de Seus santos (Ap 14:6-7) e a dedicação exclusiva do tempo para Aquele que é Senhor do tempo e da vida. O sábado serve para se desconectar com os apelos consumistas de um mundo que se acostumou com aquilo que é imediato. Na calma do dia santo, pode-se renovar o propósito de servir o Deus que estabeleceu cada coisa para seu próprio tempo (Ec 3:1-8).
Uma vez renovados, é preciso que empreguemos o tempo dos outros dias para nos conservar em espírito de oração. Não se trata da regularidade nas orações pontuais, sempre necessária. Mas o cultivo de uma mentalidade que a todo tempo converse com Deus e reconheça a necessidade de Sua presença. Afinal, em meio ao conflito cósmico no qual estamos inseridos, a grande questão não é em que gastaremos nosso dinheiro ou qual diversão estará à nossa espera. A salvação está em jogo em cada decisão importante – mesmo naquelas que não se percebem importantes.
Oramos porque não estamos seguros em um mundo dominado pelas trevas. Oramos porque há um Deus que, como um Amigo sempre presente, sente interesse por nós e deseja nos amparar. Oramos porque Deus é totalmente amável e benevolente, cheio de misericórdia, amor e paciência. Oramos porque é nossa maneira de amá-Lo por tudo o que Ele é e tem feito.


Leia também
    


segunda-feira, 13 de março de 2017

A MULHER QUE NÃO CONHECIA BRUCE WAYNE


Estávamos em um restaurante de um shopping, aguardando o pedido chegar. Stephanie, nossa bebê, se distraía com músicas cristãs e livrinhos de plástico contendo histórias bíblicas. Saí da mesa à caça do banheiro, quando cruzei com os mascarados. Iam excitados, em grupos, falando coisas que não consegui ouvir. Claro que me indaguei a razão de tanta gente usar roupas e máscaras tirados da série Star Wars. Acabei reencontrando outras pessoas vestidas a caráter no corredor próximo da área em que ficavam os cinemas e minhas dúvidas foram esclarecidas. Não sei dizer se era exatamente a estreia, mas vi que Rogue One se achava em cartaz. Logo voltei para a direção em que ficavam os banheiros (localizados do lado oposto em que eu havia me dirigido).
O famoso bordão "que a força esteja com você" seria reconhecido por quase qualquer pessoa que cresceu na década de 1980. Menos pela minha esposa Noribel. Ela não sabia quem era o Peter Parker ou Bruce Wayne. A cultura pop era um terreno (quase) completamente desconhecido para ela. Minha esposa foi criada como adventista desde os dois anos de idade (um colportor estudou a Bíblia com os meus sogros; o pai da minha esposa decidiu-se ao fim do estudo, mas minha sogra demorou ainda dois anos para se batizar). Noribel cresceu aprendendo com a lição da Escola Sabatina, participando de acampamentos com os desbravadores, desejando ir para o internato (o que se realizou na faculdade e graças à colportagem) e participando dos cultos e programas da igreja.
Se eu pudesse, daria um doutorado honoris causa em educação para os meus sogros. Ou em evangelismo voltado às novas gerações. Como duas pessoas simples souberam criar seus filhos com tanta ênfase no espiritual? Eu não tive esse privilégio – minha família passou a frequentar reuniões adventistas quando eu tinha quinze anos (graças a um curso de desenho que eu fazia). Por isso, eu e minha esposa crescemos com referenciais diferentes. E sabe qual o prejuízo de crescer com a mínima influência da cultura pop? Nenhum. Isso não impediu que Noribel se tornasse uma pessoa sociável, inteligente e divertida. Ela e muitos adventistas que conheci, vindos de lares realmente cristãos, se destacavam por terem enraizado em seu caráter conceitos que são a base do adventismo.
Quem forma a base para uma nova geração são os pais. A mídia somada com outros fatores, como as revoluções sociais e tecnológicas, exercerá influência limitada pela atuação de pais cristãos. Quando nos perguntamos "O que fazer para alcançar as novas gerações?", estamos mostrando preocupação na direção equivocada! A pergunta deveria ser: "O que diz a Bíblia?" Quando pais ensinam seus filhos a pensar biblicamente, eles formam jovens que servirão como representantes de Cristo entre outros jovens. E o que alcançam pessoas não são os métodos, mas outras pessoas. A vida transformada prega com eficácia sobre o evangelho que a transformou.
Fico feliz quando o culto familiar acaba e a Stephanie folheia sozinha sua Bíblia ilustrada. Sem saber ler ou falar, ela já é uma investigadora das Escrituras. Em meio à geração de pessoas confusas, que não aceitam a Verdade única e abraçam o experimentalismo pragmático para escolher sua espiritualidade, estou criando uma testemunha. Deus me dê a sabedoria que meus sogros –  e tantos outros adventistas fiéis – tiveram.


Leia também


Para adquirir o livro Explosão Y:

sexta-feira, 10 de março de 2017

DECIDA POR MANTER A BASE


Foi curioso quando o repórter indagou o músico cristão o porquê de suas letras se tornarem menos explícitas em sua religiosidade; a resposta, entre outros elementos, destacou a necessidade de conversar com um público mais amplo, incluindo pessoas não religiosas. Afinal, nossas experiências humanas são as mesmas, quer para cristãos ou descrentes. Depreende-se daí um certo viés existencialista, que procura no universalismo a expressão de sua fé. Nada mais pós-moderno.
Reduzir a crença a um estar-no-mundo que, em essência, não difere muito de outras posturas existenciais é algo perceptível para além das ondas sonoras do gospel. As mensagens do púlpito focam problemas humanos, alguns de amplitude universal (solidão, medo, tristeza, etc) ou de caráter contemporâneo (divórcio, desemprego, crise familiar, etc). Não há dúvida de que Deus Se interessa pelo cotidiano de Seus filhos. Ele Se comunica conosco em nossas necessidades. Todavia, a ênfase dada é muito mais antropocêntrica, retratando Deus como um solucionador universal, uma espécie de consolo, minimizando o aspecto instrutivo e cognitivo da mensagem bíblica (aspectos que não deixam de ter implicações práticas também).
Um cristianismo que lê a Bíblia apenas preocupado no tipo de respostas divinas para os dilemas contemporâneos começa sua busca pelo lugar errado. A leitura (ou seja, a interpretação que fazemos) deve contemplar o que Deus disse, procurando entender (1) o momento em que Ele disse (contexto histórico), (2) dentro de qual livro Ele disse (contexto literário), (3) a relação do que Ele disse com outras coisas que também foram ditas (analogia das Escrituras), para compreender corretamente o que foi dito. Depois desse processo, que depende da nossa relação com o Espírito Santo (1 Co 2:13-14) e com o as próprias Escrituras (Is 8:19-20), se pode pensar em uma aplicação das Escrituras (para minha vida) e na proclamação (no púlpito, em um estudo bíblico, pequeno grupo, contato pessoal, etc).
Quando se lê a Bíblia apenas para justificar uma posição (seja doutrinária, pessoal ou apologética), etapas são queimadas. Fica mais fácil cometer erros na leitura (interpretação), deixando que opiniões, experiências ou a influência da tradição (antiga ou contemporânea) norteiem o entendimento. Temo que, pelo fato de não refletirmos sobre os passos adequados para o estudo das Escrituras, estejamos criando uma cultura de leitores deficientes, que, na melhor das hipóteses, conseguem mencionar textos bíblicos e se justificar por meio deles, mas que são incapazes de compreender a mensagem bíblica em todo o seu potencial. Não se habilitaram a fazer as correlações entre textos e perceber como a própria Escritura, tal um todo orgânico (cânon), fornece as ferramentas para sua correta leitura (interpretação). O máximo que conseguem é ler a Bíblia segundo o modelo da escola de Alexandria – como se a Bíblia fosse compostas de alegorias, que permitissem praticamente a livre interpretação. Por isso, tanta barbaridade é proferida dos púlpitos: falta de seriedade no estudo da Palavra.
A base da fé precisa ser a compreensão de mundo extraída das Escrituras (a visão canônica). Na Bíblia como uma todo (cânon), nós nos deparamos com nossos erros conceituais e idiossincrasias, além de termos a possibilidade de substituí-los pelos conceitos e instruções dados por Deus e aplicáveis à nossa vida.
A falta de explicitude nas músicas, as mensagens genéricas no púlpito, as opiniões obtusas na internet de cristãos que “usam” a Bíblia são fatores sintomáticos. Não passam de versões brandas e atuais do existencialismo contemporâneo. Nem bem se trata de um existencialismo à la Kierkegaard (lamentavelmente citado por outro músico cristão na recente edição de um programa televisivo): temos aqui sua versão mais rasa e superficial. Uma fé que se preocupa tanto com os problemas do mundo que não tem tempo para ocupar seu papel no mundo. Uma fé sem consciência de suas raízes bíblicas, sem embasamento sólido. Uma fé tão universal e similar à experiência do homem contemporâneo que seria de se admirar que ele possa se interessar por ela: afinal, o que ela oferece diferente do que ele já possui? E, mesmo que ele se interesse pelas questões que ela desperta, será difícil que ela o ajude a chegar aonde precisa, tão desvinculada se acha das Escrituras…


Leia também

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O TRONO DO SANTUÁRIO


As versões terrestres do santuário desempenham uma função importante no Antigo Testamento. Por versão terrestre do santuário incluímos (a) a tenda ou tabernáculo construído na época de Moisés; (b) o templo de Salomão e (c) o templo construído na época de Zacarias (ou segundo templo). O santuário nunca foi um lugar místico-sagrado, como se tivesse poder em si mesmo. Um templo era considerado pelas culturas antigas a casa ou o palácio das divindades. Entretanto, o santuário israelita jamais poderia servir para a habitação de um Deus tão grandioso como Yahweh (1 Cr 17:5-6; 2 Cr 6:18 – muito embora o santuário cumprisse a função de servir como habitação de Deus com Seu povo, o que se explica mais pelo aspecto relacional do que pela necessidade divina de ter onde morar, conforme Êx 25:8). Essa função relacional do santuário não consistia na única razão para que Deus ordenasse sua construção. Por meio das versões terrestres do santuário e suas cerimônias estava prefigurado o ministério de Cristo em seus múltiplos aspectos (Hb 8:6-7, 13; 9:8-10, 15, 23-26). O santuário foi dado como uma ilustração divina para o plano da salvação, além de ser uma ilustração do santuário celestial.
Dentro do grande conflito, o santuário celestial adquire uma função tática: dali se tomam as decisões na luta contra Satanás e sua causa.  No santuário celestial está localizado o trono de Deus (Ap 7:15; 8:3; 16:17; cf.: Ap 4-5). No Apocalipse, o trono parece ser a própria essência do santuário; se o santuário será transferido para a cidade santa (Ap 21:3), isso ocorrerá devido à transferência do trono para lá (Ap 22:3). Onde está o trono de Deus, está Seu santuário.
É importante ressaltar que o trono de Satanás é uma tentativa de criar um governo paralelo ao trono localizado no “monte santo da congregação” (Is 14:13) ou “monte santo de Deus” (Ez 28:14). Muitas vezes, a montanha é identificada com Yahweh e como local apropriada para o culto (Gn 22:2; 1 Rs 20:23; Sl 1211-2). Isso torna o ataque de Satanás um ataque contra o santuário. O plano da salvação é o contra-ataque divino à iniciativa da rebelião liderada por Satanás, da qual resultou o grande conflito. O plano da salvação consiste em um conjunto de ações dramáticas desempenhadas pelo próprio Deus a partir de Seu trono, ou seja, o plano da salvação se origina no santuário celestial.
Não é à toa que a doutrina do santuário seja tão negligenciada e combatida, porque as agências satânicas operam para que essa verdade (e as que gravitam ao seu redor) jamais cheguem ao conhecimento do pecador (Dn 7:25; 8:9-12; 11:31-32). Entretanto, de Seu trono Deus julga o universo, quer punindo os ímpios, quer garantindo a salvação dos santos (Dn 7:9-10, 26-27; Ap 6:16; 7:10-12, 15, 17). A partir do trono que está localizado no santuário, Deus reivindica Seu caráter e autoridade, punindo a presunção satânica de exercer uma autoridade rival (Ap 13:2; 16:10).

Por isso, de uma perspectiva escatológica e estritamente pessoal, Asafe pode encontrar a chave para as aparentes injustiças do mundo olhando para o santuário (Sl 73:16-17). O santuário é a chave para o grande conflito. Ele aponta para o juízo escatológico e isso nos dá a certeza de que as ações dos justos nesse mundo serão recompensadas. De Seu trono no santuário, Deus prepara o desfecho do grande conflito, reivindicando Seu caráter e julgando o mundo. Seu adversário será desmascarado e finalmente derrotado. Há esperança no santuário!

Leia também:

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

POR TRÁS DA REJEIÇÃO DO REMANESCENTE


A espiritualidade do remanescente está associada com a visão bíblica do santuário celestial/santificação. A própria caracterização do remanescente como um povo peculiar que guarda os mandamentos (Ap 12:17) já pressupõe uma compreensão da santificação. A guarda dos mandamentos não é um meio de justificação; do contrário, teríamos justificação pelas obras, não pela fé. A lei divina faz parte da vivência do cristão que já passou pelo processo de justificação e agora está vivendo os embates da vida cristã, ou seja, está lutando contra as tentações e prosseguindo em permitir que o Espírito atue nela, reproduzindo em sua vida a vontade divina conforme expressa nas Escrituras.
A visão evangélica do sacrifício de Cristo/justificação anula a necessidade de se guardar os mandamentos; logo, dissipa o traço identificador do remanescente. Assim, o remanescente escatológico dá lugar a outros conceitos, especialmente o da igreja invisível. O conceito da igreja invisível consiste em afirmar que todos os cristãos sinceros, que vivem na luz que possuem, são o remanescente. Sendo assim, o remanescente não é uma entidade visível, que se pode conhecer ou identificar. Trata-se de algo que apenas Deus conhece. Basta que alguém seja sincero e, independente de sua confissão de fé, tal pessoa poderá ser identificada (por Deus) como parte do remanescente.
Além de contradizer as Escrituras, igualar o remanescente com a igreja invisível é uma forma de (a) relativizar o papel das doutrinas na vida cristã e (b) anular a progressão histórica explanada no livro de Apocalipse. É certo que há pessoas sinceras que, em meio à confusão religiosa, ouvirão o chamado de Deus (Ap 18:4). Entrementes, isso não anula o fato de haver uma entidade presente e identificável, para a qual os sinceros, ademais, serão chamados a pertencer.
Mesmo entre os adventistas, existem algumas vozes (isoladas, é verdade) que reivindicam entendimentos alternativos sobre o remanescente – alguns coincidentes com a o conceito de igreja invisível. O fato de alguns adventistas pensarem nessa direção é a triste constatação de que a visão evangélica do sacrifício de Cristo/justificação se acha assimilada por eles.
Dizer que os adventistas são o povo remanescente não significa exclusividade de salvação. Afinal, o remanescente é o representante divino e tem a missão de levar a salvação a outros (Ap 14:6-12). Tão grande é a vocação e a responsabilidade do remanescente que devem conduzir a uma profunda humildade e dependência de Cristo.

Leia também:

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O SANTUÁRIO: MENSAGEM PARA ESSE TEMPO


Lentamente, a vida cristã se dilui na cultura. Isso porque o que se entende por vida cristã é a visão evangélica do sacrifício de Cristo/justificação. A teologia evangélica, organizada em torno dessa visão, proporciona uma experiência cristã fragmentada. As doutrinas evangélicas, independente de quais ou quantas sejam, ficam deslocadas nessa estrutura. Isso porque a morte na cruz, nessa versão reduzida ao mínimo possível, se torna um elemento desagregador da doutrina. Não precisamos crer em muitas coisas ou mudar muitas coisas em nossa própria vida quando fomos gratuitamente perdoados de todo pecado.
Como essa compreensão não é bíblica, nem muito menos sólida, ele naturalmente recai para uma versão da graça barata. Não adianta apelar para o papel da obediência na vida cristã sem uma compreensão mais ampla do plano da salvação. Somente a visão bíblica do santuário celestial/santificação proporciona condições para uma vida cristã coerente e transformadora. A salvação deixa de ser veiculada a um evento passado, passando a pertencer à esfera presente. Deus opera no presente na vida do cristão por meio de Sua atuação no santuário celestial. É a contínua intercessão de Cristo (Hb 7:25) que aplica a expiação realizada completamente na cruz. Em outras palavras, o santuário torna efetivo o sacrifício de Cristo na vida do pecador.
Obviamente, as duas etapas do ministério de Cristo só devem ser separadas para fins didáticos. Em realidade, ambas se completam. O exemplo para entender essa intrincada relação é o sistema sacrifical do Antigo Testamento. O sacerdote só pode entrar no santuário com o sangue do sacrifício realizado. Mesmo o sumo-sacerdote entra no compartimento conhecido como lugar-santíssimo no dia da expiação apenas depois de ter realizado um sacrifício. Se o trabalho pelo pecador se resumisse ao sacrifício oferecido, Deus teria pedido a construção de um santuário em vão (Êx 25:8)! Se o sacerdote pudesse entrar no lugar santo sem sangue, a construção do altar e a ordem de sacrificar animais seriam inúteis. Os sacrifícios e a intercessão dos sacerdotes na tenda não eram apenas ações consecutivas como estritamente vinculadas entre si e necessárias para redimir. A morte de Cristo na cruz e Seu ministério sacerdotal no santuário (as duas fases) não podem ser separados – uma parte está vinculada à outra, sendo ambas necessárias para redimir o homem.
Quando essas duas etapas, relacionadas à salvação passada e à salvação presente são devidamente compreendidas, nenhuma área da vida fica fora do evangelho. O plano divino é transformar por completo a existência humana manchada pelo pecado. Para isso, o santuário serve como uma estrada de mão dupla: por meio de Cristo, temos acesso a Deus e, por meio dEle, Deus tem acesso a nós. O direito para ser nosso Intercessor Jesus o conquistou pela cruz. Logo, o santuário não é um meio de diminuir ou desprezar a obra vicária do Salvador na cruz, mas uma forma de exaltá-la e elevá-la à máxima importância.
Como o santuário se relaciona com a diluição da vida cristã? O ministério de Cristo no santuário (obra realizada no presente) corresponde ao processo de santificação (efeito de sua obra por nós no presente). Relacionando a Obra de Cristo com o plano da salvação, podemos entender que a salvação não termina no passado, na cruz. A salvação segue em desenvolvimento, renovando-se a cada dia. A vida cristã torna-se dinâmica e contínua. Aqueles que foram salvos (justificação) por meio da cruz agora se mantém salvos (santificação) por meio do santuário. O ministério de Jesus pelo pecador no santuário celestial impede que a vida cristã seja diluída pela cultura, tradição, inclinações pessoais ou quaisquer outros elementos. Isso não significa perfeição absoluta – algo impossível de se atingir na existência presente. Ao contrário: o cristão terá desafios e quedas, porém seguirá com o alvo adiante de si e as ferramentas necessárias para continuar crescendo na graça de Deus.


Leia também: