sexta-feira, 14 de abril de 2017

A MAIOR NECESSIDADE DE UMA GERAÇÃO CONECTADA


É comum se referir à necessidade de contextualização da pregação bíblica no contexto do século XXI. Eu concordo: ao me tornar pai, isso ficou ainda mais claro. A cada fase, um bebê tem necessidades distintas. Agora, ver minha filha começar a juntar as mãos para orar ou prestando atenção nas músicas do culto é algo gratificante. O que se aplica a ela, em certa maneira, diz respeito a cada ser humano: as necessidades advindas da faixa etária, cultura, educação e classe social, para mencionar alguns fatores, não podem ser desconsideradas.
Entretanto, não se pode perder de vista que contextualização implica em uma ponte. Quem constrói pontes se preocupa com os dois lados da estrutura. As pontes existem para serem transitadas. Quem está de um lado, precisa atravessar com segurança para o outro.  Há um elo, uma ligação, nesse caso, entre a mensagem do cristianismo com a situação presente das pessoas. Quando se aplica isso a missões, sejam em locais estrangeiros ou às missões urbanas – entre pessoas que possuem um ethos pós-cristão –, o desafio é maior.
O risco mais desafiador é quando adaptações circunstanciais dão lugar a mudanças mais profundas, caracterizando identificação total ou parcial com aspectos da cultura que se oponham francamente ao evangelho. Quando isso acontece, estamos diante do sincretismo, a mistura da religião bíblica com qualquer outro elemento, filosofia ou ideologia externos. O catolicismo surgiu justamente dessa tendência de se adaptar acriticamente ao ambiente cultural, dando origem a um cristianismo com forte influência da filosofia greco-romano e com traços pagãos evidentes.
No contexto urbano contemporâneo, adaptar completamente a mensagem do evangelho implicaria em um tipo de cristianismo secularizado, racionalista, travestido de cultura pop, existencialista, ecumênico, marcadamente identificado com uma vocação mais social do que missionária no sentido bíblico. Aliás, alguns missiólogos expandiram o termo missional (originalmente cunhado para representar o desafio da missão em sociedades pós-cristãs) para se referir à participação social, política e até ecológica dos cristãos, tornando o uso do termo incompatível com a noção bíblica de missão e evangelização.
A contextualização precisa ser norteada por parâmetros bíblicos. É necessário estudar como o apóstolo Paulo evangelizou o mundo greco-romano, como Daniel viveu sua fé na Babilônia, como Jonas anunciou sua mensagem, para mencionar alguns casos. Apenas o cânon bíblico, analisado com seriedade, pode fornecer as diretrizes para que a contextualização respeite a essência da mensagem bíblica. Afinal, contextualização não deve cair no pragmatismo teológico…
Ainda sobre evangelismo urbano, especialmente no que se refere a novas gerações, talvez o mais prejudicial seja assumir a premissa de que, para alcança-los, devemos oferecer o que eles já têm. Essa geração midiática, plural, comunitária, que gosta de engajamento, toma as dores das minorias históricas e vive de experimentar novas sensações, ao mesmo tempo que se acostumou com objetos e relacionamentos descartáveis, não precisa de uma igreja que simplesmente reforce esses valores. Eles precisam de algo que vá além.
Precisam de uma mensagem que lhes dê solidez em um mundo cada vez mais incerto; precisam de bases eternas que desafiem e substituam o relativismo com o qual se acostumaram; precisam recuperar a ideia de um Deus acima da própria cultura, não nivelado pela mundanidade que perpassa as representações de sagrado em Hollywood.  Por incrível que pareça, eles necessitam de conexão – mas de um tipo específico. Precisam, fundamentalmente, de uma mensagem que destrua a estrutura viciada do pensamento pós-moderno, e que seja transmitida de forma simples. Fazer isso não exige treinamento ou altos investimentos em programas e recursos. Falta gente que, com sabedoria e humildade, tenha experimentado o evangelho a ponto de sentir o desejo de compartilha-lo com esta geração. 
O contato pessoal será decisivo para alcançar as pessoas desse tempo, porque é disso que mais se sente falta: gente que, verdadeiramente, amem e vivam a verdade. A conexão com Deus será possível para tantos jovens adultos suburbanos quando conhecerem crentes conectados com a mensagem de um Salvador morto, ressurreto, assunto ao Céu, atuante em Seu santuário e prestes a retornar.




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